domingo, 7 de junho de 2015

Ucrânia - Um novo Vietnã?




Já passaram três meses desde o início do treinamento militar dos soldados ucranianos realizado por 300 fuzileiros navais dos EUA.

De acordo com Maksim Shepovalenko, analista militar do Centro de Análise Estratégica e Tecnologia de Moscou, a presença de instrutores norte-americanos indica a intenção dos EUA de permanecerem na Ucrânia.

De acordo com ele, os EUA fizeram o mesmo no Vietnã: tudo começou com o envio de instrutores e mais tarde evoluiu para uma intervenção militar de larga escala.
O analista foi citado pelo canal de TV norte-americano NBC, que divulgou:

“Os militares norte-americanos estão ensinando as tropas ucranianas a entrar da Rússia, e o regime de Vladimir Putin considera este passo como uma séria provocação.”

Os norte-americanos já realizaram manobras conjuntas com os ucranianos, mas esta é a primeira vez que eles realizam treinamentos. Como foi observado no artigo, publicado no site do NBC, este treinamento é realizado a pedido das autoridades de Kiev, que estão tentando modernizar suas Forças Armadas.

Os EUA insistem que a ajuda militar é limitada à defesa. De acordo com eles, eles não enviam armas para a Ucrânia, mas apenas equipamentos de proteção, caixas de primeiro socorro e transporte. No entanto, o treinamento contínuo também sinaliza a Moscou que Washington tem a intenção de defender o governo de Kiev "orientado para o Ocidente".

Segundo declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov em abril (após os instrutores americanos terem chegado à Ucrânia), “a participação de instrutores ou especialistas de países terceiros em território ucraniano, onde o conflito interno ainda não foi resolvido, poderá desestabilizar a situação.”








Fonte: Sputnik/Brasil




Internet no Brasil - Velocidade muito baixa!




O Brasil está mal de banda larga. Um estudo divulgado em maio pela fabricante de equipamentos de rede Cisco mostrou que, no ano passado, a velocidade média da conexão brasileira ficou em 8,3 Mbps (megabits por segundo), menos da metade da média mundial, de 20,3 Mbps. A previsão para 2019 é que essa distância se mantenha, com uma média de 19 Mbps no Brasil e de 42,5 Mbps no mundo.

Um dos motivos para isso é a presença tímida de conexões de fibra óptica por aqui. No mês passado, havia pouco mais de 1 milhão de acessos em fibra no País, em um total de 24,6 milhões de conexões fixas de banda larga. “O custo da fibra já se tornou bem competitivo”, afirma Nelson Saito,
presidente da seção latino-americana do FTTH Council Americas, associação que tem por objetivo a promoção dessa tecnologia. A previsão é que, até 2019, o Brasil tenha perto de 5 milhões de acessos em fibra. A fibra óptica permite velocidades muito maiores do que as redes convencionais de telefonia fixa e de TV a cabo. Até alguns anos atrás, eram mais caras e mais complexas de se instalar que as alternativas de cobre. O custo, no entanto, vem caindo, conforme a tecnologia vai se tornando mais disseminada ao redor do mundo.

Investimento que compensa.
Além disso, é um investimento que compensa em um prazo mais longo, já que o limite atual de velocidade está nos equipamentos que vão nas pontas das fibras, e não no cabo óptico em si. Fora do Brasil, as operadoras já testam acessos de 100 Gbps (gigabits por segundo). Ou seja, 100 mil Mbps. Inicialmente, esse tipo de serviço será oferecido para clientes corporativos. O Google tem vendido acesso de 1 Gbps em algumas cidades dos Estados Unidos por 70 dólares mensais.

Além das grandes operadoras, têm surgido no Brasil empresas regionais que investem em fibra. “Com um investimento de 50 mil reais, é possível atender a 30, 40 assinantes”, afirma Saito. Na sua visão, a atual concentração do mercado brasileiro de telecomunicações, com a compra da GVT pela Telefônica Vivo, dá espaço para a criação de novas operadoras.

Durante a campanha, a presidenta Dilma Rousseff prometeu lançar o Banda Larga Para Todos, plano que levaria, até 2018, conexão em fibra para 45% das residências urbanas. Até agora, não foi anunciado.





Fonte: O Sul



sábado, 6 de junho de 2015

O legado de Edward Snowden!

 Resultado de imagem para edward snowden

No dia 6 de junho de 2013, o britânico The Guardian publicava que os clientes americanos da operadora Verizon estariam sendo espionados pelo governo dos Estados Unidos. Foi um choque - mas aquele era só o início de uma avalanche de revelações que abalaria governos de vários países. Especialmente o dos EUA. Edward Snowden, responsável pelo vazamento, mudaria a postura de cidadãos, governos e empresas diante da privacidade na web.

Divulgadas pelo jornalista Gleen Greenwald, radicado no Brasil, as matérias seguintes apresentavam o Prism, um sistema que coletava e-mails, localização, imagens e sites visitados pelos usuários. E pior: empresas de tecnologia, como Apple, Facebook e Google, ajudavam a fornecer as informações. Até mesmo chefes de Estado, como a presidente Dilma Rousseff, estavam entre as vítimas.

Agora, um ano após as primeiras revelações, Snowden vive temporariamente na Rússia, protegido pelo asilo político. O governo dos EUA quer que ele se entregue para ser julgado. Seu destino é incerto, mas os vazamentos que promoveu seguramente tiveram um papel importante nos últimos doze meses.  E deixaram lições:

1. Metadados dizem muito.
A NSA coleta dados de 5 bilhões de registros telefônicos por dia. Ela defende que não se trata do conteúdo das ligações, somente informações como duração e o número do interlocutor — os chamados metadados. Um estudo recente da Universidade de Stanford, no entanto, mostrou que esse tipo de informações também pode relevar detalhes sensíveis da vida das pessoas.

2. Fotos de usuários — inclusive íntimas — podem ser expostas
Em fevereiro, arquivos fornecidos por Snowden mostraram que a agência de vigilância britânica GCHQ interceptou e armazenou imagens de webcam (incluindo conteúdo sexual explícito) de milhões de usuários da internet, mesmo de pessoas que não eram suspeitas de terem cometido algum tipo de ilegalidade. Todos donos contas do Yahoo.

3. Empresas voltam atrás.
Demorou, mas em maio os gigantes Apple, Facebook e Google anunciaram mudanças em suas políticas de privacidade. A intenção é ampliar os casos em que os usuários são informados quando o governo solicita seus dados para investigações.

4. Governos também
Em março, o presidente Barack Obama apresentou formalmente uma proposta para diminuir o programa de espionagem da NSA. "Decidi que o melhor caminho a seguir é que o governo não deve coletar ou armazenar esses dados em massa", declarou na época. Embora a iniciativa tenha sido acusada de ser vaga, Snowden definiu a decisão como um “ponto de virada”.

5. Um país pôde, finalmente, aprovar marco regulatório para a internet
Diante do escândalo, as discussões em torno do Marco Civil da Internet imediatamente começaram a avançar. E em abril, após quase cinco anos de debate, a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que define os direitos dos usuários na web e determinará regras para atuação de empresas de tecnologia no País.

6. As pessoas têm o direito de ser esquecidas
A questão da privacidade se tornou popular — o que levou a decisões judiciais mais contundentes. Em maio, o Tribunal de Justiça da União Europeia determinou que usuários da web podem solicitar a ferramentas de busca a remoção de conteúdo. Logo no primeiro dia, o Google recebeu 12 mil pedidos de europeus para que seus nomes desaparecessem dos resultados.

7. A busca por atividades suspeitas precisa de limites
Nesta quinta-feira, 5, mais de 400 organizações e especialistas, incluindo brasileiros, divulgaram o documento “Princípios Internacionais sobre a Aplicação dos Direitos Humanos na Vigilância das Comunicações”. Eles são: legalidade; fim legítimo; necessidade; adequação; proporcionalidade; autoridade judicial competente; devido processo legal; notificação do usuário; transparência; escrutínio público; integridade das comunicações e sistemas; salvaguardas para a cooperação internacional; salvaguardas contra o acesso ilegítimo.

8. “Percorremos um longo caminho, mas ainda há mais a ser feito”
A União Americana pelas Liberdades Civis recebeu na manhã da última quarta-feira, 4, um e-mail de Snowden em que faz um balanço do último ano. "Eu trouxe evidências das atividades irresponsáveis ao público para despertar uma discussão que o governo dos EUA não queria que o povo americano tivesse", escreveu. Segundo ele, os esforços não podem cessar: "ainda há mais a ser feito".






Fonte: Edson Caldas/Galileu



Vida de faxineira na Suécia!

Com o marido, em casa

A polonesa Beata Romanowicz é a minha ajudante providencial das faxinas quinzenais, mas nem sempre está a postos. Nos finais de semana, ela costuma desaparecer como um Aécio em dia de manifestação pró-impeachment. É quando Beata e o marido, o pedreiro Jacek, saem para passear e pescar no arquipélago sueco a bordo do barco do casal, um confortável Bayliner americano de dez metros de comprimento.

Nos dias em que vem trabalhar, ela chega em minha casa ao volante de um BMW 325 conversível. Mas como qualquer habitante desta terra gelada, Beata também sofre de uma aguda síndrome de girassol que a faz jogar-se em um vôo promocional para destinos ensolarados, a cada vez que os termômetros caem demais e o orçamento permite. Em janeiro, auge do inverno sueco, ela escapou para a ilha espanhola de Tenerife ao lado do marido.

Decidida a revigorar o espírito com novas emoções, Beata já me pediu para anotar na agenda os dias em que estará com Jacek em Nova York, em setembro.

Beata é parte de um fenômeno relativamente novo na Suécia: o surgimento de diaristas para a limpeza doméstica. Elas foram chegando aos poucos, vindas principalmente da Polônia, quando a entrada do país na União Européia em 2004 eliminou as fronteiras com o continente.

A chegada gradual das diaristas alimentou, de imediato, um intenso debate em torno de uma das igualitárias máximas suecas – “man måste ta hand om sin egen skit”, ou “cada um deve cuidar da sua própria sujeira”.

Na Suécia, empregada doméstica que dorme no emprego é como uma fábula de mau gosto, e simplesmente não existe. Entre os suecos mais radicais, o zelo pela igualdade e o medo do ressurgimento de uma subclasse social chega a provocar reações exaltadas. Em um debate da campanha eleitoral de 2006, flechas voaram contra a então líder do Partido de Centro (Centerpartiet), Maud Olofsson, quando ela defendeu a introdução de abatimentos fiscais para permitir aos suecos contratar faxineiras e aliviar assim sua dupla jornada.

”E quem limpa o banheiro da empregada?”, perguntou, irritado, o jornalista e mediador do debate na TV4 sueca, Göran Rosenberg.

”E quem pinta a casa do pintor?”, retrucou Maud, rápida no gatilho. ”A faxineira também pode contratar ajuda quando precisar”, argumentou ela.

A coalizão de Maud venceu as eleições e a contratação de faxineiras foi facilitada, mas não é pequeno o número de suecos que ainda se sentem constrangidos ao contratar uma diarista. Ou que simplesmente recusam-se a ter alguém limpando a sua sujeira – como é o caso dos meus sogros, que aos 81 e 84 anos de idade continuam cuidando da faxina, lavando a roupa e polindo as janelas da casa. Diaristas na Suécia, aliás cuidam rigorosamente apenas da faxina: não lavam roupa, não cozinham, e raras são as que aceitam manejar o ferro de passar.

O cúmulo do contrangimento, para uma amiga sueca que esteve conosco em Búzios certa vez, foi descobrir que a casa que alugara incluía os serviços de uma empregada doméstica em tempo integral.

“Claudia, a empregada me perguntou o que ela deveria fazer para o almoço”, disse Åsa, que é editora-chefe da maior revista feminina da Suécia, em um telefonema aflito para o meu celular.

“E daí?”, perguntei.

“Fiquei envergonhada, então perguntei à empregada o que é que ela gostaria de comer hoje”, respondeu Åsa, naquele diálogo sobrenatural.

Mas aos poucos, diaristas como Beata Romanowicz vão quebrando em parte este tabu nacional, e agências suecas de serviços de limpeza doméstica também já vão surgindo. Um dos argumentos favoritos para se livrar da culpa é o de que, ao contratar os serviços de uma faxineira, está-se também ajudando uma pessoa a ganhar a vida.

Beata ganha, de fato, a vida. Como funcionária de uma agência de diaristas administrada por uma polonesa, ela tira por mês entre 20 e 25 mil coroas suecas, o que equivale aproximadamente a uma quantia entre 7.400 e 9.300 reais. Trata-se de um valor um pouco abaixo da média salarial na Suécia, que é atualmente de 27,3 mil coroas suecas.

Depois de pagar cerca de 30% em impostos, ela tem no bolso o equivalente a entre cerca de 5,2 mil e 7,8 mil reais. Uma quantia mediana, para viver em uma das cidades mais caras do mundo.

“Eu jamais conseguiria ganhar na Polônia o que ganho aqui na Suécia, e ter as mesmas condições de vida”, diz Beata, que chegou à capital sueca há oito anos.

A vida de Beata ficou melhor quando ela conheceu o marido, o pedreiro Jacek Romanowicz, pela internet. Jacek já havia desembarcado em Estocolmo muito antes, determinado a ter uma vida mais digna.

Na Polônia dos anos 80, naquele dia em que completava 38 anos, Jacek resolveu dar um basta na vida subterrânea que levava como operário de uma mina de carvão da cidade de Katowice, no sul do país – por acaso, o mesmo lugar onde Beata nascera.

“Meu sonho era poder comprar um carro”, ele lembra.

“Naquela época, foi muito difícil conseguir os papéis para entrar na Suécia. Mas um dia eu consegui”.

De ajudante a mestre de obras, Jacek trabalhou em dezenas de construções e reformas em Estocolmo. Aprendeu o máximo que podia, especializou-se no ofício de pedreiro através de cursos profissionalizantes oferecidos gratuitamente pelo Estado, e há oito anos conseguiu dar o salto que planejava: criar a própria microempresa de pequenas obras, onde emprega três ajudantes.

Jacek diz que fatura em média cerca de 500 mil coroas suecas por ano (aproximadamente 186 mil reais) – mas boa parte dos ganhos é taxada pelo leão sueco. Ele explica:

“Se eu ganhar até 420 mil coroas por ano, pago 30% em impostos. Se o faturamento anual ficar entre 420 e 550 mil, a taxa de imposto sobe para 50% do total de rendimentos acumulados nesta faixa. E o que eu faturar acima de 550 mil coroas, é taxado em 60%”, ele calcula.

Jacek banca ainda os encargos sociais dos três ajudantes, que têm seus salários atualizados de acordo com os acordos coletivos da categoria – o poderoso Byggnadsarbetarförbundet, o sindicato sueco dos trabalhadores de construção, o intima a oferecer uma vida digna aos seus operários, como ele próprio teve antes de se tornar um microempresário do ramo.

Dependendo do ano, ele fatura menos, ou mais.

“Em 2013, paguei cerca de 500 mil coroas em impostos”, conta Jacek.

É uma conta alta demais?

“Acho que é muito. Todo mundo na Suécia paga impostos altos. Na Polônia paga-se bem menos. Mas é melhor aqui na Suécia”.

Por quê?

“Porque aqui as oportunidades são maiores, pode-se ganhar mais. A vida também é mais tranquila, porque na Suécia existe pouca corrupção e pouca violência. E aqui o trabalho de qualquer pessoa é respeitado, não importa se uma pessoa trabalha como médico, pedreiro ou faxineira”, ele diz.

Beata concorda, com um movimento de cabeça. Como ainda luta para aprender melhor o esfíngico idioma sueco, ela pede a Jacek para ajudar na tradução.

“A vida aqui é mais digna, e 100% melhor do que na Polônia”, ela diz. “Lá ninguém respeita a profissão de faxineira, que é considerada um trabalho de segunda classe.”

Juntos, Beata e Jacek dividem uma casa de dois andares e 90 metros quadrados em Snösätra, subúrbio ao sul de Estocolmo. O imóvel foi adquirido no sistema de bostadsrätt – literalmente, “direito à moradia” em imóvel pertencente a uma cooperativa de proprietários, que é o sistema predominante na Suécia. Pela cota mensal de serviços e manutenção cobrada para o imóvel, o casal paga seis mil coroas suecas (equivalente a cerca de 2,2 mil reais).

Na garagem, está um carro provavelmente melhor com o que sonhava Jacek nas profundezas da mina de carvão de Katowice – um utilitário SsangYong Kyron 2.7, equipado com motor turbodiesel da Mercedes-Benz. Na vaga ao lado, fica o BMW que ele deu de presente a Beata há dois anos, quando ela completou 45 anos de idade.

Ao lado de Jacek, Beata também conquistou seu lugar ao sol, ou melhor dizendo, seu lugar sob o carregado céu cinzento dos longos invernos suecos. Antes de se mudar para Estocolmo, ela tinha deixado a Polônia para trás a fim de tentar uma vida melhor na Escócia, trabalhando como arrumadeira em um hotel da cidade de Glasgow. Levou junto com ela a filha Patricia, e lá ficou durante quase dois anos. Patricia tem agora 27 anos de idade e trabalha no mesmo hotel que Beata limpava – mas como funcionária da administração.

Como faxineira na Suécia, Beata tem direito aos mesmos hospitais públicos de qualidade que atendem empresários, deputados, vereadores, médicos, policiais e lixeiros, nesta cidade onde só existe um hospital particular para consultas – e no qual não há serviços de emergência.

Beata viaja nos mesmos limpos e organizados ônibus e trens onde circulam o presidente do Parlamento e os ministros da Suprema Corte sueca. Frequenta cafés e restaurantes do centro da cidade, como seus patrões e patroas.

Na Suécia, a faxineira Beata não é, enfim, uma cidadã de segunda classe.

O que me faz lembrar um amigo sueco dos meus primeiros tempos de Suécia, que foi uma das minhas primeiras referências sobre a consciência social dos escandinavos.

Ele pagava a uma agência de diaristas quase o dobro do que eu gastava com os serviços da minha faxineira, uma brasileira recém-chegada ao país e ainda sem registro de trabalho. Quando sugeri dar a ele o número de telefone da diarista, ele recusou a oferta, com um sorriso educado. E quando abriu a boca, me fez passar por um dos muitos vexames que já passei e ainda vou passar na vida:

“Se eu pagar uma faxineira no black, ela não vai poder ficar doente, porque não vai ter acesso aos serviços de seguridade social. Também não vai poder envelhecer com tranquilidade, porque não terá direito a uma aposentadoria pública. É por isso que eu prefiro pagar mais.”




Por Claudia Wallin, de Estocolmo.

Brasileiros se destacam por cometer crimes no Japão!


Mortes Japão

"Treta", "bagulho" e "mano" são algumas das gírias e expressões ensinadas a policiais japoneses que enfrentam a criminalidade brasileira no Japão.


Segundo dados da Agência Nacional de Polícia, os brasileiros foram responsáveis por 1.619 crimes cometidos em 2014, 806 caso a menos do que em 2013.
As autoridades acreditam que esta queda esteja relacionada à redução do número de brasileiros no país. Mais de 150 mil decasséguis retornaram ao Brasil desde a crise de 2008.
O crime mais cometido por brasileiros no Japão é arrombamentos de veículos; foram 686 casos em 2014.

Por mais de uma década, os brasileiros ocuparam o segundo lugar no ranking de crimes cometidos por estrangeiros no Japão, atrás apenas dos chineses.
Mas desde o ano passado, os vietnamitas passaram a ocupar a posição.
Por causa desses números, a Academia Nacional de Polícia do Japão introduziu o ensino da língua portuguesa.
"Durante dois anos, de segunda a sexta, eles aprendem o nosso idioma, inclusive gírias e termos técnicos jurídicos", conta à BBC Brasil o professor Miguel Kamiunten, que dá aulas para policiais japoneses.
"O objetivo é facilitar o trabalho comunitário em regiões com grande concentração de brasileiros, como passar informações, desenvolver ações de prevenção e dar orientações aos brasileiros", explica.
Mas Kamiunten, que é brasileiro, também diz que as aulas foram implantadas por causa do alto índice de criminalidade entre os brasileiros que vivem no Japão. Até agora, cerca de 200 policiais já se formaram neste curso.
"Uma preocupação é não ensinar 100% a gramática, mas habilitar esses policiais a se comunicarem oralmente com os brasileiros, principalmente com os jovens", conta.
As gírias, explica Kamiunten, servem para que os japoneses entendam a conversa caso os suspeitos comecem a falar somente em códigos.
"Por isso, ensinamos também gestos e as abreviações mais usadas em mensagens instantâneas", diz o professor.

Perfil dos presos
O número de brasileiros em detenções e reformatórios japoneses também caiu nos últimos anos. Hoje são 397 presos, segundo dados da Justiça do Japão.
"Quando conversei com os presos brasileiros, fiquei surpreso com o nível das pessoas que estavam ali. A maioria é de classe média e que você nunca imaginaria encontrar numa prisão", diz Marco Farani, cônsul-geral do Brasil em Tóquio.

Quando fala sobre o tema da violência de brasileiros no Japão, ele não esconde a decepção.
O diplomata chegou ao Japão em 2012 e uma das primeiras coisas que quis fazer foi conhecer a realidade dos cerca de 120 brasileiros presos em sua jurisdição.

"Queria entender por que eles cometem crimes", explica. Mas a resposta é complexa, como ele mesmo afirma, por conta da diversidade de motivos e de delitos.
Em 25 anos de movimento decasségui, há registros policiais de homicídios, crimes do colarinho branco, formação de quadrilhas especializadas em furtos de carros, tráfico de drogas e roubo de banco – crimes com os quais o Japão não estava acostumado a lidar.

Segundo um relatório do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o número total de brasileiros presos no exterior é de 2.787.
Os Estados Unidos lideram com 407 presos, seguido do Japão, com 397 brasileiros encarcerados, o que representa 97% do total de presos brasileiros na Ásia.

A maioria dos presos no país, segundo o Itamaraty, é formada por jovens envolvidos em furtos e roubos de pequeno valor, além de tráfico e consumo de drogas.
"Pela grande quantidade de jovens presos, podemos dizer que a questão da educação é um dos pontos cruciais no caso do Japão", afirma Kamiunten, que também é ativista e membro do Conselho de Cidadãos do Consulado-Geral do Brasil em Tóquio.

Para ele, há uma falha no processo educacional que nem os governos brasileiro e japonês nem as famílias estão conseguindo superar.
"É preciso mais atenção nessa área", pede Kamiunten.

Livro
O tema da violência na comunidade brasileira chamou também a atenção do advogado Mário Tokairin, de 67 anos, brasileiro que vive no Japão há 25 anos e que no Brasil já atuou como juiz de Direito.
Desde que chegou ao Japão ele começou a colecionar recortes dos jornais que circulavam na comunidade brasileira com as histórias policiais.

Cinco anos atrás, resolveu que era hora de escrever um livro contando os principais casos que marcaram esses 25 anos de movimento decasségui.

"Reuni cerca de 30 histórias, mas ainda não consegui uma editora para publicar o livro", conta Tokairin, que há 11 anos dá aulas de português na Universidade de Gunma.
Entre os casos mais relevantes ele cita o primeiro homicídio envolvendo um brasileiro, em 1992. "Ficou conhecido como 'caso Maeda', em que o brasileiro Terumi Maeda Jr. foi preso e julgado culpado pela morte de uma garçonete japonesa", fala.

Outro caso marcante aconteceu na cidade de Hamamatsu, na província de Shizuoka, em 2006. Edilson Donizete Neves matou a namorada Sônia Aparecida Ferreira Sampaio Misaki, que tinha 41 anos na época, e os dois filhos dela, Hiroaki Misaki, 15 anos, e Hiroyuki Misaki, 10 anos.

Os corpos só foram encontrados quatro dias depois pelo pai das crianças, Marcílio Koichi Misaki, separado de Sônia, que não suportou a perda da família e cometeu suicídio em 2010 no Japão.
Um dia depois de cometer o triplo homicídio, Neves fugiu para o Brasil e foi preso em janeiro de 2008 no interior de São Paulo. Seis meses depois, porém, ele foi solto por falta de documentação de acusação.

O acusado desapareceu de novo, mas foi encontrado e preso em agosto de 2013, no interior de Minas Gerais. Ele não resistiu à prisão.
No começo deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo divulgou que vai convocar um júri popular para o julgamento do brasileiro. Mas a data ainda não foi marcada.
Para Tokairin, é importante relembrar todas estas histórias para servir de alerta. "Estamos na mira da polícia e, além disso, aqui a Justiça funciona", lembra.


Crimes recentes
Recentemente, Julia Yoshie Kato Inui, de 42 anos, foi presa na cidade de Kakegawa, província de Shizuoka, sob acusação de matar a própria mãe, Miyoko Kato Inui, de 77 anos.
Ela teria dado uma grande quantidade de sonífero à idosa, que morreu por asfixia. O resultado da autópsia indica que a mulher começou a vomitar, mas não conseguiu completar o ato por causa do efeito do sonífero, fazendo com que o vômito parasse na garganta.
O caso veio à tona depois que Julia confessou para uma amiga, que a denunciou à polícia. Julia admitiu o crime, mas ainda não se sabe os motivo.

Também em Shizuoka, um dupla de brasileiros foi condenada em março pela Justiça japonesa a quatro anos de prisão por roubo e furto de 198 veículos em dez províncias japonesas.
Os brasileiros, cujos nomes não foram revelados, têm 25 e 40 anos. Segundo a Promotoria, em um período de cinco anos os dois causaram prejuízos de cerca de US$ 3 milhões.

Também em março, outro brasileiro, de 49 anos, foi preso após viajar cerca de 170 quilômetros de táxi, mesmo sabendo que não tinha dinheiro para pagar a corrida, que saiu por cerca de US$ 500.
Segundo divulgou o jornal Yomiuri, o brasileiro estava desempregado e será julgado pelo tribunal local.





Fonte: BBC




terça-feira, 2 de junho de 2015

Estado Islâmico recruta e tortura crianças!



Um vídeo feito com um celular e obtido pela BBC mostra o que seriam militantes do grupo autodenominado "Estado Islâmico" (EI) torturando um menino sírio de 14 anos.
As imagens, registradas por um desertor do grupo jihadista, exibem o adolescente sendo agredido enquanto é suspenso pelos braços.


A ONU acusou o "EI" e outros grupos armados na Síria e no Iraque de torturar e matar crianças.
Elas também vêm sendo recrutadas, treinadas e usadas nos campos de batalha.
Outro adolescente afirmou  como lutou e matou em nome da Frente al-Nusra, braço da al-Qaeda na Síria, quando tinha apenas 15 anos.
Ele relatou que, quando decidiu participar do "EI", viu crianças de 13 anos sendo recrutadas como soldados.

'Eletrocutado'
O vídeo de celular mostra Ahmed sendo pendurado com os pés suspensos. Ele estava vendado, e dois homens mascarados, vestidos de preto dos pés à cabeça, andavam em frente a ele. Um segurava uma faca e uma pistola; o outro andava pelo cômodo com um fuzil AK-47.
Os militantes do "EI" começam a agredi-lo.

Ele tinha apenas 14 anos quando o grupo extremista o capturou e o torturou.
Hoje a salvo na vizinha Turquia, Ahmed relembrou à BBC o pesadelo pelo qual passou.

"Pensava nos meus pais. Pensava na minha mãe", disse ele. "Pensava que ia morrer e abandonar meus pais, meus irmãos, meus amigos, meus parentes. Achava que ia morrer".
"Eles começaram a me açoitar, me eletrocutar para que eu confessasse. Disse a eles tudo o que sabia".
Pesadelos
A agressão aconteceu na cidade de Raqqa, no norte da Síria, atualmente controlada pelo "EI", onde Ahmed vendia pão para sobreviver.

Dois homens que ele conhecia lhe pediram para deixar uma mala perto de um ponto de encontro do grupo extremista. Ahmed havia sido enganado para plantar uma bomba.
Sua idade pouco importou para os torturadores. O abuso durou dois dias.
"Quando eles me eletrocutaram, gritava por socorro e chamava pela minha mãe", disse ele. "Mas ao fazer isso, (um dos torturadores) aumentava ainda mais a voltagem. 'Não fale da sua mãe aqui', ele me dizia".
"Eles fingiam ser religiosos, mas são infiéis. Eles fumavam. Fingiam estar seguindo as regras do islã, mas não estavam. Eles agridem e matam pessoas."

Da prisão, Ahmed foi condenado à morte. Mas seu carrasco teve pena dele e lhe permitiu escapar.
"É raro que eu consiga dormir", explicou ele. "Quando eu cheguei à Turquia, tinha pesadelos todo o tempo. Recebi tratamento psicológico. Toda vez que eu fechava os olhos, tinha pesadelos e ficava acordado a noite inteira."

A reportagem da BBC encontrou-se com o homem que filmou a agressão contra Ahmed. Ele foi expulso do "EI" e diz estar arrependido do que fez.
O vídeo foi gravado para servir de propaganda para o grupo, contou ele.
Não se sabe o destino dos dois outros homens que aparecem no vídeo sendo torturados ao mesmo tempo que Ahmed.
"Me arrependo a todo o momento", diz o homem. "Quando me juntei ao 'EI', não estava muito convencido, mas tive de fazê-lo. Embora não tenha sido extremamente agressivo com as pessoas, espero que elas possam me perdoar algum dia".

Recrutamento
Dentro do autoproclamado califado, o "EI" proibiu a educação secular e criou escolas de preparação militar nas quais crianças são treinadas para a guerra.
Um vídeo de propaganda do grupo extremista mostra crianças, algumas delas pré-adolescentes, pegando em armas e aprendendo a atirar.

Nas imagens, elas aparecem em decapitações e também participando de assassinatos em larga escala.
Khaled (nome fictício) tem 17 anos, mas há dois lutava e matava em nome do braço da al-Qaeda na Síria, a Frente al-Nusra.
Posteriormente, decidiu se juntar ao "EI". Khaled diz que participar do confronto era um rito de passagem para se tornar um homem de verdade.

O jovem afirma que as crianças eram o principal alvo do grupo.
"Combatentes adultos do 'Estado Islâmico' eram uma minoria. Minha 'classe' estava repleta de meninos de 15 e 16 anos", disse ele. "Havia até combatentes mais novos, entre 13 e 14 anos. Estes estavam mais ansiosos para lutar em nome da jihad".

Khaled reage quando os jovens combatentes são classificados como "crianças".
"Que Deus te perdoe, não são crianças", disse ele à reportagem da BBC. "Os que carregam um rifle, sete cartuchos e seis granadas são homens. Eles são homens muçulmanos. Há uma diferença entre ser do sexo masculino e ser um homem. Muitas pessoas são apenas do sexo masculino e não são homens. Os que pegam em armas e lutam supostamente em nome de Deus e pela honra das mulheres muçulmanas são homens."





Fonte: BBC

segunda-feira, 1 de junho de 2015

J.Havilla - Um homem que deixou de ser exemplo!



Como as coisas mudam! Há quase três anos, em 2012 o G1 classificou J .Hawilla como um exemplo a ser seguido pelos jovens empreendedores.

Vejam a reportagem publicada no G1 na íntegra em 2012:

"Ambição, competência e sorte. Essa combinação é a dica do jornalista e empresário J. Hawilla para alcançar o sucesso na carreira. Ele participou de um bate-papo com novos empreendedores e estudantes em São José do Rio Preto (SP). O encontro foi promovido pela Associação Comercial e Industrial na noite desta sexta-feira (11).

Mais de 500 pessoas se inscreveram em busca de respostas para uma pergunta em comum: como se tornar um profissional de sucesso? O estudante de jornalismo Igor Tiago Calian não perdeu a oportunidade. “Ele é um ícone, não só do jornalismo, mas também do empreendedorismo. Para nós (estudantes), é fundamental comparecer ao talk show e absorver o que ele tem para dizer”, conta Calian.

J. Hawilla é rio-pretense e referência em marketing esportivo. O empresário e jornalista também preside a rede de emissoras TV Tem, afiliadas Rede Globo e a rede de jornais Bom Dia e Diário de São Paulo. Além disso, atua na área de shows e de produções em vídeo.

Num bate papo descontraído, J. Hawilla contou como começou a trajetória no esporte. “O futuro do esporte era, e é até hoje, na televisão. Como ainda hoje, o esporte que não está na televisão aberta não está no mundo. Hoje só se consagra e se torna alguma coisa importante se estiver na televisão aberta”, disse."


Sem comentários!




Fonte: DCM