domingo, 5 de julho de 2015

A Idade das Trevas!




Você provavelmente estudou sobre a Idade Média, ou como ela também é conhecida: Idade das Trevas. Talvez na época você fosse uma criança, ou adolescente, e a professora não queria te chocar - ou desconhecia o assunto profundamente -, então provavelmente deixou de fora a parte mais pesada da coisa, que incluía torturas maníacas como nunca se viu, e que só devem encontrar paralelo nos delírios de Stalin, Pol Pot, ou dos carcereiros de Abu Ghraib.

Apesar de haver exceções, em sua maior parte o período foi exatamente isso: Trevas. Muitos historiadores colocam a culpa nas invasões bárbaras, e em como esses povos eram primitivos, mas o fato é que grande parte do atraso se deve aos sucessores do todo-poderoso Império Romano: a Igreja Católica. É só ver o rumo que tomou a Filosofia, as Artes e a Ciência para ver que estava tudo nas mãos da Igreja. Um caso clássico é o de Galileu Galilei, que teve de voltar atrás nas suas descobertas sobre a questão da translação da Terra, porque suas teorias iam de encontro ao pensamento (errôneo) imposto pela Igreja.

Também existiu o que ficou conhecido como Index Librorum Prohibitorum, que era uma lista de livros proibidos pela Igreja na época, administrada pelo Santo Ofício (que parece menos inócuo chamado por seu nome mais conhecido: Inquisição), que não por coincidência foi criado na mesma época que o protestantismo começou a assombrar a supremacia dos Católicos, por volta do século XVI. Para você ter uma idéia do atraso da Igreja, ela só foi abolir oficialmente o Index - que incluía em suas proibições, gente como os escritores Voltaire, Alexandre Dumas e Jean-Paul Sartre, e os cientistas Galileu Copérnico, Descartes e Pascal - no ano de 1966.

Mas essa escuridão cultural e conservadora foi uma das facetas mais amenas da Igreja Católica na Idade Média. Os piores momentos foram reservados aos distintos senhores responsáveis pelo Tribunal de Santo Ofício! Inicialmente, de acordo com relatos históricos medievais, a Inquisição foi criada para combater o sincretismo religioso, em 1184, que unia a fé católica a cultos pagãos e realizavam adivinhações utilizando coisas como plantas.



Mas as atribuições da Inquisição foram se tornando cada vez maiores. Além de iniciar uma campanha - é necessário que se entenda que mesmo tendo uma organização unificada, com um representante perante o Papa, os Tribunais eram mais ou menos independentes, assim como os Poderes Judiciários de hoje, sendo instalados onde tinham focos de heresias e outros pecados - contra o sincretismo, a Inquisição ficou a cargo de julgar crimes/pecados como heresias, adultérios, feitiçaria (esse levou muita gente pra fogueira), além de colocar a culpa nessa gente de toda a sorte de desgraça que ocorria no local em que estava instalado o Tribunal.

Logicamente, com tamanho poder, os Tribunais impunham punições políticas e econômicas, de forma a aumentar a expansão da Igreja na época. Dessa forma, as penas mais leves, geralmente vistas como alívio, era o confisco de bens, além de flagelos públicos, e desfiles com roupas de hereges. Com a vasta quantidade de penas aplicada, não é difícil entender porque a Igreja foi relativamente a instituição mais rica da história. Com ela, enriqueciam os reis que a apoiavam, como era o caso dos espanhóis.



E os relatos dizem que os Inquisidores eram eficientes. O mais famoso deles, o espanhol Tomás de Torquemada, foi o responsável por diversas campanhas contra judeus e muçulmanos na Espanha. E para chegarem a esse nível de eficiência, os inquisidores - a exemplo dos homens responsáveis peloGulag - eram criativos. Necessitavam espalhar o terror para que todos tivessem medo deles, e para isso abusavam de instrumentos sem precedentes na história humana, com o intuito de causar dor extrema, sem, contudo, matar o herege, dando tempo pra ele confessar seus pecados (ou dizer onde escondeu a herança dos avós dele)!






Fonte: Adir Tavares/GGN




sábado, 4 de julho de 2015

Quer viver mais? Coma mais legumes e peixes!





Um estudo, publicado na revista “Circulation”, revela que os idosos que consomem uma maior quantidade de peixes e legumes vivem cerca de 15 anos mais do que aqueles que comem poucas quantidades destes alimentos.

A pesquisa, realizada na Suécia, mostrou que os idosos com níveis mais altos de gorduras poli-insaturadas, provenientes de peixes e legumes, no sangue, eram significativamente menos propensos a morrer de doença cardíaca ou qualquer outra causa do que aqueles com níveis mais baixos. “O estudo apoia as atuais orientações alimentares que aconselham a ingestão de peixes e óleos vegetais para manter uma dieta saudável para o coração”, explicou Ulf Riserus, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade de Uppsala, na Suécia.

As orientações alimentares atuais recomendam que a ingestão de gorduras corresponda a, no máximo, 20% a 35% das calorias diária de uma pessoa. Sendo que a maior parte destas deve vir de gorduras boas, como as poli-insaturadas e monoinsaturadas, que promovem níveis saudáveis de colesterol. Estas gorduras são encontradas principalmente em peixes como salmão, truta e arenque, e em abacate, azeitonas, nozes e nos óleos de soja, milho, cártamo, azeitona e girassol.

No estudo, os pesquisadores testaram diferentes níveis, de vários tipos de gorduras em 2 193 mulheres e 2 039 homens. Em seguida, acompanharam os participantes durante 14 anos. Neste período, 265 homens e 191 mulheres morreram e outros 294 homens e 190 mulheres sofreram de problemas cardiovasculares, como um ataque cardíaco.

Os resultados dos exames de sangue dos participantes mostraram que maiores níveis de dois ácidos graxos encontrados nos peixes – EPA e DHA, tipos de omega 3 – foram associados com uma redução de 20% no risco de morte. Já maiores níveis de ácido linoleico, encontrado nos óleos vegetais, estava ligado a uma redução de 27% no risco de morte nos homens, mas não nas mulheres.







Fonte: Saúde & Bem estar



Viajar no Tempo - É possível?



Quando se fala em viagens no tempo muitos pensam logo no DeLorean prateado, o carro que serviu como máquina do tempo na série de filmes "De Volta para o Futuro". Ou até mesmo na Tardis, a nave espacial - que também é uma máquina do tempo - usada pelo personagem Dr. Who, da série britânica de mesmo nome, para viajar no tempo e espaço.

Mas a questão mais comum é se estes feitos da ficção poderiam ser repetir na vida real, se é mesmo possível viajar no tempo.

A possibilidade das viagens no tempo está sendo investigada por pesquisadores na Universidade de Birmingham, na Grã-Bretanha. Esta equipe faz parte de um projeto maior, um programa de pesquisa sobre a natureza do tempo que envolve universidades na Austrália, Estados Unidos, Alemanha, Holanda e Turquia.

Até o momento, o que se pode afirmar é decepcionante: a equipe da Universidade de Birmingham não está construindo uma máquina do tempo em segredo.

Mas eles estão analisando algumas grandes ideias, levantando questões não apenas sobre física, mas também sobre filosofia e a natureza da realidade.

Nikk Effingham, chefe do departamento de filosofia em Birmingham, está liderando o projeto com Alastair Wilson, especialista, entre outras coisas, em filosofia da física.

E, de acordo com Effingham, a possibilidade de viagens no tempo é "infinitesimal", mas não é impossível.

'Paradoxo do avô'
Até algumas ideias que parecem incompreensíveis têm aplicações diretas. O objetivo é compreender mais sobre um sentido do tempo e sequenciamento, uma grande questão que também pode ser ligada às doenças degenerativas humanas.

O projeto de Birmingham também vai tratar de alguns argumentos clássicos contra as viagens no tempo, como o "paradoxo do avô". Segundo este paradoxo, se alguém pudesse voltar no tempo, esta pessoa poderia matar os próprios avós e, com isso, tornar impossível o nascimento do viajante no tempo.

E, se o viajante no tempo nunca nasceu, ele nunca poderia voltar. Com isso, a viagem no tempo se transforma em uma impossibilidade.

No entanto, filósofos têm um outro argumento segundo o qual, para evitar este processo de acabar com a possibilidade da própria existência, qualquer viajante no tempo seria sempre impedido de matar os avós: a arma iria emperrar ou então eles acertariam a pessoa errada.

Isto aconteceria para que a linha do tempo não fosse interrompida.

Outra teoria é que mudanças feitas por uma viajante no tempo poderiam criar uma cadeia de eventos em outro universo paralelo, ao invés de alterar o mundo original de onde o viajante saiu.

Isto está relacionado à teoria dos "muitos mundos" que sugere que nós ocupamos apenas uma versão da realidade e que um número infinito de outras possibilidades estão ocorrendo em universos paralelos.

O viajante no tempo pode fazer mudanças que vão desencadear novas sequências de eventos nestes mundos diferentes, sem interromper a linha do tempo original.

Física fundamental
Para Alastair Wilson, que participa do estudo na Universidade de Birmingham, a análise da viagem no tempo é uma forma de analisar questões sobre física fundamental.

Isto significa que a pesquisa é uma forma de pensar sobre o tempo não como uma maneira de medir as horas e dias, mas como uma dimensão mais parecida com o espaço.

Wilson afirma que, se uma pessoa pudesse viajar dentro destes conceito de tempo, ela entraria em uma espécie de portal, loops temporais, onde uma pessoa pode ir e então voltar ao mesmo lugar - algo descrito pela física como "curvas temporais fechadas" (CTC, na sigla em inglês para "closed timelike curve").

Mas, quando questionado se isto algum dia poderia acontecer, o pesquisador prefere ser mais realista.

"Nossa física mais avançada no momento deixa em aberto. Se acontecesse, poderia ser em alguma região exótica do universo, (...) algum lugar perto de um buraco negro com altas concentrações de energia. Não é (preciso) inventar uma máquina do tempo, (mas sim) descobrir um lugar", afirmou.

Bradford Skow, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) afirma que, "mesmo se a viagem no tempo seja coerente com as leis da física", ainda não significa que pessoas vão entrar em máquinas do tempo.

Skow publicou recentemente um livro a respeito dos conceitos de tempo, Objective Becoming, que rejeita a ideia de que o tempo "passa" ou que esteja, de alguma forma, em movimento. Ele afirma que momentos ou experiências do passado são tão reais como as do presente, mas são inacessíveis em qualquer outra parte do tempo.

Tempo e experiência humana
A fascinação com o tempo também reflete como ele é intrínseco à experiência humana e de todas as criaturas vivas.

O tempo está entrelaçado com os ritmos naturais do dia e noite, nascimento e morte, o batimento do coração e até às menores unidades da natureza e à origem do universo.

"Nossos melhores relógios usam a vibração de um átomo para medir o tempo, átomos que estão vibrando desde que foram criados há milhões de anos", disse Wilson.

Mas há outro argumento contra a ideia de que a viagem no tempo possa se tornar possível em um futuro distante, quando a tecnologia progredir.

Se isto acontecer realmente no futuro, como ainda não encontramos os humanos do futuro, que voltaram para nos visitar aqui no passado?

Mesmo que a perspectiva de trombar com um viajante no tempo seja remota, Wilson afirma que estas viagens intelectuais rumo ao desconhecido têm valor.

"As pessoas se dividem entre aquelas que perguntam: 'existe uma possibilidade prática de acontecer durante a minha vida?' e quando você responde 'não', elas não se interessam mais."

"E também há muitas pessoas que estão interessadas nestas questões (...) pois elas levam a algumas questões fundamentais sobre a humanidade", disse.








Fonte: Sean Coughlan/BBC




terça-feira, 30 de junho de 2015

Agrotóxicos - Venenos que nos matam aos poucos!



Você come mais de 5 kg de agrotóxico todos os anos. E isso mata: são 157 mortes por ano, no Brasil. Entenda por que nossa comida tem tanto veneno

Um terço dos alimentos consumidos no Brasil está contaminado por agrotóxicos: lentamente você está sendo envenenado. Quer uma prova disso? Entre 2002 e 2012 a quantidade de agrotóxicos entregue a você, consumidor final, mais que dobrou. É isso que aponta a 6ª edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável Brasil (IDS), do IBGE.

 E se você ainda não estiver satisfeito, tem também o fato de que, dos 50 tipos de agrotóxicos mais utilizados no Brasil, 22 são proibidos na Europa. Veneno é veneno, em qualquer lugar do mundo - menos no Brasil, pelo jeito.

Isso acontece principalmente porque, por aqui, o controle de agrotóxicos é um pouco diferente de outros lugares do mundo. Quando um produto é aprovados pelos órgãos reguladores, como a ANVISA, ele recebe um tipo de "validação eterna". Isso significa que, se não existir nenhuma queixa, ele fica lá, para sempre validado, numa boa.

 Mas, quando um novo estudo aponta um problema que o tal agrotóxico pode trazer para a saúde ou para o meio ambiente, existe uma pressão para que esses mesmos órgãos entrem em ação para uma nova análise. Até aí tudo bem. Mas, como você já deve imaginar, isso não acontece do dia para a noite.



 Essa reavaliação pode durar anos e anos. E quando é apontado que sim, o produto é realmente perigoso e deve ser retirado do mercado, os produtores e as empresas de insumos agrícolas ainda podem entrar com um recurso, que leva mais um tempão. Só para ter uma ideia, o DDT, amplamente utilizado para combater insetos, foi banido na maioria dos países na década de 70, já que comprovadamente aumenta a incidência de câncer, principalmente o de mama. Aqui no Brasil, a retirada completa do produto do mercado durou 24 anos, só acontecendo efetivamente em 2009.

E se, por um grande acaso, as empresas não conseguirem ganhar o recurso, jogam a cartada final: "Elas dizem que vão levar um prejuízo grande, porque já possuem um enorme estoque do agrotóxicos. Então, do período em que foi decidido que o insumo deveria ser retirado do mercado até a sua retirada efetiva, vai mais um bom tempo", diz Fernando Carneiro, coordenador do Grupo Temático Saúde e Ambiente da Abrasco. Mais tempo em que você continua sendo contaminado por algo que já é comprovadamente prejudicial.


No Brasil o esquema é esse. Mas, em alguns países da Europa e América do Norte, por exemplo, agrotóxico nenhum tem essa validação eterna. De tempos em tempos, eles têm que passar por uma revalidação, independentemente de outro fator externo. Mesmo se estiver tudo ok, o insumo vai ter que ser testado de novo. Daí, caso alguma coisa diferente seja detectada, o produto é retirado do mercado com mais ugência do que aqui.

Só essa diferença já é um incentivo e tanto para o Brasil ser o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Se até aqui você já está de queixo caído, acredite: tem mais. Eles são isentos de impostos na maioria dos estados do país. Isso mesmo, nenhum imposto.

 Nem federal nem estadual. Um litro de glifosato, usado tanto por pessoas em casa quanto em grandes plantações, custa em média R$ 11. Lá nos Estados Unidos, por exemplo, o mesmo produto com a mesma quantidade sai por R$ 85.



 Fernando afirma que a legislação que regula o assunto no Brasil sofre uma regressão em aspectos ambientais e de saúde. "Hoje, existe uma proposta para retirar o papel de órgãos como a ANVISA e IBAMA da regulamentação dos agrotóxicos. A bancada ruralista no Congresso Nacional quer dividir essa responsabilidade com várias outras instituições e pessoas." Assim, será mais fácil colocar a questão também nas mãos de quem trabalha a favor do mercado de agrotóxicos. Consequentemente, todos os produtos que estarão sendo avaliados e reavaliados passarão pelos testes mais facilmente.

Pensando por essa perspectiva, vai ser difícil banir muita coisa por aqui. Imagine então o produto que corresponde a quase 50% do mercado de agrotóxicos no país, o glifosato. Ele já foi proibido em alguns países, como a Holanda, o Sri Lanka e a Colômbia. Agora, está passando por um longo processo de reavaliação na maioria dos lugares do mundo (inclusive por aqui). Um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde), publicado ainda neste ano, comprovou que o herbicida, comercializado com o nome Roundup, possui agentes cancerígenos responsáveis pela formação de um tipo específico de tumor linfático.

Depois de tudo isso, ainda fica a pergunta: existe alternativa para os agrotóxicos? Sim, e ela já está sendo amplamente utilizada em países europeus. A radicalização da agricultura orgânica, por exemplo, nos pouparia de muitos problemas futuros. A rotação de culturas e o controle biológico das pragas (uso de um organismo não prejudicial à lavoura para atacar um que prejudica) são maneiras de evitar os agrotóxicos.

 "As empresas já possuem a tecnologia e a informação capazes de realizar isso", crava Fernando Carneiro, que também é diretor da unidade Ceará da Fundação Oswaldo Cruz. Elas só não possuem interesse em usá-las amplamente porque a indústria dos insumos agrícolas é muito rentável. Um agricultor ecológico não recebe incentivos de nenhum lugar no Brasil: nem a iniciativa estatal, nem a privada estão dispostas a financiá-lo. É necessário um pensamento estratégico, capaz de transformar a agricultura do veneno em agricultura limpa. Enquanto isso não acontece, vamos continuar sendo envenenados.



Vilões à espreita

Acefato
O dito-cujo já foi banido da Europa mas, por aqui, é o principal inseticida usado nas plantações, pulverizado nos brócolis que vão direto para a sua mesa. Em 2013, a Anvisa oficializou algumas restrições, como o uso de embalagens hidrossolúveis para vender os produtos em que o agrotóxico tenha sido usado - tudo para evitar que os agricultores tenham contato com ele. Ainda assim, o que se defende é que o produto não tenha apenas sua utilização restrita, mas banimento total. As suspeitas sobre o acefato incluem desde o aumento do risco de desenvolver um câncer até impactos na fertilidade. Perigo, hein?

  Paraquat
Mais um que merece atenção e que tem sido usado em larga escala em terras brasileiras. Esse produto já foi banido nos Estados Unidos e na Europa, tamanha sua toxicidade. Ainda assim, é usado como herbicida, para acabar com as ervas daninhas em plantações como a de soja. Ele está na lista da Anvisa para reavaliação, já que seu potencial para ser tóxico ao ser humano é grande.

Lactofen
Sua proibição no Velho Continente não foi suficiente para dar o sinal vermelho também por aqui. Ele é jogado nas plantações, como a de soja, cultura que domina parte generosa do solo brasileiro, como forma de exterminar as ervas daninhas. De brinde, o lactofen aumentaria o risco de desenvolver tumores.







POR Ana Luísa Fernandes, Priscila Bellini/Superinteressante



domingo, 28 de junho de 2015

Desempregado? Veja setores que mais empregam!





A desaceleração da economia acabou com a bonança do mercado de trabalho brasileiro - mas o que isso quer dizer, na prática, para quem está desempregado ou quer mudar de emprego? Onde procurar e o que esperar do mercado em um cenário de crise?

Segundo a Pesquisa Mensal do Emprego (PME) do IBGE, no mês passado, o índice de desemprego nos sete principais centros metropolitanos brasileiros ficou em 6,7%, contra 6,4% de abril e 4,9% do mesmo mês do ano passado. Trata-se do maior patamar para o mês dos últimos cinco anos.

O rendimento médio real do trabalhador também caiu. Ficou em R$ 2.117,10 em maio. Em abril era de R$ 2.158,74 e no mesmo período do ano passado, de R$ 2.229,28.

Nos últimos anos, se tornaram relativamente comuns nos grandes centros urbanos brasileiros casos de profissionais que pulavam de um emprego a outro, atraídos por salários mais altos e melhores condições de trabalho.

Do outro lado do balcão, os empresários reclamavam da alta "rotatividade" dos trabalhadores e ofereciam benefícios para reter funcionários.

Agora que a crise chegou ao mercado de trabalho, mais brasileiros estão perdendo seus empregos e a competição pelos postos disponíveis está cada vez mais acirrada. As oportunidades também demoram mais para aparecer, como relatam consultorias de Recursos Humanos ouvidas pela BBC Brasil.

"É ilustrativo dessa deterioração do mercado o fato de que, pela PME, o único setor que teve um crescimento significativo do emprego e do salário nos últimos meses seja o de serviços domésticos", nota Raone Costa, economista da Catho-Fipe que está desenvolvendo um estudo para mapear a abertura de vagas na economia.

"Isso mostra que, sem alternativas, muitas pessoas estão voltando a trabalhar como empregadas domésticos, apesar de essa ser uma ocupação de baixa remuneração e especialização."
A rápida desaceleração do mercado, porém, não quer dizer que as boas oportunidades desapareceram por completo. "Alguns setores estão mais resilientes, gerando emprego, ainda que em um ritmo mais lento", diz Costa.

Para consultores, está mais difícil conseguir um novo emprego com um salário maior
"O contexto econômico está mais desafiador - ou seja, está mais difícil para todo mundo. Mas embora as oportunidades estejam menos numerosas, elas continuam a existir", diz Almstrom.

"Até porque, além dos setores que estão relativamente bem, também temos as substituições nas empresas que estão se reestruturando. Há uma procura por profissionais mais ecléticos e flexíveis, aqueles que conseguem sair-se bem em um contexto de crise."

"É algo natural em momentos de baixo dinamismo econômico: se há muita gente chorando vai ter alguém vendendo lenço", resume Henrique Bessa, diretor da consultoria Michael Page.

Tanto Almstrom, quanto Bessa relatam que, no geral, as empresas estão oferecendo salários mais baixos do que há alguns meses.
"As companhias estão repensando seus padrões salariais e estão muito mais cautelosas em assumir compromissos que representem gastos fixos", diz a consultora da ManpowerGroup.

Ambos recomendam que, antes de sair em busca de um novo trabalho, o profissional tente identificar o que exatamente está motivando o seu desejo de mudança.

"Você pode querer mudar porque quer trabalhar mais perto de casa, deseja atuar em outro segmento ou não aguenta mais seu chefe. Mas se a motivação for a remuneração, precisa estar ciente de que hoje está mais difícil uma mudança com ganhos salariais significativos", diz Almstrom.

"Para evitar armadilhas, o trabalhador também precisa considerar os riscos de trocar de empresa, deve se informar bem sobre as perspectivas do setor em que vai atuar. Se a nova companhia passar por dificuldades, por exemplo, um cenário possível é que ele seja cortado antes mesmo de conseguir provar sua eficiência", completa Bessa.

No que diz respeito as diferenças setoriais, há certo consenso de que enquanto as empresas da área de petróleo e gás, construção civil, montadoras e a indústria de transformação têm sofrido um "impacto brutal" com a desaceleração, no setor de serviços há um pouco mais de resiliência.

Bessa diz que também pode haver oportunidades em setores exportadores ou aqueles que, por questões estruturais, têm boas perspectivas de crescimento no longo prazo.
Seria esse o caso da área de Saúde, por exemplo, uma vez que o envelhecimento da população tende a aumentar a demanda por esses serviços. "Também as áreas de educação e tecnologia têm boas perspectivas", diz ele.

Abaixo confira uma lista de alguns setores e áreas de atuação que, apesar de não estarem imunes à crise econômica, segundo os consultores, ainda têm mostrado alguma resiliência na geração de empregos e oferecem oportunidades para bons profissionais.

1. Tecnologia
A Catho, site de empregos líder no Brasil, diz que só no mês passado foram anunciadas mais de 10 mil postos de trabalho nessa área.
Entre os cargos com mais vagas abertas estariam Analista/Técnico de Suporte, Desenvolvedor e Programador.
Para o cargo de diretor de TI, a Catho diz que o salário médio seria de mais de R$ 17 mil, e para o de gerente de TI, de mais de R$ 7 mil.
"Os sites de internet, empresas de tecnologia e startups têm conseguido seguir na contramão (do aumento do desemprego) e se manter em crescimento. E o que é melhor: com salários atraentes", diz uma nota da empresa.
Patel, da Hays, confirma que a área ainda está mostrando algum dinamismo no que diz respeito a contratações. "Empresas de todos os setores estão tendo de investir nessa área. E, em especial, vemos uma grande demanda por desenvolvedores", diz ela.

2. Saúde
Henrique Bessa, da Michael Page, diz que as boas perspectivas de longo prazo fazem com que os serviços da área de saúde mantenham as contratações mesmo em meio a crise.
Essa é uma das áreas em que muitas famílias resistem em fazer cortes quando são obrigadas a enxugar o orçamento. E fenômenos como o envelhecimento da população e maior acesso a planos de saúde privado também contribuem para criar boas perspectivas para o setor.
Hoje, o segmento já representa 10% do PIB e deve continuar a atrair muitos investimentos - inclusive de fora do Brasil, uma vez que desde o início do ano está permitida a entrada de estrangeiros nessa área.
"Independentemente dos ciclos econômicos, esse é um setor que deve continuar crescendo e atraindo investidores que 'pensam o Brasil' no médio e longo prazo", diz Bessa.

3. Educação
Os cortes e incertezas ligados a programas governamentais da área de Educação, como o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) e o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil ) tiveram algum impacto negativo sobre a rede privada de ensino superior.
Mas o mercado de trabalho do setor de Educação como um todo tem mostrado grande resiliência em meio à desaceleração, segundo Bessa e Natasha Patel, diretora da consultoria Hays.
"Trata-se de um segmento que atrai muitos investimentos porque exige um aporte inicial relativamente baixo se comparado, por exemplo, a exploração de petróleo ou a construção civil e, no longo prazo as perspectivas são de crescimento", diz Bessa.
"Por isso, não me surpreende que haja uma resiliência na geração de vagas tanto nas funções acadêmicas quanto nas administrativas."

4. Seguros e setor financeiro
"Os profissionais da área financeira ainda são relativamente demandados, mas os que podem se mover com mais facilidade são aqueles que têm um entendimento mais amplo dos negócios – ou seja, que sabem não só o que é preciso para enxugar os custos, mas também como ampliar as vendas", opina Almstrom.
O setor de seguros e os bancos, em particular, estão resistindo bem à desaceleração da economia, apesar de analistas manifestarem alguma preocupação com um aumento dos índices de inadimplência e com a exposição de alguns grupos a empresas que podem passar por dificuldades em função das repercussões da Operação Lava Jato.
"Dentro desse setor, há uma demanda crescente por alguns profissionais específicos, como os da área de compliance (que cuida dos controles e regras de transparência), em função dos escândalos internacionais recentes", diz Bessa.
"Para quem busca uma oportunidade em banco, porém, também é preciso ter em conta que a saída do HSBC do Brasil deve ter um efeito no aumento dos candidatos no mercado. De fato, já estamos recebendo um número maior de currículos de profissionais desse banco."

5. Vendas
"O profissional de vendas é quem pode virar o jogo no momento de escassez. Por isso, há uma grande procura por aqueles que de fato conseguem trazer resultado nessa área em empresas de todos os segmentos", diz Almstrom.
"É claro que muitas redes estão enxugando seu quadro de pessoal. Mas, no geral, as empresas têm um limite para cortar pessoal de vendas ou reduzir contratações, já que isso pode afetar muito seus resultados."
Natasha Patel, da Hays, diz que no varejo, em particular, um dos efeitos da desaceleração parece ter sido tornar o consumidor mais sensível a preço. "Mas isso também representa uma oportunidade para alguns segmentos específicos", diz.
"Na área de supermercados, por exemplo, um destaque são os estabelecimentos que fazem vendas no atacado. E se a construção civil está desacelerando as contratações, vemos uma maior resiliência das redes que vendem produtos para a casa. Ou seja, as pessoas podem estar desistindo de comprar um novo imóvel, mas em vez disso, muitas estão reformando o antigo."

6. Agronegócios
A Confederação Nacional da Agricultura reclama que a inflação elevada, a retração no PIB e as taxas de juros crescentes estariam inibindo as atividades da agropecuária brasileira.
Mas o agronegócio ainda deve ter um desempenho melhor que o resto da economia.
Entre os setores que estão crescendo estão a produção de carnes e os produtos florestais.
"Eles estão se beneficiando bastante do aumento das exportações, agora que o real está mais desvalorizado", diz Bessa. "Por isso, também vale a pena olhar para esses setores."






Ruth Costas/bbc



sábado, 27 de junho de 2015

Em que idade estamos no auge da vida?



Dizem que a vida começa aos 40. E que os 60 são os novos 50.
Mas qual é a verdade? Qual é a melhor idade para se ter?

Na tentativa de descobrir as resposta, a BBC Future vasculhou a literatura médica para analisar a fundo como vários aspectos do nosso corpo se modificam ao longo da vida – da memória à sexualidade.
E ficamos positivamente surpresos com o que desvendamos.

Forma física
Para atividades que exigem explosões de energia rápidas e repentinas – como correr os 100m rasos ou praticar arremesso de peso –, o melhor é estar na casa dos 20 anos, já que o declínio dessa capacidade vem logo depois disso. Jogadores de futebol podem chegar a esse ponto até antes.
Já atletas mais velhos têm um desempenho melhor em modalidades de “ultra-resistência”, como corridas muito longas. Mesmo depois dos 30 ou 40 anos, a queda é suave e gradual.

Sunny McKee, por exemplo, comemorou seu 61º aniversário competindo em seu primeiro Ironman, famosa prova de triatlo que combina uma maratona tradicional (42 km) com 4 quilômetros de natação e 180 quilômetros de ciclismo.

A realidade mostra que muitos praticantes desse tipo de esporte se tornam tão “viciados” que permanecem ativos até seus 70 e tantos anos.

Após os 20 anos, nossa capacidade de incluir novas informações na memória entra em decadência. Aliás, é possível que a memória tenha começado a perder seu brilho até mesmo antes de terminarmos o ensino médio.

Já nossa memória de trabalho (ou memória de curto prazo) – como, por exemplo, se lembrar de instruções para chegar a algum lugar – se mantém estável por mais tempo, mas cai gradualmente depois dos 40.

Outra má notícia: é nessa idade também que deixamos para trás o auge da nossa criatividade. Prova disso é que a maioria dos ganhadores do prêmio Nobel fizeram suas descobertas por volta dos 40 anos.
Além disso, a substância branca do cérebro, responsável pelas conexões de longa distância que formam as “supervias expressas” de informação, tende a começar a diminuir com a idade. Isso poderia fazer o cérebro funcionar mais lentamente, de maneira geral.

Conhecimentos
Apesar da perda de memória, aprendizado e raciocínio social melhoram com o tempo
Mas há um lado positivo. Apesar de os fatos demorarem um pouco mais para serem assimilados, outras habilidades continuam se desenvolvendo – a compreensão escrita e a aritmética, por exemplo, melhoram até a chamada meia-idade.

O raciocínio social – a capacidade de navegarmos através das complexidades de nossas amizades – atinge seu apogeu ainda mais tarde.
Isso quer dizer que nossas habilidades mentais melhoram e decaem em ondas – uma passa, mas outra vem logo em seguida. “Não existe nenhuma idade em que estejamos no auge de tudo – nem na maior parte das coisas”, afirma Josh Harshorne, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, que conduziu boa parte da pesquisa.

Estudo mostra que 30% das pessoas saudáveis de 65 a 74 anos fazem sexo semanalmente
Se filmes e novelas servissem de parâmetro da realidade, pessoas de 20 a 30 e poucos anos viveriam uma orgia contínua. Mas a verdade é que nem o desejo sexual nem a atividade sexual despencam rapidamente até pelo menos os meados dos 50.

E até nessa idade, o declínio está longe de ser vertiginoso. Segundo um estudo que examinou “a expectativa da vida sexual ativa”, homens com 55 anos hoje podem esperar 15 ou mais anos de sexo relativamente frequente, enquanto as mulheres dessa idade ainda têm pouco mais de uma década de relações sexuais frequentes pela frente.

O ato sexual pode não ser vigoroso como já foi, mas de acordo com o estudo, 30% das pessoas saudáveis com idades entre 65 e 74 anos ainda fazem sexo pelo menos uma vez por semana.
Além disso, a queda no desejo sexual traz outras compensações. Quando a libido começa a cair, o prazer de viver aumenta. Isso pode ser um paradoxo, já que a saúde física gera tantas reclamações conforme envelhecemos.

Mas isso pode ser parcialmente explicado pelo fato de uma pessoa finalmente ter aprendido a equilibrar suas emoções após o tumulto das décadas anteriores.

Elixir da juventude?
Sendo assim, o que podemos aprender com esses dados? A grosso modo, que o pico sexual ocorre aos 20 e poucos, o auge da forma física aos 30 e poucos, a mente aos 40 e 50 e a felicidade aos 60. Mas isso são apenas médias, e cada pessoa tem uma trajetória diferente.
Por isso, o mais importante é reconhecer que a idade traz doses parecidas de altos e baixos. Ou seja, não existe um auge definitivo na vida.

A boa notícia, no entanto, é que alguns dos aspectos negativos do envelhecimento podem ser evitados ao máximo. O exercício, principalmente, não só melhora a forma física e afasta doenças como a diabete e o câncer, como também reforça a memória.

As pessoas saudáveis também costumam aproveitar até cinco anos a mais de atividade sexual na terceira idade do que quem sofre de alguma doença.
Psicólogos também estão percebendo que a atitude mental também tem um papel importante. Por isso vemos pessoas que dizem se sentirem mais jovens do que realmente são – e uma perspectiva juvenil as torna mais ativas e mais longevas.

Nada pode reverter o envelhecimento. Mas ao mapearmos o terreno e reconhecermos os altos e baixos da vida, podemos ao menos ter uma viagem mais prazerosa. É o mais perto que podemos chegar de um elixir da juventude.






David Robson/BBC


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Como dormir mais rápido!




Você está com um problema para resolver. E ele está, literalmente, tirando o seu sono. Mas isso é péssimo não apenas por causa das olheiras - a falta de sono afeta seu organismo e seu humor, podendo causar ainda mais problemas. E você não quer que sua vida vire uma bola de neve de coisas ruins, não é? Confira essas dicas que vão te ajudar a dormir mais rápido e melhor, mesmo que você esteja estressado.

1. Ajuste a temperatura

A ciência diz que seu corpo adormece mais rápido quando está mais frio - por isso é tão bom tirar cochilos no inverno. Invista em um ar condicionado ou ventilador se você mora em uma região mais quente. Também vale prestar atenção ao excesso de cobertores.

2. Dê adeus aos eletrônicos

Se é hora de dormir é hora de dormir. Nada de ficar com o tablet, smartphone ou TV ligados. Além de colocarem novas ideias na sua cabeça (que podem provocar insônia), a luz azul desses aparelhos interfere com a capacidade de adormecer - basicamente porque nosso organismo acha que é dia.

3. Travesseiros são aliados

Em vez de dormir com vários travesseiros debaixo da cabeça (e colaborar com a dor nas costas), espalhe-os! Vale 'abraçar' um travesseiro, colocar uma almofada entre os joelhos e até sobre a barriga - deixe o seu corpo mais confortável.

4. Faça exercícios durante o dia

Exercícios têm vários benefícios - dois deles são dormir mais rápido e por mais tempo! Mas a dica é fazê-los durante o dia e não em um horário próximo à hora da cama.

5. Ajuste a sua posição

O seu corpo reage diferente à posição na qual você vai dormir.





Fonte: Luciana Galastri/Galileu