sábado, 3 de março de 2018

Síria - Genocídio de Crianças!






A guerra na Síria já deixou mais de 1.000 crianças mortas ou gravemente feridas desde que 2018 começou, afirmou um porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira, em Genebra, na Suíça. A estimativa é que uma criança morra a cada hora no país.

O diretor regional do Unicef para o Oriente Médio e o Norte da África, Geert Cappelaere, fez um apelo para os países acatarem a resolução tomada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) no último sábado, que defendeu uma pausa humanitária de pelo menos 30 dias no país.

“Muitas mães e pais na Síria imediatamente pensaram que isso representaria a sobrevivência para seus filhos, pensando que suas crianças gravemente desnutridas e aqueles que precisavam de assistência médica urgente poderiam obter exatamente isso: tratamento e ajuda, um direito muito básico”, disse. “Mas, com o passar dos dias, essas esperanças se transformaram em ilusões, as janelas se fecharam abruptamente em nossos rostos. Porque, para crianças na Síria, nada mudou.”

Resultado de imagem para crianças na siria

Ele afirma que a violência continua em várias partes do país, o que faz da Síria um dos lugares mais perigosos para uma criança viver no mundo e obriga as equipes de ajuda humanitária a trabalhar “contra o relógio”. “Nós já estamos prontos com suprimentos capazes de salvar vidas, incluindo remédios, suplementos alimentares para crianças desnutridas, kits pediátricos e para fazer partos, roupas de inverno para crianças, kits de higiene e outros itens básicos”, afirma o representante.

Crianças, o símbolo das vítimas da guerra na Síria

“Esses suprimentos deveriam ser usados em Afrin, Idlib, Ghouta Oriental, Dera’a e outras áreas de difícil alcance – algumas das quais não conseguimos acessar há meses. São nesses lugares que vivem quase dois milhões de crianças.” Cappelaere estima que, ao todo, 5,3 milhões de crianças precisem de assistência humanitária na Síria.

“A Unicef chama – uma vez mais – aqueles que lutam dentro da Síria e aqueles que têm influência sobre eles para abaixar os braços e parar a guerra contra as crianças”, pede o diretor.

Na segunda-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou a instauração de uma trégua humanitária de cinco horas por dia em Ghouta Oriental, reduto dos rebeldes que são alvo de uma intensa ofensiva na Síria. O cessar-fogo iniciou na terça-feira e tem validade entre 9 horas e 14 horas [horário local], todos dias, durante 30 dias. Ainda assim, novos ataques durante o período estipulado têm ameaçado o acordo.



Fonte: Veja




quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Abuso de menores - Falhas nas estatísticas!




Umas das ligações que mais marcaram a atendente Camilla que trabalha desde 2016 no Disque-Denúncia (100), foi um caso de abuso sexual de um bebê de um ano de idade.

Ela recebeu a ligação de uma pessoa - que não pode ser identificada para preservar o anonimato garantido pelo serviço - dizendo que, ao trocar a fralda da criança, encontrou seu órgão genital machucado e com pus.

Segundo o relato, a menina estava sendo abusada pelo padrasto, e a mãe não fazia nada porque não queria que o marido fosse preso.
Camilla anotou todos os detalhes sobre a vítima - nome, onde morava, informações sobre a família - e o caso foi encaminhado à polícia do Estado para ser apurado.

Mas é impossível descobrir, de forma organizada e sistemática, o destino de denúncias graves como a relatada pela atendente.

Foram buscados dados para uma reportagem sobre o percentual de denúncias de violência sexual contra crianças que resultavam em abertura de inquérito e possível punição de culpados. Procurou-se também informações centrais sobre crianças reportadas como vítimas em denúncias, como saber se estão em segurança. Encontrou-se não dados, mas um verdadeiro buraco negro de informações e descontrole estatístico por parte das autoridades.

A reportagem, que envolveu dezenas de telefonemas e envios de emails para autoridades federais e também em todos os 26 Estados e o Distrito Federal, revela que nenhum órgão mapeia denúncias e monitora o que acontece com elas.

Não há controle consistente e padronizado em nível federal, estadual ou municipal que acompanhe quantas eram procedentes, quantas se tornaram inquéritos policiais, quantas chegaram à Justiça ou o que aconteceu com as crianças.

A importância dos números
A falta de dados centralizados prejudica o combate - já que o primeiro passo para criação de políticas públicas que contra o crime é saber o tamanho do problema, como ele costuma acontecer, se há maior ocorrência em determinados Estados e que questões, em alguns casos culturais, precisam ser combatidas em busca de uma solução.

"É muito difícil pensar políticas públicas sem ter dados e estatísticas", afirma o pesquisador Herbert Rodrigues, que foi associado ao Núcleo de Violência da USP e é autor do livro Pedofilia e suas Narrativas.

"Os dados sobre o assunto são um caos. Os órgãos não estão preparados para lidar com o problema", afirma ele, que fez uma extensa pesquisa em diversos bancos de dados para sua tese de doutorado.
Ele defende que o poder público tenha um sistema exclusivo para monitoramento de abuso sexual infantil a exemplo do que ocorre em países como os Estados Unidos e o Reino Unido.

Em terreno britânico, os números divulgados por diversas entidades governamentais são reunidos pela NSPCC (sigla em inglês para Sociedade Nacional para a Prevenção de Crueldade contra Crianças).

Nos EUA, diversas entidades reúnem esse tipo de informação. O Departamento de Saúde federal tem um escritório específico de cuidado às crianças que publica relatórios periódicos. E o Crimes Against Children Research Center ("centro de pesquisa sobre crimes contra crianças") também reúne dados nacionais - e o acompanhamento das denúncias é feito pelo FBI, a polícia federal americana.

Várias fontes, nenhum controle.
No Brasil, a primeira pergunta sem resposta diz respeito ao total de denúncias de violência sexual contra crianças que chegam a diferentes autoridades.
Elas podem chegar a delegacias de polícia (especializadas ou não), ir direto ao Ministério Público, a conselhos tutelares ou a Varas de Infância e da Juventude. Casos envolvendo crimes virtuais são investigados pela Polícia Federal. Não há números consolidados de número de denúncias feitas no país todo por nenhum desses caminhos.

As suspeitas também podem chegar pelo Disque-Denúncia e serem encaminhadas a algum desses outros canais. Só por este caminho chegaram cerca de 9 mil denúncias no primeiro semestre de 2017. Em 2016, foram 15.707. Os dados são do Ministério dos Direitos Humanos, que mantém o serviço do Disque 100.
A segunda lacuna é com os dados sobre o que aconteceu com as denúncias que chegaram por esse caminho.
As suspeitas são passadas individualmente para serem investigadas pelas polícias estaduais ou por outras autoridades. Todos os casos são repassados e, em tese, investigados. Mas como não há uma regra que obrigue quem recebeu as denúncias de dar retorno, os feedbacks que chegam são poucos.

O serviço só recebe retorno sobre o andamento da apuração em 16% dos encaminhamentos na média, segundo o Ministério dos Direitos Humanos.

Lacunas
Em busca dessas informações sobre o destino das denúncias que chegam por outros caminhos, a BBC Brasil procurou as polícias estaduais e também o Ministério Público de todos os 26 Estados brasileiros e o Distrito Federal.
Na maioria dos Estados, nem a própria polícia ou secretaria de segurança agrupa essas informações. A ausência de dados centralizados gera a impossibilidade de cobrança e acompanhamento de uma esfera superior.

 Recebeu-se informações apenas da Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais e dos Ministérios Públicos de Santa Catarina, Distrito Federal, Acre, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
As Secretarias de Segurança Pública de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina e os Ministérios Públicos de Minas Gerais, Goiás e Ceará admitiram não ter os dados.
Os outros órgãos não responderam ou não deram explicações para não terem enviado as informações.

Retrato brutal
Os únicos dados centrais que a BBC Brasil conseguiu identificar revelam a brutalidade deste tipo crime, ou seja, quando vítimas vão parar em um hospital com machucados, doenças ou outros problemas decorrentes do abuso.

Em 2016, o sistema de saúde registrou 22,9 mil atendimentos a vítimas de estupro no Brasil. Em mais de 13 mil deles - 57% dos casos - as vítimas tinham entre 0 e 14 anos. Dessas, cerca de 6 mil vítimas tinham menos de 9 anos.

As estatísticas são do Sinan, o sistema de informações do Ministério da Saúde, que registra casos de atendimento de diferentes ocorrências médicas desde 2011. É uma espécie de ponta do iceberg do problema.

O sistema consolida dados tanto dos serviços de saúde pública quanto da rede privada.
"Crianças e adolescentes de até 14 anos são mais vulneráveis à ocorrência de estupro principalmente na esfera doméstica. Os autores da violência, na maioria das vezes, são familiares e pessoas conhecidas", afirma a médica Fátima Marinho, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
Mas mesmo os números do Sinam, que oferecem um visão central do problema, não retratam todos os casos de abuso sexual de crianças que acabaram no sistema de saúde. Isso porque nem todos os municípios do país reportam os casos, embora o procedimento seja obrigatório.

A definição de estupro utilizada pelo Ministério da Saúde é a mesma adotada no âmbito penal. São notificados como estupro, por exemplo, conjunção carnal, masturbação, toques íntimos, a introdução de dedos ou objetos na vagina, sexo oral e sexo anal.
Nos casos de estupros de menores, os profissionais de saúde responsáveis pelo atendimento em hospitais devem comunicar as ocorrências aos conselhos tutelares locais.

A partir deste ponto, o sistema de saúde não faz mais o acompanhamento - portanto mesmo pelos números da área de saúde não há como saber quais desses casos chegaram à polícia ou à Justiça.
Para a delegada Kelly Cristina Saccheto, de São Paulo, "estatísticas são importantes, mas, para as investigações individuais, o que mais importa é ter dados suficientes no registro da ocorrência para que polícia abra o inquérito."

Segundo ela, muitas das denúncias chegam sem informações suficientes - como nome completo do acusado ou endereço - para que a polícia identifique os suspeitos.

Vulnerabilidade
Se muitas vítimas adultas já não denunciam seus casos à polícia por medo de represálias ou de serem desacreditadas, as crianças estão ainda mais vulneráveis - e a chance de p problema nunca chegar às autoridades é maior, segundo especialistas.
"Nos casos que chegam à Justiça é possível ver, em muitos processos, tentativas de desqualificar e deslegitimar as crianças para inocentar o agressor. É reflexo de uma sociedade que tem baixa confiança nas crianças, onde elas são desconsideradas, como se não tivessem agência no mundo", afirma Herbert Rodrigues, pesquisador do Núcleo de Violência da USP.
O desembargador Eduardo Freitas Gouvea, da Coordenação de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo, acredita que legislação existente é bem extensa e adequada para proteger as crianças - o que falta é sua aplicação.

"É necessário um trabalho de prevenção" afirma. "Hoje em dia o Judiciário é visto como caminho de resolução de tudo, mas é preciso que o Executivo aplique a lei e haja uma rede de proteção às crianças para evitar que os crimes aconteçam."
O fato da maior parte dos abusos - físicos e sexuais - virem das próprias famílias torna o problema mais complexo e difícil de ser resolvido, já que a criança fica completamente desamparada e sem o apoio justamente de quem deveria protegê-la.
"E é um tabu, ninguém quer falar sobre isso ou lidar com o problema real", diz Rodrigues.
Camilla, a atendente do Disque-Denúncia, diz que evita pensar no que aconteceu com as vítimas.

"Tento pensar que o importante é que a denúncia tenha sido feita. Já é o primeiro passo  para resolver (o caso).





Fonte: BBC

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Um novo avanço contra o câncer!



Resultado de imagem para pesquisa contra cancer exame de sangue

Novo exame de sangue detecta 8 tipos de câncer com 70% de precisão
O método também foi testado em 812 pessoas que não estavam doentes, para verificar o número de alarmes falsos. Foram apenas sete enganos.

O câncer, antes mesmo dos primeiros sintomas, começa a deixar rastros no sangue. Eles podem ser pequenos pedaços de DNA mutante, flutuando em meio a glóbulos vermelhos e brancos. Também podem ser proteínas com uma sequência de aminoácidos peculiar, que só poderiam ter sido fabricadas pelas células de um tumor.

Cada tipo de câncer – há mais de cem deles – deixa um rastro de substâncias diferente, um conjunto único de pegadas no seu corpo. É como quando duas pessoas, uma de chinelo e outra de coturno, pisam no cimento fresco da calçada. Agora estamos no caminho de identificar essas pegadas com uma agulhada – ainda nos primeiro estágios do tumor, quando o estrago não é tão grande e o tratamento quase sempre funciona.

É essa a promessa de um novo tipo de exame de sangue, anunciado ontem na Science. Quando aplicado a 1005 voluntários com câncer diagnosticado, identificou a doença e o órgão atingido em 70% dos casos – a taxa de sucesso variou entre 39% e 96% conforme o tipo. Tudo com um vidrinho do líquido, sem raio-x nem ressonância magnética. Entre os tipos testados, estão alguns dos mais comuns: mama, pulmão, ovário, fígado, estômago, pâncreas, esôfago e reto. O método também foi testado em 812 pessoas que não estavam doentes, para verificar o número de alarmes falsos. Foram apenas sete enganos.


É claro que ainda há muito a ser aperfeiçoado. A precisão cai para 40% quando são considerados apenas tumores no primeiro estágio de desenvolvimento. É justamente nessa fase, em que o câncer muitas vezes é assintomático, que o método seria mais valioso. Em uma situação ideal, pessoas aparentemente saudáveis poderiam identificar tumores em exames preventivos, desses rotineiros, que fazemos para medir colesterol – e tomar uma atitude enquanto ainda dá tempo.

Seja como for, agora que a ideia está lançada, fica mais fácil desenvolver versões mais eficientes do método – e também mais baratas, que poderão ser aplicadas a uma grande parcela da população. “Esse é um dos primeiros estudos a combinar biomarcadores proteicos e DNA de tumores circulando no sangue como ferramentas de diagnóstico”, afirmou ao The Guardian Chris Abbosh, do University College em Londres, que não participou do estudo. “Também em um dos primeiros a aplicar essas ferramentas a vários tipos de câncer em um grande número de pacientes.” Atualmente, cinco dos nove tumores analisados não tem teste preventivos (no jargão técnico, rastreio ou screening) eficientes.




Fonte: Bruno Vaiano/Super 



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Chocolate - Porque gostamos tanto disso?

Resultado de imagem para chocolate

A resposta pode parecer simples - porque tem um "gosto bom". Mas vai além disso. Tem a ver com uma determinada relação entre gorduras e carboidratos, a que somos apresentados logo no início de nossas vidas.

Os amantes de chocolate dificilmente abrem um tablete e conseguem se contentar em comer apenas um quadradinho - acabam devorando a barra inteira. E isso também acontece com outros alimentos.

Mas o que faz com que a gente ache algumas comidas irresistíveis? E que características o chocolate compartilha com outros alimentos que simplesmente não conseguimos dizer "não"?

'Limonada e fruta do conde'
O chocolate é feito a partir de grãos de cacau, cultivados e consumidos nas Américas há milhares de anos.

Os Maias e Astecas criaram uma bebida de cacau chamada xocolatl, que significa "água amarga". Isso porque, in natura, os grãos de cacau são bastante amargos.

Para chegar ao grão, primeiro você precisa tirar a casca grossa do cacau, liberando uma polpa de sabor tropical intenso - com gosto entre a limonada e a fruta do conde. Conhecida como baba de cacau, é doce, ácida e muito pegajosa.

Os grãos e a polpa são colocados para fermentar durante vários dias, antes de serem secos e torrados.

Ao serem torrados, liberam uma variedade de compostos químicos, incluindo o ácido 3-metil-butanoico, que por si só tem um odor rançoso, e o dimetil trissulfeto, com cheiro de repolho cozido em excesso.

A combinação dessas e outras moléculas de aroma cria uma assinatura química única que os nossos cérebros adoram.

Mas os cheiros e as memórias felizes da juventude que esses odores provocam são apenas parte da atração do chocolate.

O chocolate contém uma série de substâncias químicas psicoativas interessantes, que incluem a anandamida, um neurotransmissor cujo nome vem do sânscrito - "ananda", que significa "alegria, felicidade, prazer". As anandamidas estimulam o cérebro da mesma forma que a cannabis.

Ele também contém tiramina e feniletilamina, ambas com efeitos semelhantes às anfetaminas.

Além disso, você vai encontrar pequenos vestígios de teobromina e cafeína, conhecidos estimulantes.

Por algum tempo, alguns cientistas de alimentos ficaram entusiasmados com a descoberta. Mas, embora o chocolate contenha essas substâncias, sabemos agora que são apenas alguns traços.

Então, o que mais o chocolate tem?

Ele também tem uma viscosidade cremosa. Quando você tira da embalagem e coloca um pedaço na boca sem morder, você vai notar que ele rapidamente derrete na língua, deixando uma sensação prolongada de suavidade.

Receptores em nossas línguas detectam essa mudança de textura, que, então, estimula os sentimentos de prazer.

Mas o que realmente levou o cacau - uma bebida amarga e aquosa - a se transformar no doce que adoramos hoje, foi a adição de açúcar e gordura.

O acréscimo da quantidade certa de cada um desses elementos é crucial para a apreciação do chocolate. Observe uma embalagem de chocolate ao leite e você vai perceber que ele normalmente contém cerca de 20-25% de gordura e 40-50% de açúcar.

Na natureza, tais níveis elevados de açúcar e gordura são raramente encontrados - pelo menos juntos.

Você pode obter açúcares naturais de frutas e raízes, e há muita gordura em nozes ou no salmão, por exemplo. Mas um dos poucos lugares onde você vai encontrar ambos é no leite.

O leite materno humano é particularmente rico em açúcares naturais, principalmente lactose. É composto por cerca de 4% de gorduras e 8% de açúcares. O leite em pó, que também é usado na alimentação de bebês, contém uma proporção semelhante de gorduras em relação a açúcares.

Essa proporção, 1g de gordura para 2g de açúcar, é a mesma relação que você encontra no chocolate ao leite. E em biscoitos, donuts, no sorvete...Na verdade, essa proporção em particular está presente em muitos alimentos a que não resistimos.

Então, por que você ama chocolate?

Por uma série de razões. Mas também pode ser porque esteja tentando resgatar o gosto e a sensação de proximidade que temos em relação ao primeiro alimento que já experimentamos: o leite materno humano.





Fonte: Michael Mosley/BBC


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

2018 - Vai mudar alguma coisa?

Resultado de imagem para fim de ano 2017


O ano de 2017 acabou. E infelizmente com ele a esperança de muitas pessoas que quando o ano  começou achavam que seria um grande ano e que muita coisa melhoraria.
Mas o brasileiro já está acostumado a isso. Não só os brasileiros mas quase todas as pessoas do mundo inteiro.
Pouca coisa melhora. E volto a dizer que isso não é pessimismo, mas é a pura realidade.
No momento em que escrevo esse artigo, estou em frente a televisão onde está passando o jornal da Bandeirantes e a reportagem sendo veiculada é sobre a fome que assola a Venezuela fruto de um governo corrupto e autoritário que se preocupa apenas com o poder e está pouco se lixando para a população.
A reportagem destaca a morte de quatro crianças que morreram devido a subnutrição.
Aqui no Brasil quase ninguém mais dá atenção às noticias sobre casos de corrupção. Desde as camadas mais baixas até aos escalões mais altos das instituições públicas como o governo, a corrupção domina como nunca.
O nosso presidente foi pego em escutas telefônicas e seus homens de confiança foram escandalosamente vistos fugindo com malas de dinheiro e mesmo assim continua presidindo esse imenso país. Tudo porque as nossas leis que são feitas por pessoas que estão no poder e que naturalmente não querem perder tal poder, permitem que  isto ocorra.
E quando a população protesta eles dizem que estão cumprindo a lei, Que a constituição permite que isso aconteça. É claro! Como poderia ser diferente se temos um congresso que também só se preocupa com cargos e os parlamentares só se preocupam em não perder seus gordos salários e benesses que eles ganham porque criaram leis que literalmente assaltam a população!
A corrução assola os países da Africa, da Ásia, da Europa, enfim do mundo inteiro.
Na Assíria, as pessoas continuam com aquela guerra civil onde vários grupos querem o poder e aquele famigerado Bashar Al Assad, que cometeu genocídio matando sua própria população com armas químicas não larga o poder de jeito nenhum. E na Coréia do Norte temos um outro megalomaníaco que com seus misseis que ameaçam principalmente o imperialismo  de Donald Trump, um outro chefe de estado completamente despreparado para dirigir uma das maiores potências do mundo, que chegou ao poder devido ao acidente de percurso nas eleições americanas.
É. A situação realmente está difícil para o ano de 2018.
Podemos dizer que é um ano novo com problemas velhos, e que certamente novos problemas surgirão para piorar a situação!






Eliezer Lopes

domingo, 24 de dezembro de 2017

Coisas sobre Hollywood que você não sabia!

Resultado de imagem para hollywood

Da era de ouro do cinema mudo às atuais super produções, a indústria cinematográfica de Hollywood permanece a mais lucrativa no setor de serviços nos Estados Unidos. Embora o faturamento das bilheterias venha declinando nos últimos anos — foi de cerca de US$ 11 bilhões em 2016 para aproximadamente US$ 9,7 bilhões em 2017, segundo o Statista, 13% dos americanos ainda vão ao cinema todo mês. A seguir, veja curiosidades históricas e conheça segredos sobre como funciona a indústria.


1 - Hollywood queria “americanizar o mundo”: quando executivos da Costa Leste se mudaram para Los Angeles para criar os primeiros sete estúdios (Paramount, Universal, MGM, Twentieth Century-Fox, Warner Brothers, Columbia e RKO) no início do século 20, eles convenceram o presidente americano na época, Woodrow Wilson, de que se tratava de uma indústria essencial para solidificar a imagem dos Estados Unidos no exterior. Wilson criou um serviço dedicado à exportação de filmes, e declarou: “Filmes são um dos meios mais importantes para a disseminação de inteligência pública e, por falarem uma linguagem universal, são essenciais para a apresentação dos planos e propósitos americanos.”

2 - Em 1947, anos de ouro de Hollywood, existiam mais cinemas do que bancos nos Estados Unidos. Em média 90 milhões de americanos, mais da metade da população que na época tinha 151 milhões, iam aos cinemas em uma semana qualquer.

3 - Branca de Neve e os Sete Anões, da Disney, foi primeiro filme na história do cinema a alcançar a marca de US$ 100 milhões em vendas de bilheteria.

Resultado de imagem para branca de neve e os 7 anoes

4 - Existem cerca de nove mil roteiristas membros do Sindicato dos Roteiristas dos Estados Unidos e mais de 16 mil diretores membros do Sindicato dos Diretores dos Estados Unidos. Extraoficialmente, porém, o número ultrapassa os 100 mil.

5 - A maioria dos roteiros nunca é, de fato, produzida. Segundo uma estimativa da Paramount, nove de cada dez projetos em desenvolvimento no estúdio nunca recebem carta verde para produção.

6 - Poucos atores conseguiram um negócio tão bom quanto Arnold Schwarzenegger na sequência da franquia O Exterminador do Futuro 2. Embora seus filmes mais atuais tivessem sido fracassos de bilheteria, e ele estivesse com quase 60 anos no momento de gravação do filme, seu nome havia se tornado tão associado à imagem do personagem que sua participação no projeto foi considerada essencial. Como consequência, o estúdio concordou em pagar US$ 29,5 milhões por 19 semanas de trabalho, além de permitir que ele aprovasse o diretor, os outros atores do filme e o roteiro. Ao todo, foram 18 meses de negociações.

Resultado de imagem para exterminador do futuro 2

7 - Mesmo com todos os avanços tecnológicos, computação gráfica abocanha uma fatia considerável do orçamento de filmes e podem custar mais do que os gastos com os próprios atores. Em Godzilla, por exemplo, quase US$ 10 milhões foram gastos para criar os monstros.

Resultado de imagem para godzilla
8 - As trilhas sonoras são igualmente caras. A Paramount, por exemplo, chegou a pagar US$ 1 milhão para poder usar a música “I Disappear”, do Metallica, em Missão Impossível II.


9 - Para os donos de cinema, o maior negócio não são os filmes, e sim a pipoca. Com pouco milho, é possível encher muito saquinhos, e mais: os clientes vão ficar com sede e querer refrigerante. Há estimativas de que os cinemas lucrem 90 centavos para cada dólar vendido em pipoca. Não à toa, um dono de cinema teria dito que as cadeiras com espaço para colocar um copo foram “a melhor invenção tecnológica desde o som”.
Resultado de imagem para pipoca de cinema

10 - Um “truque” muito utilizado por roteiristas para tornar seus personagens mais simpáticos ao público é o momento de “salvar o gato”. Termo cunhado por Blake Snyder em seu livro “Save the Cat”, é aquele momento do filme em que o mocinho ou mesmo o vilão faz algo positivo, como dar um sorvete para uma criança aleatória na rua, que nos faz gostar do personagem.

11 - A indústria quer o mesmo… Mas diferente. Sabe aquela impressão que às vezes temos de que todos os filmes, no fundo, são parecidos? Eles de fato são! A verdade, como diz Snyder em “Save the Cat”, é que a maioria das ideias centrais de filmes já foram feitas de alguma forma. Snyder as classifica em seis: monstros, histórias mitológicas, mágicas, “um cara com um problema”, ritos de passagem, histórias de amor, o porquê de um crime, o bobo que triunfa, sagas familiares e super-heróis. O que os produtores e estúdios buscam é um novo ângulo para recontar essas histórias.




(Fontes: The Big Picture - Money and Power in Hollywood, Edward Jay Epstein (2006); Save the Cat - The Last Book on Screenwriting That You’ll Ever Need, Blake Snyder (2005).)

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Qual é o remédio mais perigoso do mundo?



Resultado de imagem para oxicodona


“Uma amiga minha tomava o remédio, para um problema de dor, e me falou sobre ele. Resolvi experimentar. A sensação foi maravilhosa, como um orgasmo incrível. Eu me sentia anestesiada e muito feliz. No começo, tomava um comprimido por dia. Daí passei a tomar dois, três e hoje preciso de uma caixa inteira para conseguir o mesmo efeito. Se não tomo, passo mal demais. Fico com muita dor no corpo, tremedeira e uma diarreia horrível. Para conseguir o remédio, vou a um pronto-socorro e finjo que estou com muita dor. Se o médico não me dá, falsifico a receita. São coisas que eu jamais pensei em fazer. Mas a dependência é incontrolável. Tento parar e não consigo.”

Essa é a história de uma recepcionista de 35 anos que mora em São Paulo. Ela se viciou em oxicodona, um remédio produzido por vários laboratórios e vendido com nomes diversos (os mais comuns são OxyContin, OxyFast e Percocet). É um analgésico semissintético parcialmente derivado de uma espécie de papoula, a flor usada para fazer ópio e heroína. Por isso, esse medicamento e seus similares naturais, como a morfina, são conhecidos como opioides.

Eles variam na potência, mas têm os mesmos efeitos: anulam qualquer tipo de dor física, provocam uma curiosa mistura de relaxamento e euforia e são extremamente viciantes. Tanto que, só nos Estados Unidos, 2 milhões de pessoas são dependentes deles, segundo dados do governo americano. É uma quantidade assombrosa de gente, o dobro do número estimado de viciados em crack no Brasil. Os opioides também matam – e muito. Só no ano passado, causaram 60 mil mortes nos EUA (incluindo as do cantor Prince e da atriz Carrie Fisher, a princesa Leia de Star Wars). É mais do que todas as vítimas de acidentes de trânsito e armas de fogo, somadas. Também é mais do que os mortos por aids no pico da epidemia de HIV, em 1995. Um problema tão gigantesco que, em agosto, o governo dos EUA classificou os opioides como “emergência nacional” e prometeu medidas para dificultar sua venda.

Mas como um remédio tão perigoso pôde chegar ao mercado e ganhar versões cada vez mais potentes, sem que ninguém fizesse nada? A resposta é surpreendente – porque é quase tão antiga quanto a própria humanidade.

Do Neolítico às farmácias
Em 3.400 a.C., os sumérios já extraíam um suco branco e leitoso da papoula, que chamavam de “planta da alegria”. Tumbas egípcias do século 15 a.C. contêm vestígios da substância, usada num ritual de sedação para o sonho eterno. Gregos e romanos também usavam a substância. Na Odisseia, Homero fala sobre uma tal nepente, a que ele se refere como “droga do esquecimento” – na verdade, um coquetel de ópio.
Resultado de imagem para ópio papoula
Papoula, de onde é extraído o ópio.

Com o tempo, o narcótico ganhou usos medicinais. No século 2, o médico grego Galeno o recomendava para curar coisas tão distintas quanto asma, epilepsia, tristeza e pedras nos rins. No século 16, o alquimista suíço Paracelso misturou a droga com álcool, almíscar e âmbar para criar um elixir contra tosse, insônia, dor e diarreia – o láudano –, que era vendido nas farmácias sem receita até o início do século 20. Claro que nem todos os usuários tinham problemas de saúde. Muitos só queriam se divertir. Os chineses, por exemplo, gostavam de fumar ópio. E viraram os maiores consumidores do mundo, inclusive porque foram forçados a isso.

No século 18, a Inglaterra importava cada vez mais seda, chá e porcelana da China, pagando a conta com ouro e prata. Mas, como não tinha um produto de exportação para equilibrar a balança, a sangria só aumentava. A solução foi o ópio. Os ingleses produziam a substância na Índia e vendiam para os chineses. Mas ela fez tanto estrago que acabou proibida pelo imperador. Então os ingleses se aliaram a traficantes, que levavam a droga escondida. Deu muito certo: o consumo chegou a 2.500 toneladas por ano, com 12 milhões de chineses viciados. O problema levou a duas guerras entre China e Inglaterra, ambas vencidas pelos britânicos. A dinastia Qing foi obrigada a abrir os portos e engolir a legalização do ópio. De quebra, perdeu Hong Kong.

Apesar disso, ninguém sabia explicar de onde vinham os poderes da papoula. O alemão Friedrich Sertürner matou a charada: no começo do século 19, ele conseguiu isolar o princípio ativo da planta e o batizou de morphium – alusão a Morfeu, o deus grego dos sonhos. A morfina se encaixa nos chamados “receptores opioides”, que estão presentes em várias regiões do cérebro e normalmente são ativados pelos analgésicos naturais, produzidos pelo próprio organismo, como a endorfina. Ela funciona do mesmo jeito – só que é muito mais forte. Friedrich testou-a em cobaias e em si próprio. Sentiu euforia, náuseas e depressão. Ficou assustado e advertiu: “É meu dever chamar a atenção para os terríveis efeitos dessa nova substância.”

Ninguém deu bola. Na década de 1820, a morfina já era sucesso de vendas na Europa e nos EUA, graças ao baixo custo e à ação potente. “Pela primeira vez, os médicos podiam prescrever doses precisas”, escreve o britânico Martin Booth no livro Opium: A History (sem versão em português). De lá para cá, a indústria farmacêutica foi desenvolvendo analgésicos opioides cada vez mais fortes. Entre eles, a oxicodona, que foi criada por cientistas alemães em 1917 e usada para anestesiar soldados feridos na 1a Guerra Mundial.

Os opioides sempre tiveram seus riscos. Mas a medicina sempre conseguiu utilizá-los com certa segurança para tratar casos de dores graves, como as causadas por câncer, grandes queimaduras ou traumatismos. Nesses casos, eles continuam a ser indicados. “Se a medicina indica, os opioides devem ser usados, sim”, diz o psiquiatra Danilo Baltieri, professor da Faculdade de Medicina do ABC e especialista em dependência química.

Nem todo mundo que toma um opioide vai se viciar. Basta que ele seja prescrito e usado com cautela. Só que, a partir da década de 1980, isso mudou – graças a um tremendo mal-entendido.


Como a papoula é cultivada e processada.


1. A plantação
Resultado de imagem para plantação de papoula
Plantação de Papoula.

2. A colheita
O agricultor seca e mói as flores, que se transformam num pó. Esse pó é vendido para laboratórios farmacêuticos.

3. O processamento
O laboratório extrai uma substância, a paramorfina (também conhecida como tebaína), do pó. Ela não é analgésica.

4. A transformação
A paramorfina é misturada com acetato de sódio, tolueno e peróxido de hidrogênio. Após uma série de reações químicas, ela vira oxicodona: o princípio ativo dos analgésicos opioides.

5. A montagem
A oxicodona é misturada com excipiente (pó inerte) e prensada no formato de comprimidos. O laboratório pode incluir outras substâncias na fórmula, como naloxona (que reduz a potência do opiáceo).

Para tudo e para todos
Em 1980, o médico Hershel Jick, da Universidade de Boston, teve a ideia de fazer um estudo sobre os analgésicos usados em hospitais. Ele avaliou os registros de 11.882 pacientes que haviam sido tratados com opioides – e constatou que apenas quatro deles haviam se viciado nesses remédios. Uma porcentagem baixíssima: 0,03%. “Nós concluímos que, apesar do amplo uso de narcóticos em hospitais, o desenvolvimento de dependência é raro”, escreveu em seu artigo científico. O trabalho de Hershel passou batido até 1986, quando foi citado na revista médica Pain, da Sociedade Americana de Dor. Daí tudo explodiu. Médicos, cientistas e – claro – laboratórios farmacêuticos começaram a usar os dados de Hershel para dizer que os opioides não eram perigosos e podiam ser receitados numa boa para diversos tipos de dor.

Por essa lógica, todo mundo que tinha algum tipo de dor crônica (não só os pacientes com casos graves) poderia tomar esses remédios. A imprensa logo embarcou na história e publicou uma série de reportagens exaltando a segurança e a eficiência daqueles produtos maravilhosos. Nos anos 1990, uma nova doutrina começou a ganhar força entre os médicos: em vez de apenas reduzir a dor crônica, como até então se fazia, o ideal era acabar com ela. Afinal, se existem analgésicos tão eficientes, e aparentemente tão seguros, por que não?

Só que todo mundo ignorou o óbvio: o estudo do Dr. Hershel era sobre pacientes internados, que recebiam doses rigidamente controladas dos remédios. Uma situação completamente diferente de pegar uma caixinha na farmácia. Ninguém sabia como as pessoas iriam se comportar quando pudessem levar aqueles medicamentos para casa e tomar o quanto quisessem. Começava, ali, a epidemia que iria espalhar viciados pelo mundo – inclusive no Brasil.


“Nós temos visto cada vez mais casos. Em geral, são problemas gravíssimos”, diz o psiquiatra Arthur Guerra, coordenador do Programa de Álcool e Drogas da Faculdade de Medicina da USP. “As pessoas imaginam que só o crack destrói as pessoas. Mas os dependentes de opioides também chegam destruídos ao consultório”, confirma Danilo Baltieri. A pessoa deixa de trabalhar e estudar e passa a viver em função do remédio, chegando a cometer crimes para conseguir dinheiro e comprar o medicamento. Em alguns casos, também são viciados em outras substâncias. “Antes do OxyContin, eu já bebia”, diz Fabiana. Sua voz tremia enquanto ela falava com a SUPER. É que, no dia da entrevista, ela tinha tomado menos comprimidos do que de costume, na enésima tentativa de parar. Fabiana é tratada por um médico que aceitou apresentá-la à SUPER, com a condição de que a identidade da paciente fosse preservada.

Em 2007, a Justiça dos EUA entendeu que o fabricante do OxyContin enganou os médicos, pois subestimou os riscos do remédio, e condenou a empresa a pagar uma multa de US$ 634 milhões. Mas isso não foi o suficiente para frear a escalada dos opioides nos Estados Unidos. Ela alcançou o auge em 2012, quando os médicos americanos assinaram 289 milhões de receitas desses remédios. De lá para cá, com a pressão contra os opioides, o consumo caiu um pouco. Mas se mantém elevadíssimo: no ano passado, foram 245 milhões de receitas, o equivalente a uma caixinha de remédio para cada adulto do país. “Nós estamos na era dos comprimidos, e é difícil dizer não a pacientes desesperados”, diz o americano Ethan Nadelmann, fundador da ONG Drug Policy Alliance. “Também há médicos que não sabem tratar a dor, nem têm tempo para os pacientes. É mais simples receitar um comprimido”, afirma. Essa situação é agravada pelos planos de saúde, que preferem pagar por remédios a sessões de fisioterapia ou RPG (reeducação postural global), que são mais caras, mas poderiam resolver muitos dos casos de dor crônica. E pelos laboratórios também, já que eles têm interesse em lançar e vender novos analgésicos.

Com a queda nas vendas de opioides nos EUA, os fabricantes estão se voltando para outros países – entre eles, o Brasil. Nosso mercado é um filão largamente inexplorado, pois os médicos brasileiros não têm o costume, como os americanos, de receitar indiscriminadamente esse tipo de remédio (segundo a Sociedade Brasileira para Estudos da Dor, que reúne médicos especialistas no tema, o Brasil é um dos países com menor consumo de opioides per capita).

No ano passado, o laboratório Mundipharma, que produz o OxyContin, patrocinou um seminário no Rio de Janeiro. Tema: dores crônicas, e o uso de opioides para tratá-las. Foi um evento restrito a médicos, mas um repórter do jornal Los Angeles Times, que estava investigando a expansão internacional do OxyContin, teve acesso ao conteúdo. Um momento chama a atenção: a Mundipharma teria dito aos médicos presentes que 80 milhões de brasileiros sofrem de dor crônica.

E a semente de papoula?
No Brasil, o cultivo da papoula é proibido pelo Ministério da Saúde. Mas você consegue encontrar, em lojas de culinária, saquinhos de semente de papoula: um ingrediente que pode ser usado em bolos, biscoitos e pães caseiros, e também adicionado a saladas e molhos. Essas sementes não contêm nenhuma substância entorpecente (o ópio é produzido com a flor da papoula, não com as sementes). Elas são importadas, e só podem entrar no Brasil se o comerciante provar que não possuem capacidade germinativa, ou seja, são estéreis (para isso, basta torrar as sementes). Se você tentar plantá-las, não nascerá nenhuma flor.

Se você aplicar a mesma lógica adotada pelos médicos americanos (de que toda dor crônica pode e deve ser tratada com opioides), inevitavelmente chegará a uma conclusão: esse é o mercado potencial, no Brasil, para esse tipo de remédio. 80 milhões de pessoas.

 “Segundo uma pesquisa encomendada pela Mundipharma, 15% a 40% dos brasileiros sentem algum tipo de dor crônica, de vários tipos”, afirma Nestor Sequeiros, presidente da empresa. Isso significa, então, que seria correto dar OxyContin em todos esses casos? “Somente o médico pode avaliar a necessidade de cada paciente”, diz.

Também foi perguntado à empresa se receitar o remédio para milhões de brasileiros não poderia acabar detonando uma epidemia de viciados, como nos EUA. “Embora a situação fora dos EUA seja muito diferente, com pouco abuso de medicamentos, nós apoiamos os esforços para minimizar esse risco no Brasil”, diz Sequeiros.

A Mundipharma (que pertence à família americana Sackler, dona de uma fortuna de US$ 13 bilhões) reconhece que o abuso de opioides pode causar dependência e morte, e diz que investe em treinamento para médicos e no desenvolvimento de tecnologias de segurança. O próprio OxyContin já tem um mecanismo do tipo: ele libera a oxicodona aos poucos, o que em tese diminuiria o risco de overdose. Na prática, não foi o suficiente para evitar problemas.

Diferentemente de outros medicamentos com ação psicoativa, como ritalina ou Rivotril, o OxyContin não é tarja preta. Ele é vendido com tarja vermelha, a mesma usada para remédios bem mais corriqueiros. A Anvisa diz que isso não compromete a segurança da população, pois o OxyContin só é vendido mediante apresentação de receita de controle especial em duas vias, uma das quais fica retida na farmácia. Mas, diferentemente do que acontece com os medicamentos tarja preta, cuja receita é impressa num papel amarelo especial, a receita da oxicodona é um papel sulfite branco preenchido com os dados do médico – coisa que viciados no medicamento, que como a recepcionista no início do artigo, conseguem falsificar.

A próxima geração
Enquanto o Brasil entra na mira do OxyContin, os laboratórios farmacêuticos preparam os sucessores dele. Em 2014, chegou ao mercado americano o mais polêmico: o Zohydro, dez vezes mais potente que os outros. É tão forte, mas tão forte, que apenas dois comprimidos já podem levar à morte (para crianças, basta um). A Food & Drug Administration (FDA), que regula os medicamentos nos EUA, não queria deixar o produto chegar ao mercado – seus conselheiros votaram, por 11 a 2, contra o lançamento dele. Sob pressão, a agência acabou liberando o remédio alguns meses depois. Ele é produzido pelo laboratório americano Alkermes – que também vende o remédio Vivitrol, para tratar viciados em opioides.

Neste ano, pela primeira vez a FDA tirou do mercado um opioide, o Opana ER. Ele tinha um mecanismo de segurança: liberava seu princípio ativo lentamente, ao longo de 12 horas. Por isso, não dava “barato”. Pelo menos em tese. Os usuários descobriram que bastava amassar o comprimido e inalar o pó para ter a mesma lufada de prazer. Então seu fabricante, o laboratório Endo Pharmaceuticals, reformulou a droga: revestiu a pílula para impedir que fosse esmagada. Mas os viciados logo aprenderam como tirar a proteção e injetar o pó do remédio na veia. Muitos compartilhavam as agulhas – o que causou um surto de HIV nos Estados Unidos.

Enquanto a epidemia rola solta por lá, o alarme começa a soar no Brasil. “Um sinal de que o uso de opioides é um problema aqui são as chamadas ‘populações escondidas’, que não participam das grandes pesquisas”, diz Danilo Baltieri, da Faculdade de Medicina do ABC. É o caso de anestesistas, enfermeiros e cirurgiões, que têm acesso a medicamentos potentes. “O uso de opioides está aumentando nesses grupos”, afirma. “Também cresce o uso entre pessoas que já têm dependência de alguma droga e querem experimentar novas”, diz Arthur Guerra, da USP.

O vício em opioides é tratado com metadona: um opioide sintético mais leve, que alivia os sintomas de abstinência provocados pela falta do medicamento. O problema é que a pessoa adquire um novo vício, em metadona – que é menos agressiva, mas também pode ser um problema. E nem sempre funciona. “Eu comecei a fazer tratamento com metadona, mas não melhorei”, afirma a recepcionista.

Os opioides são tão viciantes que, nos Estados Unidos, o cerco a eles fez com que muitos usuários migrassem para drogas ilegais, como a heroína (nome popular da diamorfina, um opioide derivado da papoula). Tanto que o número de mortes por heroína quase quadriplicou por lá desde 2010. “Hoje, 80% dos novos usuários de heroína começaram nos analgésicos opioides, prescritos por um médico”, diz Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional Contra o Abuso de Drogas (NIDA), dos EUA.

E o mercado ilegal tem se mexido para atender à multidão de viciados. Um dos novos produtos é uma mistura de heroína com fentanil – um opioide sintético, que não leva papoula na composição, mas é cem vezes mais potente que a morfina. Bastam 2 miligramas desse coquetel para matar. Foi o que aconteceu em junho com o menino Alton Banks, de 10 anos. Ele não resistiu após ter contato (não se sabe como) com uma mistura de fentanil com heroína. Em maio, o policial Chris Green quase morreu após vistoriar um carro de traficantes. Ele passou a mão na camisa para limpar um pó branco – que era fentanil com heroína. Acabou inalando uma quantidade ínfima do produto suspenso no ar, e só sobreviveu após tomar quatro injeções de naloxona, um antídoto. Nos EUA, as mortes por por esse remédio (tanto o oficial quanto o ilegal, misturado com heroína) dobraram no ano passado.

Resultado de imagem para carfentanil
Carfentanil
Mas nada se compara ao carfentanil, que é 10 mil vezes mais potente do que a morfina e já matou algumas centenas de pessoas nos EUA e no Canadá este ano. Seus criadores estavam fazendo experiências com a estrutura molecular do fentanil, nos anos 1970, mas acabaram criando algo forte demais. Tanto que o carfentanil nunca foi liberado para uso em seres humanos. Só pode ser vendido para uso veterinário – em elefantes. Ele é tão potente que os EUA temem que seja usado como arma química. De certa forma, os opioides já estão sendo – na farmácia mais próxima de você!







Fonte: Eduardo Sklarz e Bruno Garattoni/Super