domingo, 15 de novembro de 2015

O que funcionaria contra a barbárie do terrorismo?



A ideologia do Estado Islãmico é simples: extinguir todas as nações, transformando o planeta num império regido por leis tribais (travestidas como crença religiosa). Essa até era a ideia original do islamismo, no século 7. Não só do islamismo: essa também foi a bandeira que fundou o judaísmo – e mesmo a cristandade, que surgiu no século 1 como uma reação pacifista ao domínio romano na Palestina, serviu de justificativa para absurdos. Foi o "cristianismo" da Inquisição, das Cruzadas, das caças às bruxas.

Mas tudo isso foi virando passado com a consolidação dos Estados laicos, movimento no qual a própria França foi pioneira. Cada indivíduo passou a poder acreditar no que bem entendesse, contanto que a prática religiosa do sujeito não infringisse o bem comum. Bom, o que os extremistas fizeram em Paris obviamente infringe. Mas também temos os nossos extremistas religiosos, muitos deles no papel de legisladores.

 E o que eles têm fazem aqui também infringe o bem comum, porque criar leis contra mulheres e gays baseando-se em crendices, por exemplo, é, sim, uma forma de barbárie. Obrigar por lei uma mulher estuprada a ter o filho do estuprador só porque intérpretes do texto bíblico decidiram ditar quando a vida começa é barbárie.

  Tudo isso é usar religião para tirar direitos do próximo – coisa que vai contra os princípios básicos da própria religião usada como bandeira.

O problema, no fim, nem está nas religiões. Está nas justificativas torpes. O próprio Estado Islãmico só é muçulmano por uma questão geográfica. Se o movimento desses asnos tivesse nascido em Salt Lake City ou na Baixada Fluminense, eles usariam Cristo como justificativa.

 Se fosse na Escandinávia, que tem 80% de ateus, usariam Eisntein para justificar assassinatos. Essa afirmação não é tão absurda quanto parece: o próprio Hitler, que não tinha religião nenhuma, usou Darwin para validar seu genocídio, ainda que o nazismo ignorasse completamente qualquer ideia de princípio científico. No fundo, o nazismi era uma nova religião, criada com o propósito de defender um crime – o maior crime de todos os tempos.      

O erro, então, não está nas religiões, mas nas barbáries impetradas em nome delas. E, apesar de os acontecimentos de Paris serem exponencialmente mais trágicos que qualquer projeto de lei da nossa bancada evangélica, vale usar o momento para lembrar que, sim, aqui também existe extremismo, e para entrar de vez em guerra contra ele. Porque para combater a barbárie não existe diálogo.







Fonte: Superinteressante







sábado, 14 de novembro de 2015

Atentados em Paris - De quem é a culpa?


Tiroteio em Paris deixa ao menos 18 mortos

Diante de uma tragédia como a de ontem em Paris, duas atitudes se impõem.

A primeira é chorar cada morte. Na última contagem, 120 pessoas foram mortas pelos atos conjuntos de terrorismo, e dezenas estão feridas, muitas em estado crítico.

A palavra mais comum nos jornais franceses deste sábado é, previsivelmente, horreur, horror.

Derramadas todas as lágrimas, vem a segunda atitude. Tentar compreender como uma violência de tal magnitude pôde acontecer.

É um passo essencial para evitar que outros episódios dantescos como o desta sexta em Paris possam se repetir.

Mas há, aí, uma extraordinária dificuldade em sair de lugares comuns como a “violência radical” do islamismo e dos islâmicos.

Trechos do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, são citados em apoio dessa tese falaciosa e largamente utilizada.

A questão realmente vital é esta: o que leva ao extremismo tantos muçulmanos, sobretudo jovens? Por que eles abandonam vidas confortáveis em seus países de origem, abraçam o terror e morrem sem hesitar pela causa que julgam justa?

Os líderes ocidentais não fazem este exercício porque a resposta àquelas perguntas é brutalmente indigesta para eles.

O terror islâmico nasce do terror ocidental, numa palavra.

Há muitas décadas os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, promovem destruição em massa nos países islâmicos.

Querem garantir o petróleo, a que preço for, e fingem que estão naquela região com propósitos civilizatórios.

O último grande ato de predação foi a Guerra do Iraque. Sabe-se hoje que as razões alegadas pelos americanos e seus aliados britânicos para realizá-la foram mentirosas.

O Iraque de Saddam Hussein simplesmente não tinha as armas de destruição em massa que serviram de pretexto para a guerra.

Um levantamento reconhecidamente criterioso calcula em cerca de 120 000 as mortes de civis iraquianos. Outras fontes falam em meio milhão.

Quem paga por este crime de guerra chancelado por Bush nos EUA e Tony Blair na Grã Bretanha?

Ninguém.

Você pode imaginar o tipo de reação que ações como a Guerra do Iraque provocam entre os sobreviventes da violência ocidental.

Mais recentemente, os drones americanos – os aviões de guerra teleguiados – vem semeando mortes em quantidade pavorosa nos países árabes.

Apenas nos anos de Obama, calcula-se que 500 civis tenham sido mortos pelos drones, muitos deles crianças e mulheres.

No mesmo dia do drama parisiense, os americanos comemoraram a morte, por um drone, do terrorista do Estado Islâmico que se tornou conhecido como Jihadi John. Aparentemente JJ foi quem degolou várias pessoas em medonhas execuções filmadas e postadas na internet.

Brutalidade gera brutalidade.

Bin Laden foi o cérebro por trás de uma mudança radical nas retaliações islâmicas. Ele levou a guerra para dentro dos países ocidentais. O maior exemplo disso foram os atentados de 11 de Setembro.

O que a mídia ocidental quase não noticiou é que Bin Laden virou um ídolo entre os muçulmanos e como tal foi chorado ao ser executado pelos americanos.

Os atentados de Paris obedecem à mesma lógica: transportar os combates para a casa dos inimigos.

O que torna esta guerra ainda mais complicada para os ocidentais é que os soldados islâmicos não se importam de morrer pela causa. Alguns deles se explodiram ontem em Paris.

Sem refletir profundamente sobre as origens do terror islâmico é impossível que a situação mude.

Obama, quando anunciou a morte de Bin Laden, disse famosamente que o mundo ficara mais seguro.

Os episódios de ontem em Paris mostram quanto Obama se equivocou – lamentavelmente.








Fonte: Paulo Nogueira





sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Câncer proviniente de um verme mata um homem!


Em caso inédito, uma espécie de tênia espalhou células do próprio câncer pelo corpo de um homem, que morreu 72 horas depois do diagnóstico.

Um novo estudo explicou o caso que intrigou médicos do mundo todo. Um homem colombiano, de 41 anos, foi parar no hospital depois de muita tosse, febre e perda de peso. Ele era HIV positivo, o que deixava seu sistema imunológico mais debilitado. Ao realizar uma tomografia, o médico encontrou tumores no pulmão e linfonodos e exigiu a realização de uma biópsia nos tecidos pulmonares.

A equipe do hospital não estava preparada para o que veio a seguir: as células analisadas eram claramente cancerosas: se multiplicavam em alta velocidade, eram desordenadas, invasivas e todas iguais. Mas nem de longe pareciam células humanas. Confusos, cientistas realizaram diversos testes até descobrirem que as células tinham DNA do verme H. nana, uma espécie de tênia que afeta mais de 75 milhões de pessoas no mundo.

O H. nana é um verme que mede de 15 a 40 milímetros e fica no intestino humano. A hipótese mais provável é que, como o homem possuía o vírus do HIV, o verme conseguiu crescer cada vez mais, sem ser ameaçado pelo sistema imunológico. Quando alguma divisão celular deu errado, a tênia desenvolveu câncer e as células doentes foram depositadas pelo corpo do paciente, já debilitado. Um dos pesquisadores do caso, Atis Muehlenbachs, diz: "Ficamos impressionados quando descobrimos esse novo tipo de doença - vermes crescendo dentro de uma pessoa, contraindo um câncer que se espalha pelo corpo humano e criando tumores".

Por ser uma situação tão inesperada, os resultados do estudo da doença só foram publicados agora, apesar de o homem ter morrido em 2013. É provável que esse não seja um caso isolado, mas os outros ainda são desconhecidos. O tratamento para o problema ainda é uma incógnita: drogas que matam o verme provavelmente não liquidariam o câncer, mas um tratamento quimioterápico para humanos pode ser efetivo.






Fonte: Ana Luísa Fernandes/Super





quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Estudantes universitários racistas - Vergonha para o país!



Após dizer que não concordava com uma publicação discriminatória, estudante grávida de três meses é vítima de agressões racistas e machistas na comunidade “Graduação da Depressão”. A jovem de 21 anos viu sua vida pessoal ser invadida por desconhecidos que iniciaram uma perseguição virtual sob uma aparente calma de quem acredita na impunidade.


Uma mulher negra, grávida de três meses, foi vítima de ofensas racistas, machistas e gordofóbicas depois de entrar no grupo “Graduação da Depressão”, no Facebook, para interagir com outros universitários.

Carla Gomes, de 21 anos, de Porciúncula, no Norte do Rio, decidiu comentar em uma postagem que a indignou, com conteúdo discriminatório. Foi o pretexto para uma enxurrada de ofensas a ela, que, de uma hora para outra, viu sua vida pessoal ser invadida por desconhecidos que iniciaram uma perseguição virtual, xingando-a e expondo sua imagem pela rede.

O cardápio de preconceitos foi extenso: racismo, machismo e gordofobia apareceram nas mensagens. Sob uma aparente calma de quem acredita na impunidade, dezenas de jovens — todos membros do grupo — partiram para o ataque contra ela, que se manifestou para alertar que muitas das piadas compartilhadas naquela rede eram discriminatórias.

Um dos integrantes do grupo, que se diz estudante de Direito, chega a comentar que sabe que as ofensas na internet não resultam em nenhuma punição para os agressores. As informações são do jornal Extra.

“Eu curtia a página deles, mas não postavam nada demais. Vi que, naquelas sugestões do Facebook, tinha o grupo da mesma página. Como eu estou começando a estudar, pensei que seria legal estar lá, dividindo experiências com outros estudantes. Mas entrei no grupo e vi umas postagens racistas e comentei embaixo de uma delas que achava aquilo errado, que somos todos iguais.

 Foi então que começaram a me agredir e falar coisas horríveis para mim” conta Carla, que, assustada, desabafou em um vídeo em seu perfil no Facebook, publicação que também foi invadida pelos agressores.

O vídeo acabou sendo excluído pelo Facebook após uma série de denúncias, que partiram das mesmas pessoas que ofenderam a estudante.

No “Graduação da Depressão”, a maioria das ofensas era relacionada à cor e ao tipo físico de Carla. O desabafo da estudante viralizou pela internet, mobilizando pessoas que foram até a página defendê-la, mas também não escaparam das agressões. É comum encontrar na página postagens machistas.

Muitas meninas que comentavam em defesa de Carla recebiam em troca mensagens como “vai lavar uma louça” ou “feminista fedorenta”. No caso da estudante, o nível dos xingamentos foi ainda pior.
“Me falaram que preto de cabelo ruim não tinha vez naquele grupo, que preto sangue ruim não tinha o direito de estar ali, que eu não valia nada e era apenas uma gorda preta de cabelo duro que tinha que fazer um regime. Foram no meu perfil e fizeram montagem minha.

 Fizeram piadinha até com a minha gravidez. Me senti ofendida não só pelos ataques a mim, mas senti a dor de muita gente. Eles fazem isso com muita gente, são covardes. Já fui vítima de racismo muitas vezes, mas passaram dos limites. Eu digo que atrás do portão qualquer Chihuahua late. Na minha cara, ninguém fala isso”, desabafa a estudante.

Alguns dos responsáveis por controlar a comunidade usam perfis disfarçados. Depois do caso, o grupo “Graduação da Depressão” passou a ser secreto no Facebook. Só pessoas que já estão nele podem vê-lo ou convidar novos membros.

Um dos administradores do grupo se valeu mais uma vez de comentários preconceituosos para falar sobre a mudança: “A partir de agora, só os administradores postam até eu limpar essa corja de feminista imunda e esquerdista vitimista do cabelo ruim”.

Frustração
Decidida a lutar contra o racismo que a atingiu, Carla decidiu procurar a polícia para denunciar o grupo. Foi quando viveu outra frustração. A jovem conta que ao chegar à 139ª DP, em Porciúncula, foi aconselhada por um funcionário da delegacia a não registrar ocorrência.

“Fui à polícia, mas um cara lá de dentro, que eu não sei qual é o cargo, me aconselhou a não fazer queixa. Disse que não ia dar em nada, que eu era um grão de areia e fazendo isso ia correr riscos, que ia demorar muito. Ele falou um monte de coisa e eu não fiz o boletim de ocorrência. Ele me disse: ‘Ih, isso vai demorar muito, ainda mais você que tá grávida… Não pode passar por isso. Às vezes tem que achar IP do computador das pessoas, demora muito'”.

Resignada, Carla diz que deixou a unidade policial e registrou a denúncia no portal da Polícia Federal, que recebe ocorrências de crimes cibernéticos.

Denúncias
A Polícia Federal tem um canal online para receber denúncias de internautas para quatro tipos de crimes na rede: pornografia infantil, crimes de ódio e genocídio, tráfico de pessoas. Interessados em denunciar casos desse tipo devem entrar no site denuncia.pf.gov.br e preencher um pequeno formulário, com o link da página onde é cometido o crime e um comentário, explicando o caso.

Há dez anos, a organização civil sem fins lucrativos SaferNet Brasil também recebe denúncias de crimes cibernéticos e as encaminha para órgãos públicos competentes, como o Ministério Público Federal. As denúncias podem ser feitas no site new.safernet.org.br/denuncie, classificada pelos temas: pornografia infantil, racismo, apologia e incitação a crimes contra a vida, xenofobia, neo nazismo, maus tratos contra animais, intolerância religiosa, homofobia e tráfico de pessoas.






Fonte: Pragmatismo



Rede Globo e Wolkswagen - Apoio aos militares na época da ditadura?




Um dos dirigentes da montadora alemã Volkswagen se reuniu recentemente com o Ministério Público Federal em São Paulo para negociar uma reparação judicial ao país e ao povo brasileiro pelo fato da empresa ter participado ativamente no golpe de Estado que culminou em mais de 20 anos de ditadura militar no Brasil e as milhares de torturas e mortes de perseguidos políticos que decorreram desse ato.

As acusações são frutos do relatório da CNV – Comissão Nacional da Verdade, tendo como base os inúmeros depoimentos e documentos reunidos através das Centrais Sindicais, Associações, pesquisadores e por próprios ex-funcionários da matriz brasileira que foram vítimas das atrocidades cometidas pelo regime militar. Segundo informações, existem fortes indícios de que a fábrica da Volkswagen foi utilizada para a prática de interrogatórios e torturas pelos militares.

Trata-se da primeira empresa que teve estreitos vínculos com o regime ditatorial a assumir a sua participação e buscar de forma concreta, se não quitar sua dívida histórica, pelo menos tentar contribuir para que algo dessa natureza jamais volte a acontecer no país. Uma das propostas que estão em análise seria construir um memorial em conjunto com outras instituições para que aquele período não seja esquecido pelas gerações futuras. Outra proposta seria uma cobrança financeira a ser depositado no Fundo de Interesses Difusos.

É um passo extremamente importante para a responsabilização das corporações que de uma forma ou de outra contribuíram para a época mais obscura dessa nação. Com essa atitude a Volkswagen, que já se encontra às voltas com mais um escândalo internacional, tenta demonstrar um mínimo de dignidade para com os cidadãos brasileiros e para com a democracia, que entre tantos percalços, ainda estamos tentando fortalecer e consolidar não só no Brasil, mas como em toda a América Latina.

O problema é que ainda é pouco, muito pouco. Várias foram as empresas nacionais e multinacionais dos mais variados ramos de atividade que apoiaram o regime ditatorial brasileiro e que em troca de seu apoio, conseguiram fazer fortuna às custas de vidas de milhares de inocentes, da dor de seus familiares e da suspensão dos direitos civis de toda uma nação. É imprescindível que cada uma delas também seja responsabilizada e pague, da melhor forma possível, pelo terrível mal que fizeram motivados pela mais pura ganância.

A Rede Globo de Comunicações é um caso à parte em toda essa história e uma das mais notórias empresas da velha mídia nacional a alavancar os seus negócios e a tirar bastante proveito da interrupção na democracia brasileira. É bem verdade que não foi a única do ramo jornalístico. Os barões da mídia familiar nacional, sem exceção, se viram diante de uma grande oportunidade de negócio para os seus empreendimentos. Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil, Correio da Manhã, todos tiraram a sua parcela no acordo preestabelecido.

Mas nada foi tão escandaloso quanto a nossa velha conhecida Rede Globo. O absurdo de sua atuação na ditadura militar foi tão gritante que a própria empresa resolveu fazer, em 2013, uma meia culpa, muito aquém do necessário, pelo seu apoio aos generais. No documento intitulado “Apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro”, as organizações Globo afirmaram, entre outras coisas que, “à luz da história, o apoio se constituiu um equívoco”.

Não. Definitivamente não estamos tratando de um simples “equívoco”. Nem mesmo de um “erro” despropositado. Se tinha uma coisa que Roberto Marinho, o então presidente das Organizações Globo, não era, é ser uma pessoa “equivocada”. Mal-intencionada com certeza, mas nunca equivocada. Até hoje a poderosa Rede Globo e todo o seu império construído em muita parte sobre o sangue de brasileiros tombados na ditadura militar, mede meticulasamente os seus passos para conseguirem tudo o que lhes convém. Os custos que os seus interesses podem ter para o Brasil não é e nunca foi exatamente a sua principal preocupação. Não foi na Ditadura e não é agora.

É incrível que uma empresa com tamanho histórico de desserviços ao país, inclusive com práticas criminosas de sonegação fiscal, jamais tenha sido cobrada pela sua postura anti-ética e anti-democrática. Pelo contrário, continua livremente fazendo uso das mais escancaradas formas de manipular a opinião pública para que a democracia brasileira mais uma vez esteja subjugada aos seus interesses econômicos e financeiros, tal qual fizeram ao estampar nas páginas de O Globo, em 02 de Abril de 1964, um dia após a instalação do golpe, o seu nefasto editorial onde proclamava cinicamente o “ressurgimento da democracia”. Segue um trecho:

“Vive a nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opiniões sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.”.

Sabemos os “dias gloriosos” que se seguiram a partir daí. O mais incrível é que novamente a Rede Globo tenta desestabilizar um governo democraticamente eleito para que seus interesses particulares sejam mais uma vez atendidos. Sob o mesmo discurso de “Governo irresponsável”, os Marinhos, eles sim, tentam arrastar o país para o que consideram sua “vocação e tradições”, ou seja, a subserviência ao capital internacional, a desigualdade social em níveis alarmantes e a concentração de toda a renda nacional nas mãos de uns poucos privilegiados.

Já está mais do que na hora das Organizações Globo pagarem pelos crimes de lesa-pátria que cometeram e continuam a cometer no Brasil. É simplesmente inadmissível que uma empresa que se ancora numa concessão pública, atente contra os interesses nacionais, contra a soberania de uma nação e contra a vontade declarada e irrestrita da maioria dos brasileiros sem sequer ser incomodada. Já está mais do que na hora do Governo brasileiro e principalmente os cidadãos brasileiros dizerem em alto e bom som às Organizações Globo, que não iremos mais admitir as suas interferências no processo democrático e no futuro da nação.

E a primeira coisa a fazer é cobrar-lhes um alto preço pelo seu apoio à ditadura militar.







Fonte: Carlos Fernandes/DCM



terça-feira, 3 de novembro de 2015

Rokhshana - Aos 19 anos foi morta!





Rokhshana fugiu duas vezes ao casamento forcado. Aos 19 anos foi morta!

A afegã foi morta à pedrada acusada de adultério. Estava casada por obrigação com um homem mais velho. As imagens do apedrejamento começaram a circular e a culpa foi atribuída aos Talibãs, mas os ativistas acreditam que possam ser obra de líderes de tribos locais

Rokhshana tinha 19 anos. Foi obrigada a casar-se com um homem mais velho do que ela. Em outubro, tentou fugir do Afeganistão com a pessoa que amava. Rokhshana foi apanhada e há uma semana foi apedrejada até à morte em frente a dezenas de espectadores. Agora o vídeo começou a ser divulgado e, entretanto, as autoridades já confirmaram a veracidade das imagens.

Tudo aconteceu em Ghalmeen, uma vila na província de Ghor, no passado dia 25 de outubro. As imagens do vídeo duram cerca de 30 segundos. Rokhshana está enfiada dentro de um buraco, apenas com a cabeça de fora. Em seu redor, um grupo de homens atira pedras.Por cada pedra lançada ouve-se o barulho do embate na cabeça, enquanto um grupo de pessoas observa sem reagir.

As imagens não mostram, mas Rokhshana foi morta. Foi acusada de adultério e de tentar fugir do marido mais velho com que foi obrigada a casar. Segundo avança a governadora daquela província, citada pelo jornal britânico “The Guardian”, a jovem afegã já tinha tentado fugir há uns anos, quando os pais forçaram o noivado com um homem mais velho. Rokhshana fugiu para o Irão.

Quando os pais a encontraram, levaram-na de volta para o Afeganistão e arranjaram-lhe um casamento com um outro homem (igualmente mais velho). Rokhshana fugiu outra vez. Por já ser casada e ter planeado a fuga com um outro homem (na casa dos 20 anos) foi condenada ao apedrejamento em praça pública.

Seema Joyenda, a governadora de Ghor, já lamentou o ato e justificou que aquela é uma zona do país a que as autoridades não conseguem chegar. “O governo não tem acesso àquela área. É uma área totalmente controlada por Talibãs”, disse a governadora, citada pela RFE/RL's Radio Free.

A versão do Governo é que a condenação de Rokhshana teria sido tomada dentro das quatro paredes de um tribunal Talibã. Já os ativistas em Cabul acreditam que os homens na imagem não são membros do grupo extremista, mas líderes de tribos locais radicais.

“Normalmente, eles [autoridades locais] culpam os Talibãs para proteger os seus. Claro que os Talibãs fazem este tipo de coisas, mas não podemos negar que os líderes das tribos fazem o mesmo”, sublinhou Wazhma Frogh, cofundadora do Instituto de Investigação para as Mulheres, Paz e Segurança, citada pelo “The Guardian”.

No Afeganistão, o apedrejamento foi oficialmente banido, embora em 2013 tivesse sido proposta a reintrodução desta pena, mas perante a indignação internacional, a proposta acabou por não avançar.

Não há certezas de quem são os autores do apedrejamento, mas uma coisa é certa: Rokhshana foi morta.






Fonte: MARTA GONÇALVES/Expresso.



Pobres pagam dez vezes mais pela água!



(BBC Mundo)

Um dos mais cruéis paradoxos da desigualdade social em Lima, capital do Peru, se materializa no custo de um bem precioso: os pobres chegam a pagar dez vezes mais do que os ricos pela água.

Um simples passeio pelo bairro de Nueva Rinconada reflete tal abismo. Trata-se de um subúrbio pobre, localizado em uma das colinas da cidade.
Ali, Lydia Sevillano e seus vizinhos pagam o equivalente a cerca de US$ 25 (R$ 96) por mês pela água que consomem.

O assunto ganhou destaque por causa das reuniões anuais do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial, realizadas recentemente na capital peruana.
Coincidentemente, um dos temas principais desses encontros é a desigualdade.
Em Lima, ela se evidencia pelo custo que as famílias de diferentes estratos sociais têm de pagar para ter acesso à água.
A água que a família de Lydia usa, por exemplo, não vem da bica.
Ela é trazida por um caminhão-pipa diariamente e abastece cisternas de plástico do lado de fora da pequena casa que abriga a família.

Lydia admite deixar de comprar outros produtos essenciais para poder pagar pela água.
"Temos que economizar tudo o que podemos", diz ela. "Mesmo que precisemos cortar a comida de meus filhos, porque não podemos viver sem água".
A poucos metros rua acima, as casas também abrigam famílias numerosas, mas usam materiais de construção ainda mais frágeis.
Ali a mesma água custa três vezes mais do que Lydia paga na base da ladeira.

O custo extra é fruto da falta de infraestrutura. Como o caminhão de água demora mais tempo para subir a ladeira ─ que não é asfaltada -, o preço da água sobe.
Para evitar ter de pagar mais pelo mesmo bem, a peruana Flor Quinteros, assim como seus vizinhos, carrega rua acima os próprios galões de água.

ONG britânica calcula que uma pessoa pobre em Lima paga dez vezes mais pela água do que quem vive em zona abastada
Mas não se trata apenas de uma questão financeira.
Além de pagar mais caro pela água, os moradores têm de carregá-la elas próprias e vertê-la nas cisternas, que devem estar sempre limpas para evitar contaminação.
Por fim, há o tempo gasto esperando a chegada dos caminhões-pipa - tempo este que poderia ser usado para buscar trabalho, por exemplo.

O custo também se reflete nos problemas de saúde resultantes da água contaminada, armazenada às vezes em recipientes mal higienizados.
As doenças são rotineiras em Nueva Rinconada. Ali os moradores também estão acostumados com deslizamentos de terra causados por terremotos ou tempestades severas.
Nesses casos, paradoxalmente, a água em excesso transforma o bairro em um imenso lamaçal.

'Muro da vergonha'
Na parte superior da colina, ergue-se o símbolo máximo da desigualdade social de Lima: um muro de três metros de altura com cerca de arame farpado.
A estrutura foi construída de propósito ─ evitar que Lydia, Flor e suas famílias passem para o bairro do outro lado da pequena montanha.
Por causa disso, foi apelidado de "muro da vergonha".

Casuarianas, o bairro do outro lado do muro, é naturalmente um lugar muito diferente.
Ali não há pobreza, mas casas bem construídas com água corrente e vista para o mar.
E a água que sai da bica? É barata e suficientemente abundante para encher centenas de piscinas do bairro.
Mais abaixo, no centro da cidade, os participantes dos encontros anuais do FMI e do Banco Mundial permanecem reunidos.
Nos últimos anos, ambas as organizações vêm destacando o efeito negativo da desigualdade de renda para as economias nacionais.
E a prova irrefutável disso está logo acima, nas colinas que cercam a cidade






Fonte: John Mervin/BBC