sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Proibir ou não a tela para as crianças?


Resultado de imagem para celularfaz mal para crianças


Nesta era tecnológica, o castigo que muitos pais dão aos filhos é proibi-los de usar o celular. E o bom comportamento pode ser  recompensado com uma horinha a mais no tablet. Mas um estudo da Universidade de Guelph, no Canadá, afirmou que essas iniciativas aumentam a vontade das crianças de ficar em frente à tela.

Dados recentes estimam que crianças de até 8 anos passam em média 2 horas e 20 minutos na frente de aparelhos eletrônicos por dia. E os pesquisadores descobriram que crianças cujos pais usam tempo de tela como castigo ou recompensa passam mais tempo em frente a smartphone, tablet, computador ou televisão que aquelas que os pais não usam esse artifício.

“É semelhante a como não devemos usar guloseimas açucaradas como recompensa para crianças. Isso pode aumentar a atração por elas”, disse o professor de nutrição Jess Haines, co-autor do estudo. “Quando você dá comida como recompensa, faz as crianças gostarem menos da cenoura e mais do bolo. É a mesma coisa com o tempo de tela.”

Para investigar o impacto das práticas parentais no comportamento das crianças, os pesquisadores resolveram analisar bebês e crianças em idade pré-escolar. Segundo eles, é nesse período que os hábitos futuros em relação as telas irão se estabelecer. Participaram do estudo 62 crianças, entre 1 ano e seis meses e cinco anos de idade — e 68 pais.

A conclusão do estudo mostra que a quantidade de tempo que as crianças passam em frente às telas é muito influenciada pelo comportamento dos pais. Quando os pais ficam em frente à tela na presença dos filhos, as crianças se sentem no direito de ficar também, e isso aumenta o tempo que elas passam usando aparelhos eletrônicos.

Outra ponto destacado pelo estudo é que faz mal para as crianças usar esses aparelhos durante as refeições — pois é um momento único que a família tem para conversar e se conectar.

Por fim, apareceu a questão da recompensa: os pais usam cada vez mais o tempo de tela como uma forma de controlar o comportamento dos filhos. Vista com maus olhos pelos especialistas, essa prática também foi comprovada por números: crianças pequenas que convivem com esse hábito como “prêmio” passam, em média, 20 minutos a mais em frente às telas no fim de semana. Pode parecer pouco. Porém, segundo os pesquisadores, o fim de semana é um período que as crianças poderiam estar aproveitando de outras maneiras com os pais ou amigos.

Atualmente, apenas 15% dos pré-escolares canadenses atendem às Diretrizes Canadenses de Comportamento Sedentário, que recomenda no máximo uma hora de tempo de tela recreativa por dia para crianças. Ainda segundo o documento, aquelas com menos de dois anos de idade não devem ficar em frente a essas telas em nenhum momento.

Os pesquisadores afirmam que é importante entender os fatores que influenciam o aumento do tempo de tela das crianças, porque essa atividade sedentária está associada a um maior risco de obesidade, bem como piores habilidades acadêmicas e sociais no futuro. “Nossa esperança é que essas descobertas possam nos ajudar a armar os pais que estão entrando em um mundo onde as telas são onipresentes”, disse Lisa Tang, autora do estudo.











Fonte: Superinteressante






quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Prevenção contra doenças infectocontagiosas!


Resultado de imagem para doencas contagiosas

A lista de doenças infecciosas, causadas por micro-organismos como vírus, bactérias, protozoários e fungos, é enorme. Para muitas existem vacinas, mas uma parte significativa não conta com proteção - apenas medidas paliativas de prevenção.

Entre as principais, ainda com alta incidência no Brasil, de acordo com Alexandre Naime Barbosa, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), e Rosana Richtmann, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, estão aids, hanseníase, hepatite C, malária e sífilis. A boa notícia é que elas têm tratamento, e com excelentes prognósticos. A seguir, saibam o que são exatamente estas patologias, seus sintomas, tratamentos e formas de evitá-las.

Aids
O que é: trata-se de uma infecção sexualmente transmissível (IST) provocada pelo HIV, um retrovírus que ataca o sistema imunológico. Ele é transmitido pelo sexo vaginal, anal e oral sem camisinha, uso de seringa e instrumentos perfurocortantes contagiados, transfusão de sangue contaminado e de mãe infectada para o filho durante a gravidez, no parto ou na amamentação.

É importante destacar que ter HIV não é o mesmo que ter aids - há muitas pessoas soropositivas (que possuem o vírus em seu corpo) e que passam anos sem apresentar qualquer sintoma e sem desenvolver a doença. sigla "aids" significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, e refere-se à doença criada pelo vírus.

Sintomas: na fase inicial, chamada de infecção aguda, a enfermidade pode ser facilmente confundida com uma simples gripe, pois provoca febre e mal-estar. Outros sinas comuns são manchas pelo corpo, gânglios no pescoço e dor de garganta. Segundo o Ministério da Saúde, a fase seguinte, que é assintomática e pode durar vários anos, "é marcada pela forte interação entre as células de defesa e as constantes e rápidas mutações do vírus".


Depois vem a fase em que os sintomas aparecem: diarreia, febre, astenia (perda ou diminuição da força física), sudorese noturna e perda de peso superior a 10%. Com o passar do tempo, a imunidade vai ficando cada vez mais baixa, favorecendo o surgimento de doenças como hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmoses e até alguns tipos de câncer.

Prevenção contra aids: uso de preservativos (feminino ou masculino) em todas as relações sexuais, realização de pré-natal, no caso das gestantes, e utilização de seringas e agulhas descartáveis e luvas para manipular feridas e líquidos corporais
Diagnóstico e tratamento: o diagnóstico da aids é feito por exame de sangue, e o tratamento se dá com a combinação de medicamentos antirretrovirais (ARV) , cujas funções são impedir a multiplicação do HIV no organismo e evitar o enfraquecimento do sistema imunológico para, assim, melhorar a qualidade de vida e prolongar a sobrevida. O paciente precisará tomar os remédios para o resto da vida.

Prevenção: uso de preservativos (feminino ou masculino) em todas as relações sexuais, realização de pré-natal no caso das gestantes, e utilização de seringas e agulhas descartáveis e luvas para manipular feridas e líquidos corporais.

Incidência no Brasil: em 2017, foram diagnosticados 42.420 novos casos de HIV e 37.791 de aids, com uma taxa de detecção de 18,3/100.000 habitantes. O número de mortes foi de 11.463. De 1980 a junho de 2018, o Ministério da Saúde registrou 982.129 casos de aids.

Hanseníase
O que é: antigamente conhecida como lepra, é uma doença crônica, infectocontagiosa, curável e que acomete, principalmente, pele e nervos periféricos. Ela é causada pelo bacilo Mycobacterium leprae e sua transmissão ocorre pelo contato com a tosse e o espirro, e pelo contato próximo e prolongado com pessoas infectadas.

Sintomas: variam conforme os seis tipos de doença, mas os mais comuns são, segundo o Ministério da Saúde, "manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas, em qualquer parte do corpo, aliadas à perda ou alteração de sensibilidade térmica (calor e frio), ao tato e à dor, principalmente nas extremidades das mãos e dos pés, na face, nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas".

Para diagnosticar a hanseníase é preciso fazer exames clínicos, dermatoneurólogicos e de sensibilidade
Diagnóstico e tratamento: para diagnosticar a hanseníase é preciso fazer exames clínicos, dermatoneurólogicos e de sensibilidade. O tratamento é ambulatorial (sem a necessidade de internação) e feito com o uso de antibiótico poliquimioterápico. A duração é determinada pelo médico - pode ser de seis meses a dois anos. Com tratamento correto, ininterrupto e feito logo nos estágios iniciais da doença, a hanseníase tem cura. O Ministério da Saúde informa que, durante o tratamento, os pacientes deixam de ser contagiosos e, portanto, não precisam ficar em isolamento.

Prevenção: para não contrair hanseníase é fundamental evitar o contato com pessoas infectadas. Fora isso, quando a doença já está presente, a melhor forma de prevenir a instalação de deficiências e incapacidades físicas é o diagnóstico precoce.

Incidência no Brasil: no período de 2008 a 2016 foram notificados 301.322 casos em todo o país, dos quais 21.666 (7,2%) eram em menores de 15 anos de idade.

Hepatite C
O que é: causada por vírus (HCV), a hepatite C provoca inflamação no fígado. Sua transmissão se dá pelo contato com sangue, por meio de compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos contaminados. Também pode ocorrer em procedimentos cirúrgicos, odontológicos, hemodiálise, transfusão e endoscopia quando as normas de biossegurança não são aplicadas e, menos comumente, no parto e durante o sexo desprotegido.

Sintomas: nem sempre a doença apresenta sintomas, e muitas vezes eles são inespecíficos, o que torna seu diagnóstico mais difícil. De toda forma, alguns deles são fraqueza, pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, mal-estar, tontura, vômito e febre baixa.

O Ministério da Saúde informa que quando o vírus persiste por mais de seis meses, o que é comum em até 80% dos casos, caracteriza-se a evolução para a forma crônica. Nessa situação, cerca de 20% dos infectados correm o risco de desenvolver cirrose hepática e, de 1% a 5%, câncer de fígado.

Diagnóstico e tratamento: a hepatite C, diagnosticada através de exame de sangue, tem tratamento com grandes chances de sucesso (de 90% a 95%) quando seguido corretamente. Normalmente, ele é realizado por cerca de três meses com o uso de antivirais de ação direta.

Prevenção: evitar a doença é até fácil: basta não compartilhar itens pessoais, como escova de dente, aparelho de barbear, alicate, seringa e agulha; certificar-se de que os objetos que serão utilizados em salões de beleza e de tatuagem, por exemplo, foram devidamente esterilizados e usar preservativo. Fora isso, toda mulher grávida precisa fazer no pré-natal os exames para detectar a patologia.

Incidência no Brasil: pelos dados do Ministério da Saúde, de 1999 a 2017, foram 200.839 casos da doença - só no ano passado foram 23.070, sendo que mais de 70% das mortes por hepatites virais foram causadas pelo tipo C.

Malária
O que é: trata-se de uma doença infecciosa febril aguda, não contagiosa, causada por protozoários Plasmodium - há mais de 100 tipos -, transmitidos pela fêmea infectada do mosquito Anopheles.

Sintomas: o principal é febre alta, de 38º ou 39º, com calafrio, tremor e sudorese. Ela pode ocorrer de forma cíclica, indo e voltando a cada três dias, mais ou menos. Antes disso, é comum o paciente sentir náusea, cansaço e falta de apetite. Na forma grave ainda pode haver prostração, alteração da consciência, falta de ar ou hiperventilação, convulsão, hipotensão arterial ou choque e hemorragia.

Diagnóstico e tratamento: após o diagnóstico, feito através de exame de sangue, o tratamento é realizado com medicamentos, sendo que a sua escolha depende de alguns fatores, como espécie do protozoário infectante, gravidade, idade do doente e condições associadas (gravidez e outros problemas de saúde, por exemplo).

Em todo o território nacional, dados preliminares do Ministério da Saúde revelam que, de janeiro a setembro de 2018, foram notificados 146.723 casos de malária. Em 2017, foram 194.425
Prevenção: ainda não existe vacina contra a malária, mas um grupo de pesquisadores do Centro de Terapia Celular e Molecular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP) está desenvolvendo uma para combater a forma com maior distribuição geográfica e maior prevalência nas Américas, a vivax.

Enquanto ela não é lançada, o importante é evitar a todo custo ser picado pelo mosquito transmissor - sobretudo na região da Amazônia, onde são registrados 99% dos casos no Brasil. As recomendações pessoais são não se expor no fim da tarde sem proteção; usar roupas de cores claras e que cubram a maior extensão possível do corpo; não passar perfume; aplicar repelente de ação prolongada e instalar mosquiteiro para dormir e telas nas janelas e nas portas. Fora isso, é fundamental desmantelar os locais com água parada, que são os criadouros dos mosquitos.

Incidência no Brasil: em todo o território nacional, dados preliminares do Ministério da Saúde revelam que, de janeiro a setembro de 2018, foram notificados 146.723 casos de malária. Em 2017, foram 194.425 - um aumento de mais de 50% em relação ao ano anterior. Uma hipótese para explicar o crescimento é de que as autoridades tenham "baixado a guarda" contra a doença, após anos de queda nas infecções.

Sífilis
O que é: infecção sexualmente transmissível (IST) exclusiva do ser humano, causada pela bactéria Treponema pallidum. A patologia tem diferentes estágios (primário, secundário, latente e terciário) e dois tipos: adquirida, quando é transmitida pelo sexo sem camisinha com uma pessoa infectada, e congênita, quando é passada para o bebê durante a gestação ou o parto.

Sintomas: assim como acontece com a hepatite C, esta doença praticamente não apresenta sintomas na fase primária. O que pode ocorrer é o surgimento de ferida no pênis, vulva, vagina, colo uterino ou ânus. Na maioria dos casos ela não coça, dói ou arde e se cura sozinha, fazendo com que o infectado não procure o médico.

Na etapa secundária, manchas pelo corpo, febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas são comuns. A latente, dividida entre recente (até 1 ano de infecção) e tardia (mais de 1 ano de infecção), é assintomática.

Já na terciária, os sinais surgem em um período variável de 2 a 40 anos do contágio e incluem lesões em diversos órgãos e tecidos, podendo ter como consequência demência, aneurisma da aorta e artrite, entre outras. No caso da sífilis congênita, os riscos são aborto, má formação do feto e surdez, cegueira, deficiência mental e até morte do bebê ao nascer.

O teste para diagnóstico da sífilis é simples e rápido, feito por meio de exame de sangue e/ou esfregaço de lesão cutâneo-mucosa.
Diagnóstico e tratamento: o teste para diagnóstico da sífilis é simples e rápido, feito por meio de exame de sangue e/ou pela análise laboratorial de lesões na pele. Uma vez confirmada a doença, o tratamento é realizado apenas com penicilina - a dosagem é definida de acordo com o estágio.

Prevenção: a sífilis é prevenida com o uso regular de camisinha (feminina ou masculina) e acompanhamento das gestantes.

Incidência no Brasil: de acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde, a taxa de detecção da enfermidade do tipo adquirida passou de 44,1 casos/100.000 habitantes em 2016 para 58,1/100.000 habitantes em 2017. Quando se trata da congênita, no ano retrasado foram 21.183 registros e 195 mortes, e, no passado, 24.666 e 206, respectivamente.

Vacina
De acordo com o Ministério da Saúde, neste momento não há perspectiva de oferta de vacina para qualquer uma dessas doenças pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pois ainda não existem no país produtos devidamente registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em nota, o MS explica que as estratégias de vacinação no Brasil, bem como a inclusão de novas vacinas no Programa Nacional de Imunizações (PNI) e o estabelecimento de grupos populacionais a serem cobertos, são decisões respaldadas em "bases técnicas, científicas e logísticas, evidência epidemiológica, eficácia e segurança", somadas à garantia da sustentabilidade da estratégia adotada para a vacinação e de custo-benefício econômico: se reduz os custos com tratamentos, hospitalizações, dias de trabalho/estudo perdidos pelo paciente e/ou seus familiares e sobrevida.







Fonte: BBC







segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Presidente novo que quer recriar antigos problemas !

Resultado de imagem para Bolsonaro

Desde que foi eleito, em 28 de outubro de 2018, as propostas do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, são recebidas com um misto de espanto e rejeição no Velho Continente, que ainda espana com dificuldade as cinzas do fascismo dos ombros de sua história. Com exceção dos governos considerados populistas, como a Itália de Matteo Salvini ou a Hungria de Viktor Orban, as democracias europeias tradicionais veem com desconfiança o projeto ultraconservador de Bolsonaro, que desafia em diversos momentos os cânones republicanos da política continental do bloco.

Na França, onde a imprensa assume abertamente suas cores políticas, as críticas a Jair Bolsonaro chegam de todos os lados: jornais e revistas de direita e esquerda encontram dificuldade em simpatizar com a polêmica figura do novo presidente brasileiro, e seu projeto de governo.

A começar pelo slogan, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, considerado por France Info como uma “réplica assumida” do hino nazista Deutschland über alles (“Alemanha acima de tudo”, em português).  O programa de governo é considerado propositalmente difuso e pouco objetivo, para “não ter que se explicar posteriormente com a população”. Assustada pelo populismo que assinou o cheque do Brexit e a ascensão de Trump na maior economia do mundo, a Europa lida ainda com velhas feridas de guerra e tem problemas para controlar os novos fantasmas do fascismo no continente.

Apresentado pela unanimidade da imprensa europeia como um representante da extrema direita, Bolsonaro, muitas vezes chamado de “Trump tropical”, foi descrito pelo jornal Le Monde como “um chefe de Estado que mistura paranoia e ódio ao socialismo”, representante de uma “corrente, defendida [pelo ex-conselheiro de Trump] Steve Bannon, que mistura antiglobalização, xenofobia e fé cristã”.

“Cidadãos de bem”

O projeto para a segurança pública defendido pelo novo presidente brasileiro, que promete liberar o porte de armas para “cidadãos de bem”, também foi fortemente criticado pelo vespertino francês, que cita um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado em 2015, mostrando que a lei brasileira de 2003 que proibiu o livre porte de armas “salvou 121.000 vidas em 10 anos, freando a onda de homicídios”.

A chamada “carta branca de Bolsonaro a policiais e militares” também chocou os franceses, que veem em suas declarações “uma situação inédita e perigosa para a democracia, onde se pode atirar sem investigações ou consequências”, segundo o jornal Libération. Incompatível com a tradição republicana europeia, o desmonte institucional brasileiro deixou perplexa a rádio France Info, que chamou o programa de Bolsonaro de “projeto fascista para o Brasil”.

Brasil à venda não vai pagar a dívida interna, segundo imprensa europeia

France Info considera o programa econômico de Jair Bolsonaro “claramente neoliberal, mesmo se ele defendeu anteriormente, em sua vida parlamentar, o modelo estatista”. “O presidente de extrema direita se comprometeu em lançar um vasto programa de privatizações de empresas públicas e propriedades agrícolas do Estado, para obter um lucro de RS$ 1 trilhão”, diz Le Monde.

“Um número maluco, segundo especialistas, e que, de toda maneira, é incapaz de sanar a dívida pública, que representa mais de 80% do PIB do país”, avalia o jornal francês. A medida foi considerada um “tratamento de choque” pelo diário econômico Les Echos, que ressaltou, no entanto, o “otimismo dos mercados” com “a política ultraliberal do ex-banqueiro e novo ministro da Economia, Paulo Guedes”. “Mesmo que tudo seja vendido, não será suficiente. Mas isso significa uma completa liquidação de toda a participação do Estado na economia e a limitação do Estado em funções soberanas: Exército, polícia, justiça”, analisa a historiadora Maud Chirio no site de France Info.

A imprensa europeia noticiou também o vídeo publicado nas redes sociais pelo então candidato em 21 de outubro de 2018, onde prometia “acelerar a grande limpeza do país dos marginais vermelhos e dos bandidos esquerdistas”, deixando a seus adversários “a escolha entre o exílio ou a prisão”. O jornal britânico The Guardian repercutiu a polêmica declaração, falando em “expurgo político de adversários”, citando o famoso slogan da ditadura militar brasileira (1964-1985): “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

Educação de olho no passado

Num continente laico, onde a separação entre Igreja e Estado [o chamado secularismo europeu] é lei, a figura de Bolsonaro, frequentemente descrito como “fervoroso católico, conservador e apoiado por cristãos evangélicos”, choca a sociedade. “Bolsonaro é o arauto da família tradicional, não hesitando em “denunciar notícias falsas”.

Fazendo eco à “guerra cultural” contra o marxismo e a “ideologia de gênero”, uma verdadeira caça às bruxas iniciada pelo premiê Viktor Orban na Hungria nos últimos anos, Bolsonaro denunciou durante a campanha presidencial uma suposta “doutrinação de crianças à homossexualidade orquestrada pelo Partido dos Trabalhadores”, relatou a historiadora francesa Maud Chirio ao site de France Info. A estratégia deu certo e foi amplamente reproduzida por seus seguidores nas redes sociais.

Outro fato que deixou perplexos os europeus foi a figura de Jair Bolsonaro na televisão, em agosto de 2018, quando o candidato de extrema direita brandiu a versão em português do Guide du zizi sexuel, e garantiu que o famoso livro ilustrado pelo desenhista Zep, que visa explicar a sexualidade às crianças, fazia parte de um “kit gay” “transmitido nas escolas brasileiras para promover a homossexualidade e seria” uma porta aberta para a pedofilia”. “Um manual que, na realidade, nunca foi distribuído para as escolas”, afirmou Le Monde.

Ameaça ao Meio Ambiente

Ponto de honra na política e na diplomacia europeia contemporânea, os programas de defesa do Meio Ambiente e as medidas contra o aquecimento global são respeitados e se tornaram divisas para o comércio de commodities. Por esta razão, as declarações e ações de Bolsonaro neste setor inquietam particularmente os europeus, como a ideia de fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, com um propósito claro, segundo Maud Chirio: favorecer o agrobusiness, principal cavalo de batalha do comércio exterior brasileiro, um setor que não aprecia medidas e acordos internacionais que regulam o uso de terras protegidas e recursos naturais. O novo presidente brasileiro chegou mesmo a falar em “acabar com o ativismo ecologista xiita”.

Segundo o correspondente francês da RFI no Rio de Janeiro, François Cardona, “Jair Bolsonaro não esconde sua intenção de autorizar projetos industriais, hidráulicos e de mineração em áreas protegidas: da Amazônia, por exemplo. Entre a defesa da natureza e os interesses dos grandes latifundiários, o candidato de extrema direita escolheu o seu lado de maneira inequívoca”, afirmou Cardona.

As ameaças de Bolsonaro de seguir o exemplo de seu mentor, Donald Trump, e deixar o Acordo de Paris, podem, no entanto, trazer consequências para a balança comercial brasileira no exterior. Entre promessas de campanha e atos presidenciais, resta saber se as diferenças entre o governo brasileiro e a comunidade europeia serão amplamente assumidos em termos de diplomacia internacional, e suas devidas consequências econômicas para o Brasil.









DCM





domingo, 2 de dezembro de 2018

Entenda as Superbactérias!


Resultado de imagem para superbacterias


Siga o conselho do seu médico: o uso indevido de antibióticos ajuda na criação de bactérias imunes a eles – um problema que pode causar mais de 10 milhões de mortes em 2050.

Quem já precisou de antibióticos para tratar de uma infecção deve ter ouvido as mesmas recomendações: tomar sempre no mesmo horário, não interromper o tratamento antes do fim, evitar bebidas alcóolicas etc. Pode parecer meramente protocolar, mas esses pedidos do médico visam a evitar a resistência bacteriana.


Naturalmente, as bactérias passam por um processo de mutação que, com o tempo, faz com que os antibióticos percam o efeito elas. Funciona assim: a pressão seletiva do remédio faz com que apenas os organismos imunes a ela sobrevivam. São eles, então, que passarão os genes adiante, forçando a criação de medicamentos mais potentes.

Excluindo métodos alternativos (como a fagoterapia, que combate bactérias utilizando vírus especiais), não há muito como fugir do ciclo da resistência bacteriana. No entanto, o uso indevido e excessivo de antibióticos – além de sua utilização na agropecuária e a falta de saneamento básico – aceleram esse processo, o que pode trazer graves consequências no futuro.


Atualmente, a resistência bacteriana causa 700 mil mortes por ano. Mas um relatório do Reino Unido sobre o tema, lançado em 2014, fez uma previsão preocupante: em 2050, esse número pode chegar a 10 milhões de pessoas, superior doenças como o câncer (8,2 milhões).

A pesquisa analisa ainda que o impacto econômico do crescimento desse problema pode representar um queda de até 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial – algo em torno de US$ 100 trilhões.

No Brasil, o problema também já deu as caras. Há registros em diversos estados brasileiros de surtos de KPC, uma superbactéria que ataca em ambientes hospitalares (um dos mais propícios para o surgimento de organismos resistentes). Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ela era a maior causa de infecções no sangue de pacientes de UTI no Brasil. Imune a diversos antibióticos, ela causa doenças como pneumonia e infecções generalizadas.

Como combater as superbactérias?

De maneira geral, o governo precisa implementar políticas de melhorias em saneamento básico, organizar campanhas de conscientização para a população e fiscalizar o uso de antibióticos na agricultura e pecuária. Mas, enquanto isso não acontece, médicos e pacientes podem seguir algumas recomendações.

“Acertar no antibiótico correto para cada tipo de infecção é extremamente importante”, disse Flávia Rossi, médica do Hospital das Clínicas de São Paulo e integrante de um grupo de vigilância sobre o fenômeno da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ela explica que é preciso detectar qual é a bactéria causadora do problema o quanto antes para que seja usado o remédio adequado. “Vale dizer que existem bactérias ‘do bem’, que ajudam em certas funções do corpo e podem ser afetadas com um medicamento incorreto”, completa.

As doses indicadas pelos médicos são estabelecidas de acordo com a doença e devem ser seguidas até o fim para evitar que as bactérias voltem mais fortes. Em outras palavras, nada de interromper o tratamento, mesmo que você já esteja melhor.

Lembra da regra sobre o consumo de álcool? Ela tem uma explicação: bebidas alcóolicas são diuréticas – fazem com que você vá mais vezes ao banheiro. Só que urinar em excesso pode diminuir a concentração do remédio no sangue, atrapalhando o tratamento. Outra prática que pode interferir na dosagem correta é o hábito de cortar as pílulas ao meio. Sim, algumas são grandes e difíceis de engolir. Mas vale o esforço.





Fonte: Superinteressante



quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O preservativo que reduz as dst's!

Image result for camisinhas

Com o objetivo de estimular o uso da camisinha, cientistas desenvolveram preservativos de látex que se autolubrificam quando em contato com fluidos corporais.

Além de promover maior conforto, dizem os pesquisadores, a inovação traria mais segurança aos usuários, já que a falta de lubrificação pode fazer com que a camisinha saia do lugar durante a relação.

Quando usada corretamente, a camisinha é um contraceptivo eficaz e protege contra doenças sexualmente transmissíveis - a questão é que nem todo mundo gosta de usá-la.

Em artigo publicado na revista acadêmica Royal Society Open Science, os autores dizem que esses problemas seriam resolvidos com o novo produto - cujo desenvolvimento foi patrocinado pela Melinda Gates Foundation, dedicada a pesquisas na área da saúde -, já que ele desliza melhor depois de entrar em contato com fluidos corporais.

A sensação maior de conforto, eles acrescentam, duraria até o fim da relação sexual.

Isso porque a camisinha é capaz de manter a textura por cerca de mil movimentos de penetração - em média, um ato sexual leva metade disso.

Outros preservativos, quando usados em conjunto com lubrificantes vendidos em embalagens, deslizam melhor no início, mas perdem a eficácia após 600 movimentos de penetração.

Um grupo de voluntários testou e deu notas às duas camisinhas, quanto à textura e deslizamento.

A maioria dos 33 homens e mulheres deu nota maior à camisinha que se autolubrifica.

"Não parece tão lubrificada quando você pega nela a seco, mas na presença de água e fluidos naturais, fica bem escorregadia. Só precisa de um pouco de fluido para ativar esse efeito", afirma o pesquisador Mark Grinstaff, da Universidade de Boston.

Os cientistas dizem que mais testes serão necessários para comparar o desempenho da camisinha autolubrificante na "vida real". Testes clínicos com casais devem começar no início do ano que vem, segundo Grinstaff.

Uma empresa ligada à Universidade de Boston planeja desenvolver o produto para venda comercial, mediante aprovação regulatória.

Conveniência
Nicola Irwin, da Queen's University, em Belfast, na Irlanda do Norte, é especialista em materiais de saúde de alta tecnologia. Ela diz que revestimentos "hidrofílicos" similares têm sido usados em cateteres urinários, para ampliar o conforto.

"Esses cateteres revestidos são, em geral, associados com uma aceitação maior que os cateteres sem revestimento ou outros dispositivos lubrificados a gel", afirmou Irwin, destacando que o cateter "hidrofílico" gera menor desconforto na inserção.

O objetivo da camisinha que se autolubrifica é garantir, além de conforto, mais segurança, já que a falta de lubrificação pode fazer com que o preservativo saia do lugar
Enquanto isso, pesquisadores da Universidade de Wollongong, na Austrália, têm usado hidrogel firme para fazer camisinhas autolubrificantes, em vez de látex e borracha. O resultado é um preservativo com uma textura mais parecida com a pele.

"Nós damos boas-vindas a inovações que encorajam o uso de camisinha, que é o único método contraceptivo que também ajuda a proteger contra DSTs. Então é importante que as pessoas se sintam confiantes e confortáveis ao usá-la", afirma Bekki Burbidge, da ONG FPA, voltada à saúde sexual.

"Lubrificação pode deixar o sexo mais confortável e proveitoso, então encorajamos que as pessoas a tentem diferentes tipos de lubrificantes à base de água, assim como diferentes tipos, tamanhos e texturas de camisinhas para encontrar as que melhor se adaptam elas a e que garantem maior prazer sexual."

Erros comuns no uso de camisinhas
- Produtos à base de óleo, inclusive alguns cremes de mão, podem danificar camisinhas de látex - portanto, é importante evitá-los. Use lubrificantes à base de silicone ou água.

- Nunca reutilize uma camisinha

- Tenha cuidado ao guardar as camisinhas, porque elas podem ser facilmente danificadas, especialmente se mantidas na carteira, bolso ou bolsa.

- Cheque a data de validade

- Quando colocar uma camisinha, é importante apertar a ponta para se livrar de qualquer resquício de ar. Se você não fizer isso, o preservativo pode romper.








Fonte : Michelle Roberts





segunda-feira, 15 de outubro de 2018

HPV - Como foi descoberto esse vírus?


Image result for hpv

No Brasil, o câncer de colo de útero é o terceiro mais frequente entre as mulheres e o quarto que mais mata. Ele é causado pelo HPV

Em junho de 1991, o imunologista escocês Ian Frazer voltou para casa animado.

"Eu disse a minha esposa que descobrimos algo no laboratório que, um dia, poderia ser muito útil", contou o médico à BBC News. E ele estava certo.

A descoberta seria o início de um processo que mudou a prevenção de um dos tipos mais letais de câncer para mulheres.

Frazer era professor da Universidade de Queensland, na Austrália, e estudava o HPV, que causa o câncer de colo de últero.

O que é HPV?
HPV é a sigla em inglês para papilomavírus humano. São vírus capazes de infectar a pele ou as mucosas oral, genital ou anal, tanto de homens quanto de mulheres - provocando, segundo o Ministério da Saúde, verrugas na região genital e no ânus, além de câncer, a depender do tipo de vírus.

Dos mais de 150 tipos diferentes do vírus, 13 são considerados de alto risco, podendo causar, além dos tumores cervicais, câncer de ânus, vulva, vagina e de pênis.

Altamente contagioso, muitas vezes assintomático e sem cura, ele é transmitido principalmente durante a relação sexual sem proteção e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é o vírus sexualmente transmissível mais comum.

"Aproximadamente 8 em cada 10 pessoas contrairão esse vírus em algum momento de suas vidas", segundo a ONG britânica Cancer Research, dedicada à pesquisas sobre a doença.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde divulgados em 2017 mostram que a prevalência do vírus na população é de 54,6% - sendo que 38,4% apresentaram HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer.

O HPV é responsável por 99% dos casos câncer de colo de útero. É o terceiro mais frequente entre as mulheres no país, o quarto que mais mata - e um dos poucos que podem ser prevenidos com vacina.

O organismo da maioria das pessoas combate o vírus e muitos nem chegam a saber que foram contaminados.

Para alguns, no entanto, as consequências dele podem ser fatais.

A caminho da vacina
Em 1989, Frazer estava em um período sabático na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e lá conheceu o cientista chinês Jian Zhou, que também estava interessado em pesquisas sobre o HPV.

Ele então o convidou para trabalhar em seu laboratório na Universidade de Queensland, na Austrália. Seu objetivo? Tentar encontrar uma vacina para o vírus.

Mas eles esbarraram em um problema fundamental.

Ao contrário da maioria dos vírus, o HPV não pode ser replicado em laboratório. E esse processo é essencial para desenvolver uma vacina.

Eles decidiram então superar o obstáculo de uma jeito muito especial: usando técnicas de engenharia genética para tentar copiar o vírus.

O HPV é responsável por 99% dos casos câncer de colo de útero e um dos poucos que podem ser prevenidos com vacina
Eureka!
Assim começou um meticuloso trabalho de pesquisa e experimentação que durou meses.

A lógica era que, se conseguissem replicar a camada externa do vírus, e se ela fosse idêntica à original, o organismo a identificaria e o sistema imunológico reagiria eliminando o vírus.

Dessa maneira, se no futuro a pessoa fosse infectada pelo HPV, o corpo o reconheceria e o eliminaria, impedindo assim que o vírus pudesse causar o câncer de cólo de útero.

"Nós tentamos 20, 30 vezes, até que finalmente conseguimos. A aparência do vírus que criamos era a do HPV. E isso nos deixou muito animados. Se uma vacina podia ser desenvolvida, aquela era a maneira de fazer", diz o imunologista.

Os cientistas patentearam a descoberta e, logo depois, empresas farmacêuticas começaram a contatá-los.

Sucesso e efetividade
A indústria americana Merck foi quem reproduziu em laboratório o que Frazer e Zhou fizeram.

Levaria anos, no entanto, até a vacina poder finalmente ser comercializada. A primeira versão, que contou com contribuições inovadoras de outro grupo de cientistas nos Estados Unidos, se concentrou em 2/3 dos tipos de HPV que causam o câncer de colo do útero.

Mais de 100 variedades foram identificadas, mas ao menos 13 estão associadas à doença, de acordo com a OMS.

Os estudos clínicos foram concluídos em 2001 e incluíram 6 mil mulheres que foram vacinadas e ficaram sob supervisão médica por 2 anos. A eficácia foi de 100%.

Como o vírus é transmitido através de relações sexuais e a vacina funciona naqueles que não contraíram a infecção, o momento ideal para a imunização é na infância, antes que a pessoa seja sexualmente ativa.

Os Centros dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças recomendam a aplicação de duas doses para meninos e meninas entre 11 e 12 anos.

Imunização no Brasil
No Brasil, desde 2014, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente a vacina contra o HPV para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos.

A indicação para esse grupo está relacionada a sua maior capacidade imunológica de desenvolver anticorpos: estudos sobre a eficácia da vacina em diferentes grupos etários mostraram que a resposta imunológica do organismo é mais alta na pré-puberdade. Por isso, a imunização em massa é para essa parcela da população, e não em adultos.

A vacina também é distribuída gratuitamente pelo SUS e é indicada para pessoas portadoras do vírus HIV e pessoas transplantadas na faixa etária de 9 a 26 anos. Para aqueles acima dessa idade, é necessário se vacinar na rede privada.

Outras formas de prevenção do vírus, porém, são importantes.

Entre elas estão o exame preventivo contra o HPV, o papanicolau - um exame ginecológico que não é capaz de diagnosticar a presença do vírus, mas é considerado o melhor método para detectar câncer de colo do útero e suas lesões precursoras.

Outra forma é o uso de camisinha masculina ou feminina nas relações sexuais. "Essa é outra importante forma de prevenção do HPV. Contudo, seu uso, não impede totalmente a infecção pelo HPV, pois, frequentemente as lesões estão presentes em áreas não protegidas pela camisinha (vulva, região pubiana, perineal ou bolsa escrotal)", diz o Ministério da Saúde em texto publicado no site








Fonte : BBC Brasil






domingo, 7 de outubro de 2018

Corrupção - Porque ela é tão arraigada no Brasil ?

Resultado de imagem para corrupcao

Ela existe em qualquer país, sob qualquer forma de governo, em qualquer instituição. É impossível exterminá-la, mas colocar rédeas nela é mais fácil do que parece. Saiba como.

Nada de floreios, brados moralistas ou frases de efeito de WhatsApp no estilo ”Por mais ética na política”, ”Por um Brasil melhor para os nossos filhos”, ”Vamos acabar com a corrupção”. Tampouco vale sacar velhos chavões para naturalizar a corrupção no País,  do tipo ”O brasileiro é corrupto por natureza”, ”A corrupção é um traço do Brasil desde o descobrimento”.

Corrupção faz, sim, parte da nossa história. Como faz parte também da história dos Estados Unidos, do Japão, da Suécia e de Cingapura – que, nas últimas cinco décadas, deixou de ser apontada como um dos países mais corruptos do mundo para se tornar um dos menos.


Da Grécia Antiga, quando o termo surgiu ligado à ideia de putrefação do corpo político, até hoje, referente ao uso de cargos públicos para ganhos privados, a corrupção faz parte da história de todos os países. O que muda, em cada caso, é a maturidade com que cada povo lida  com o problema.

Nesse quesito, convenhamos: a reação de boa parte dos brasileiros parece a de um adolescente bipolar. De um lado, indignação crescente diante de revelações diárias de bilhões de reais em recursos públicos desviados para favorecer empresas e partidos políticos. Do outro, certo cinismo, descrença e até uma convivência pacífica – muitas vezes complacente – com indivíduos e empresas que se beneficiam desses acordos. ”O controle da corrupção não pode ser travado nem com moralismo nem com cinismo”, diz o historiador da Unicamp Leandro Karnal. ”Brasília não é um mundo paralelo colonizado por extraterrestres, é um espelho da nossa sociedade.”.

Ou seja, para combater a corrupção, o primeiro passo é ter maturidade para deixar de vê-la apenas como algo distante, sempre relacionado ao outro. Mesmo assim fica a pergunta: será que a corrupção é uma marca da nossa formação? Vejamos.


Ainda no século 19, numa cidade do Nordeste, o prédio do tribunal demorou 20 anos para ser inaugurado. O superfaturamento foi tão grosseiro que um carpinteiro chegou a receber o equivalente a US$ 5 milhões em dinheiro de hoje por 30 dias de serviço. Outro trabalhador, responsável pela argamassa, recebeu atuais US$ 2 milhões por dois dias de serviço. Quando finalmente foi inaugurado, em 1881, o Tribunal do Condado de Nova York, no nordeste dos Estados Unidos, terminou custando o dobro do valor que o país pagara na compra do Alaska. À época, os desvios foram comandados por um dos mais corruptos e populares políticos da cidade, William M. Tweed, ou ”chefe Tweed” – no filme Gangues de Nova York, de Scorsese, é ele quem dá guarida ao açougueiro criminoso interpretado por Daniel Day-Lewis.

Das gangues de Tweed, no século 19, à renúncia de Richard Nixon, no século 20, os Estados Unidos sabem que a corrupção está sempre à espreita do poder – que o diga Francis Underwood, o inescrupuloso político de House of Cards, a série do Netflix. Nem por isso boa parte dos cidadãos de lá vive repetindo, como se ouve no Brasil, que a corrupção é uma espécie de marca genética do país desde a colonização. ”Culpar a herança da burocracia colonial pelos casos de corrupção atual no Brasil é apenas uma forma de jogar para o passado os pecados do presente”, diz o historiador americano Stuart Schwartz, professor de Yale e autor de Burocracia e Sociedade no Brasil Colonial. Como ficariam, então, as teses clássicas do Estado patrimonialista brasileiro (modelo em que o público e o privado se confundem), difundidas em obras como Os Donos do Poder, do jurista Raymundo Faoro, para quem o Estado e a sociedade no Brasil evoluíram separadamente?

”A ideia de Faoro de que o governo era sempre algo separado da sociedade brasileira encobre o fato de que o Estado representava, sim, interesses da sociedade, ainda que não de todos os grupos”, diz Schwartz. Para outros pesquisadores, interpretações simplistas dessa tese tornaram-se, com o tempo, muletas anacrônicas para não nos responsabilizarmos por nossas escolhas. ”Basta olhar para o Congresso para constatar que Brasília reflete muito bem, sim, a nossa sociedade”, diz Leandro Karnal. ”Estão lá evangélicos, empresários, sindicalistas, enfim, de Jean Wyllys a Bolsonaro, de Ronaldo Caiado a Luciana Genro, há tipos ideais de todos os segmentos da sociedade.” Para Karnal, a ideia de que, de um lado, existe um Brasil corrupto, de gente atrasada, ”da qual eu não faço parte”, é apenas um pretexto da sociedade de expiar seus demônios para longe, negando que a corrupção faz parte de uma rede ampla – e bem mais próxima do que se imagina.

Na mesma Avenida Paulista, em que milhares de pessoas protestaram contra a corrupção, estão localizados escritórios de empresas envolvidas na Lava Jato, incluindo as acusadas de formar um cartel que combinavam entre si a apresentação de propostas superfaturadas à Petrobras – por meio de propinas ou doações de campanha ao PT e aliados. Juntas, Odebrecht, OAS, Camargo Correa, Andrade Gutierrez, Promom, Mendes Júnior, UTC Engenharia, Queiroz Galvão, GDK,  Skanska, Techint, Setal, Grupo MPE, IESA, Grupo Engevix e Galvão Engenharia têm uma folha de funcionários de quase um milhão de pessoas.

 Rotular de corrupto os milhares de trabalhadores dessas empresas seria um erro semelhante ao de tachar todos os funcionários públicos de Brasília com o mesmo selo. Por outro lado, isso também deixa claro o quanto a corrupção está próxima da gente. Pense na rede de familiares e amigos desse milhão de pessoas e já temos uma parcela considerável da população brasileira. E isso tomando um único caso de corrupção, ainda que mastodôntico. 

De qualquer forma, vale também outro raciocínio aqui: se a participação dessas empresas pode ser justificada como mais um indício da nossa ”herança patrimonialista”, o que dizer, então, de multinacionais como a alemã Siemens, a japonesa Mitsui, a canadense Bombardier, a francesa Alstom, a espanhola CAF, entre outras envolvidas no cartel para as obras da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPMT), em São Paulo? ”De fato, a corrupção não é ‘privilégio’ do brasileiro e muito menos está em seu ‘DNA”’, diz Bruno Brandão, consultor no Brasil da Transparência Internacional, maior organização global de combate à corrupção, com sede em Berlim. ”Na verdade, ela aparece sempre que se produzem condições para sua ocorrência, mesmo nos países mais desenvolvidos.”.

Bruno lembra que, até poucos anos atrás, a Alemanha e a França chegavam a conceder incentivos fiscais para a prática de suborno internacional a suas multinacionais. As empresas podiam deduzir do imposto de renda os chamados ”gastos de facilitação”, suborno pago a autoridades em países onde tinham ou pretendiam ter negócios. ”Após muita pressão da Transparência Internacional e de outras entidades, a União Europeia estabeleceu uma regulação eliminando a prática que, combinada a outras medidas coercitivas, teve um grande impacto na redução desse tipo de corrupção”, diz o consultor. Mas como medir, de fato, se a corrupção de um país aumentou ou diminuiu?   

O banco mundial estima que, só em subornos, são gastos mais de um US$ 1 trilhão anuais no mundo – quase metade do nosso PIB. Mesmo assim, é impossível saber com precisão o real fluxo de recursos que vai para corrupção. A Transparência Internacional, então, criou o chamado Índice de Percepção da Corrupção. Ele é feito anualmente com base em pesquisas de organizações, como o próprio Banco Mundial, e entrevistas com diversos grupos (jornalistas internacionais, acadêmicos, diplomatas), para avaliar o grau de percepção da corrupção de um dado país. Com base nessas informações, os países são pontuados de zero (totalmente corrupto) a 100 (completamente limpo)

Corruptos

Claro que esses extremos são só uma referência. No ranking para valer, Somália e Coreia do Norte dividem a 174ª (e última) posição, com 8 pontos. E a Dinamarca lidera, com 92.   

Como o Brasil aparece ali? Com medíocres 43 pontos, na 69ª posição ao lado de Suazilândia, Bulgária, Grécia… Quando se olha apenas para a América do Sul, no entanto, nossa situação relativa parece menos vergonhosa. Ficamos em terceiro, à frente de oito países – graças ao mau desempenho de nações como Colômbia (com 37 pontos), Argentina (com 34 pontos) e Venezuela (19 pontos).

Ainda que seja possível detectar uma clara correlação entre pobreza e corrupção no índice, ela não é absoluta: a Itália divide a 69ª colocação com o Brasil, enquanto Uruguai e Chile (73 pontos) superam Áustria (72), França (69) e Coreia do Sul (55).  Mas talvez o dado mais curioso do índice seja outro: a constatação de que ideologia ou presença do Estado na economia não parece ter nenhuma relação direta com a corrupção. O índice mostra uma boa pontuação tanto para berços do liberalismo, como o Reino Unido (78), quanto para todos os países da Escandinávia, conhecidos pela forte presença do Estado e alta carga tributária. ”Com amplo setor público e governo intervencionista, a Suécia possui todas as características que, segundo a teoria econômica convencional, deveriam tê-la transformado em uma sociedade corrupta”, diz Cláudia Varejão, jornalista brasileira radicada na Suécia e autora do livro  Um País Sem Excelências e Mordomias. ”Até pela alta carga tributária, os suecos exigem acesso rápido à prestação de contas dos gastos dos políticos com o dinheiro do contribuinte”, ela completa. Duas vezes por ano, o país divulga listas dos investimentos privados de todos os ministros do governo, incluindo o nome dos fundos e dos bancos das aplicações. Um grau de tranparência que, para os nossos padrões, chega a ser ofuscante. Mas nem sempre a transparência resolve. É o que acontece com um dos maiores vetores de corrupção no mundo: o financiamento de campanhas.

O seu voto vale a mesma coisa que o de alguém que doou milhões de reais para o mesmo candidato? Provavelmente não. Esse desequilíbrio cria o que alguns analistas chamam de corrupção legal, ou corrupção institucional, aquela exercida estritamente dentro da lei. Um dos maiores propagadores desse conceito é o jurista americano Lawrence Lessig, professor de  Harvard. Lessig mostra que, nos EUA, 0,5% de superdoadores de campanhas são responsáveis por mais de 60% do financiamento arrecadado nas primeiras fases da eleição – o que inviabiliza candidatos que não são bons na captação de recursos.

O resultado, segundo o pesquisador, é a paralisação de basicamente qualquer projeto de lei que ameace os interesses desses doadores. No Brasil, algo semelhante vem acontecendo há algum tempo. De acordo com dados da Transparência Brasil, 7% das empresas doadoras concentraram 64% do financiamento de campanha nas eleições de 2010 (que consumiram quase meio bilhão de reais em doações, diga-se).

A não existência de almoço grátis também se manifesta aqui, lógico. E a conta aparece em escândalos como a Lava Jato: ”Não existe doação de campanha. São empréstimos a serem cobrados posteriormente, com juros altos, dos beneficiários das contribuições quando no exercício do cargo”. Quem disse isso, veja bem, não foi nenhum cientista político, mas um corrupto confesso: o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa, em delação premiada à Polícia Federal.
 
Apesar de não haver consenso quanto à melhor  forma de acabar com esse toma-lá-dá-cá, nenhuma entidade de combate à corrupção discorda de que é preciso, sim, diminuir o peso das contribuições privadas. Algumas delas, como a Transparência Internacional, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e a Ordem dos Advogados do Brasil defendem a total eliminação de doações de empresas privadas, além de pedirem contenção nos gastos de campanha. ”Com limites estritos, ficará muito mais fácil o controle, pois será evidente para a própria população quando um candidato gastar demais”, diz Bruno Brandão, da Transparência Internacional.

Tirar as empresas da jogada, porém, não impediria que os próprios donos das companhias fizessem doações vultosas como pessoa física mesmo. Quem tem uma ideia de como impedir isso é Lawrence Lessig. Ele defende que cada cidadão de um país ganhe um ”vale” – de R$ 100, por exemplo. E aí decida para qual candidato vai doar seu vale. O Estado, então, banca as campanhas conforme a quantidade de vales que cada candidato recebe. Em tese, isso deixaria um Jorge Paulo Lemann da vida em pé de igualdade com o  Zé da esquina. A Transparência Brasil, porém, acredita que nenhuma proibição nessa linha possa funcionar a contento, porque o fluxo de doações/empréstimos continuaria por debaixo dos panos. Aí pior ainda: não teríamos mais registro das doações – informação crucial hoje para que, ao menos, seja possível checar o quanto um político pode ter sido ”balançado” por elas. ”Acreditamos que o mais eficaz seria estabelecer um teto menor de doação, com base em um valor nominal, e não na porcentagem de 2% do faturamento, conforme permite a legislação atual, responsável por todo esse desequilíbrio”, diz Natália Paiva, diretora da Transparência Brasil.

É fácil entender de qual desequilíbrio ela fala: se você trabalha em uma pequena ou média empresa, 2% do faturamento parece uma porcentagem bem razoável, certo? Mas, digamos agora que você trabalha na JBS, dona da marca Friboi, que faturou em 2014 mais de R$ 120 bilhões. Na prática, isso significa que seu patrão poderia doar a partidos e candidatos quase R$ 2,5 bilhões de reais. A JBS não chegou a tanto, mas nem ficou tão longe: doou R$ 366 milhões a políticos nas eleições de 2014, o que a transformou oficialmente na maior doadora do País. Por outro lado, ela também é a recordista em receber dinheiro do governo. O BNDES injetou R$ 7,5 bilhões na Friboi nos últimos anos, na forma de empréstimos e de compra de ações. Coincidência?


Mas vale lembrar que tanto a JBS quanto outros megadoadores não podem ser confundidos com as empreiteiras da Lava Jato. Eles não estão corrompendo a lei – ainda que a lei, ao liberar doações nababescas, ofereça a grande brecha para que o interesse privado do doador fique acima do interesse público, o do eleitor. Mesmo assim, para a maioria dos analistas, a aprovação de uma reforma política que limite doações não teria força no combate à corrupção. Não sozinha. ”É preciso fortalecer e reformar os órgãos de controle, tais como os Tribunais de Contas e as controladorias, assim como o Poder Judiciário”, diz Bruno Brandão, da Transparência Internacional.

O caso dos Tribunais de Contas talvez seja o mais exemplar de um órgão de controle que, na prática, pouco controla.  Como dois terços dos seus conselheiros são indicados por deputados e a Constituição é pouco exigente quanto à sua pré-qualificação (basta ter vagos ”notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, financeiros ou de administração pública”), não faltam por lá ex-políticos julgando as contas de parentes, de aliados e até de inimigos. Um levantamento realizado em 34 Tribunais de Contas pela Transparência Brasil em 2014 indica que, de cada dez conselheiros, seis são ex-políticos, dois sofrem processos na Justiça ou nos próprios Tribunais de Contas e 1,5 é parente de algum político local. 

Assim como ocorreu  em outros países, no entanto, não será nem no Legislativo nem no Executivo que se dará a batalha contra a corrupção no Brasil. ”É o Judiciário que decide, afinal, se haverá ou não impunidade”, diz a professora de Ciência Política da USP, Maria Teresa Sadek. ”Por isso mesmo, instituições como o Conselho Nacional de Justiça, que estão promovendo uma mudança institucional e de cultura nos Tribunais, precisam ser cada vez mais fortalecidos.”.

Mudança de instituições e de cultura: essa dobradinha tem sido a principal receita de países que decidiram enfrentar a corrupção.  ”Quando as instituições garantem regras válidas para todos, ninguém se sente ‘otário’ por segui-las”, diz o filósofo Mario Sergio Cortella, coautor de Política, Para Não Ser Idiota. No Brasil, porém, a diferenciação começa dentro da própria Justiça. De acordo com a lei da magistratura, por exemplo, juízes têm direito a 60 dias de férias (sem contar os recessos que podem adicionar mais 15). Além disso, a mesma lei prevê que a maior punição administrativa aplicável a um juiz pelo mau exercício da função é uma simples aposentadoria compulsória – e sem perda dos vencimentos. Ou seja: um juiz corrupto pode até entrar em depressão pela perda do cargo, mas não deixará de receber seus salários pagos pelo contribuinte a menos que venha depois a ser condenado por processo penal – e mesmo assim não vai ficar em cela comum, com os outros presos.

Ainda que tudo esteja dentro da lei, essa cultura de privilégios é um dos principais entraves ao combate à corrupção. Se um cidadão sabe que um político ou magistrado conta com uma série de privilégios (como a imunidade parlamentar), por que se arriscaria a sofrer represálias denunciando uma autoridade corrupta? ”Mesmo aqueles que consideram a corrupção algo moralmente condenável são propensos a participar do esquema, uma vez que todos os ‘outros’ participam do jogo”, afirmou o cientista político Bo Rothstein, da Universidade de Gotemburgo, no livro de Cláudia Varejão. Ele lembra que, diferentemente do que muita gente imagina, a Suécia já foi marcada por subornos, e que os contatos privilegiados eram mais importantes do que as leis. Em meados do século 19, contudo, uma série de reformas detonou o que ele chama de ”Big Bang Institucional” – quando os cidadãos perceberam que as instituições se tornaram imparciais, a população foi mudando de comportamento. A boa notícia é que, como lembra o cientista político sueco, embora a corrupção tenha, sim, características culturais, ela não é culturalmente determinada.

Ou seja: quanto mais imparciais, transparentes e eficientes forem as instituições, menos espaço existirá para a cultura do jeitinho brasileiro. Só cuidado para não confundir ”eficiência” com ”braço forte”, no sentido militar da coisa. Intervenções militares descabam em ditaduras militares, como aconteceu por aqui mesmo. E ditaduras são exatamente o contrário de transparência. Regimes assim destroem a liberdade de imprensa, tornam suas instituições mais opacas, menos permeáveis à fiscalização e, consequentemente, mais propensas ao crime, conchavo e ao favorecimento político.

Como dizia o pensador italiano Norberto Bobbio, escândalo é apenas a corrupção que vem a público. Em sociedades pouco transparentes, claro, pode até não proliferar escândalos – mas há quase sempre muita corrupção. Que o diga a China. A estimativa é que 15 mil membros do Partido Comunista tenham fugido do país nos últimos 2o anos, levando o equivalente a R$ 400 bilhões ”na cueca”. 

A atual encarnação da democracia brasileira, enfim, é jovem, mas nem tanto. Aos 26 anos de idade, já é hora de ela provar que tem maturidade para exigir as reformas necessárias (inclusive nas ruas, quando necessário) e combater a cultura da corrupção como gente grande – sem tutela de generais, líderes populistas ou bonecos fabricados por marqueteiros políticos. Que transparência, no Brasil, deixe de ser só uma característica dos copos de cristal com que empresários e políticos celebram acordos nebulosos.











Fonte : Superinteressante