segunda-feira, 6 de abril de 2015

Síria - Quatro anos de intensa matança!

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A guerra na Síria completou no dia 15 de março quatro anos e sem uma perspectiva de fim, com um balanço humanitário dramático, um regime cada vez mais apegado ao poder e uma comunidade internacional preocupada, especialmente, com as atrocidades do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

As organizações internacionais condenaram  o fracasso dos governos de todo o mundo para encontrar uma solução à guerra, que segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) provocou mais de 215.000 mortes, em uma estimativa conservadora.
Além disso, a batalha forçou metade da população síria a abandonar suas casas.



A imagem das manifestações pacíficas iniciadas em 15 de março de 2011 desapareceu há muito tempo.
A revolta popular contra o regime ganhou um caráter militar ante a repressão do governo até virar uma guerra civil complexa, na qual se enfrentam tropas leais ao regime, vários grupos rebeldes, forças curdas e organizações jihadistas.

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A diplomacia está bloqueada, após duas séries de negociações em vão entre o regime e a oposição. Dois enviados especiais jogaram a toalha e um terceiro tentou obter a aplicação, sem sucesso, de uma suspensão dos combates em Aleppo.
 Pelo menos 26 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas em ataques aéreos do regime sírio perto de Damasco.

Os ataques aconteceram na cidade de Duma, ao nordeste da capital.
O OSDH afirmou que os aviões do governo executaram quatro ataques em Duma e que entre os feridos estão mulheres e crianças. A ONG advertiu que o balanço de mortos pode aumentar porque há feridos em estado grave.

Duma fica em Guta Oriental, reduto opositor e alvo de grandes ataques aéreos do governo há vários meses, enquanto os rebeldes disparam mísseis a partir desta cidade contra Damasco.

Mudança perigosa
A incapacidade da comunidade internacional para acabar com a violência alimenta o sentimento de amargura e abandono dos sírios, que enfrentam, segundo a ONU, "a situação mais importante de emergência humanitária de nossa era".

Quase quatro milhões de pessoas fugiram da Síria, incluindo um milhão que buscara refúgio no vizinho Líbano.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) advertiu para a "mudança perigosa" na crise, já que dois milhões de sírios com menos de 18 anos podem virar uma "geração perdida".
No país, mais de sete milhões de sírios abandonaram suas casas e quase 60% da população vive na pobreza.

Os combates destruíram as infraestruturas e, com isto, provocaram uma grande escassez de energia elétrica, água e alimentos, especialmente nas zonas cercadas pelo exército.
As organizações de defesa dos direitos humanos investigaram as atrocidades cometidas pelo regime sírio de Bashar al-Assad.
Mais de 13 mil sírios morreram torturados nas prisões desde o início da revolta popular e outras dezenas de milhares continuam nas penitenciárias do governo, embora muitos deles sejam citados como desaparecidos.

O OSDH anunciou um balanço devastador do conflito.
"Contabilizamos 215.518 mortos em quatro anos de guerra, incluindo 66.109 civis", afirmou à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH, que dispõe de uma ampla rede de fontes na Síria.

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Entre as vítimas civis, 10.808 eram crianças.
Mais de 5 mil pessoas morreram no país desde fevereiro, segundo Rahman.
O balanço, destacou Abdel Rahman, "é certamente superior aos 215 mil mortos contabilizados, pelo grande número de desaparecidos com paradeiro ignorado".
Ele também disse que é necessário acrescentar as 20 mil pessoas que estão nas prisões do regime e são consideradas desaparecidas.

Também são ignorados os destinos de milhares de civis e combatentes que foram sequestrados.
"O número supera 215 mil mortos, enquanto a comunidade internacional permanece em silêncio e nenhum tribunal internacional pune estes crimes", denuncia Rami Abdel Rahman.
"A impunidade estimula o assassino a continuar com seus crimes", completou.
"O povo sírio se levantou em março de 2011 para conquistar um Estado de direito e a liberdade, e não para passar da opressão da ditadura à opressão do grupo Estado Islâmico", concluiu.

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Assad apegado ao poder
Apesar da indignação internacional com o número de vítimas e o suposto uso de armas químicas pelo regime em meados de 2013, Bashar al-Assad continua fixado ao poder, ainda mais quando suas forças consolidam a presença na periferia de Damasco e Aleppo em detrimento da rebelião.
Diante dos rebeldes, o exército destaca sua superioridade militar, reforçada com combatentes estrangeiros, como os do Hezbollah libanês. Apesar das provas apresentadas por ONGs, Assad nega o uso de barris de explosivos.

Os países ocidentais, que exigiam a saída de Assad em 2011, se tornaram menos veementes após o surgimento do grupo Estado Islâmico, considerado atualmente a organização terrorista mais perigosa e melhor financiada do mundo. O secretário de Estado americano, John Kerry, destacou recentemente que a prioridade de Washington é vencer os jihadistas.

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Mas Kerry admitiu que o governo dos Estados Unidos terá que negociar com o presidente da Síria, Bashar al-Assad, para acabar com a guerra civil neste país.
"Ao final teremos que negociar. Sempre estivemos dispostos a negociar dentro do processo (de paz) de Genebra I", disse Kerry em uma entrevista exibida pelo canal CBS.
Ele destacou que Washington trabalha sem descanso para reativar os esforços para encontrar uma solução política para acabar com a guerra.

O governo americano liderou os esforços internacionais para iniciar os diálogos de paz entre Assad e uma fragmentada oposição síria, aproximando as partes pela primeira vez em uma reunião em Genebra no ano passado.

Mas após duas séries de debates, as negociações afundaram sem a programação de novos encontros, enquanto aumenta o número de mortes no conflito.
"Assad não queria negociar", disse Kerry à CBS.

"Mas se estiver preparado para iniciar uma negociação séria sobre a implementação de Genebra I, com certeza (...) e o que estamos tentando obter é que venha e faça isto", respondeu ao ser questionado se negociaria com Assad.

Poucas esperanças de paz
Desde meados de 2014, Washington lidera uma coalizão internacional contra o EI no Iraque e na Síria, onde os jihadistas proclamaram um califado nos territórios sob seu controle.
Os bombardeios aéreos permitiram às forças curdas expulsar os jihadistas de algumas áreas ao norte da Síria, mas o EI mantém sua força, como demonstram os vídeos divulgados de decapitações de civis, jornalistas e voluntários.

O grupo extremista sunita atrai milhares de combatentes estrangeiros, incluindo muitos ocidentais, o que aumenta o temor de possíveis ataques jihadistas após o retorno a seus países de origem.
As esperanças de paz na Síria são cada vez menores, mas uma nova rodada de negociações, com resultado incerto, está prevista para este mês de abril, em Moscou, entre enviados de Damasco e uma delegação da oposição.



Da France Presse/Globo



O Grande Erro da Economia!

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A Teoria Econômica Clássica é brilhante. A ideia básica, formulada pelo filósofo escocês Adam Smith em 1776, é que o mercado é a melhor maneira de determinar o valor das coisas. Ponha algo para vender, espere até alguém aparecer querendo comprar e pronto: logo um preço surgirá. Se a oferta aumentar, o preço cai, se a demanda subir, o preço sobe. Simples, prático e genial. Mas, infelizmente, essa teoria contém um pequeno erro. Pequeno, mas, se ele não for corrigido, o mundo acaba.

O erro de Adam Smith é que ele se esqueceu de pensar que certas coisas não têm preço. Isso porque algumas coisas têm mercados que movimentam dinheiro e outras não. Imagine uma árvore milenar, crescendo sem dono no meio da Floresta Amazônica. Não há mercado nenhum em funcionamento aí - dinheiro nenhum muda de mãos enquanto a árvore cresce e os séculos passam. Mas, se formos até a floresta com uma serra, fatiarmos a coitada em tábuas e colocarmos as ditas cujas para vender a R$ 5 o metro linear, vai surgir um mercado. Alguém aparecerá querendo comprar e aí é uma beleza: a economia se move, dinheiro circula, o PIB aumenta, o Brasil cresce. Derrubar árvores aumenta o PIB, plantar árvores não.

A árvore crescendo majestosa no meio da floresta não tem preço, mas isso não quer dizer que ela não tenha valor. Ela tem - por exemplo, para os milhões de seres que habitam sua copa e curtem sua sombra. Ou para as pessoas do futuro que sofrerão de doenças cuja cura está nos genes de um desses seres. Ela tem valor para todos os habitantes da América do Sul, já que as árvores amazônicas propulsionam uma "bomba biótica" - soltam umidade na atmosfera e os ventos oceânicos empurram essa umidade para o continente todo, garantindo as chuvas e, portanto, a fertilidade, do cerrado aos pampas.

Não é um valor teórico - é concreto, real. Se não houvesse a árvore, um monte de gente ia ficar mais pobre. Mas esse valor é difícil de calcular e, portanto, os mercados não o enxergam. É como se árvore fosse grátis. Se a árvore é grátis e a tábua custa R$ 5 o metro, segundo as leis de Adam Smith, cria-se um incentivo para todo mundo derrubar árvores e vender tábua a rodo (e rodo também). Até que, naturalmente, as árvores acabam. Isso é um erro porque, ao final do processo, todos ficamos mais pobres.

O nome desse erro da economia é "externalidade", que é aquilo que não está computado na formação de um preço. O maior problema do mundo hoje é que a economia está repleta de externalidades. Segundo o economista indiano Pavan Sukhdev, da Universidade Yale, mais de 50% dos ganhos das empresas na realidade são externalidades. Ou seja: a maior parte da economia mundial não são lucros - são roubos. É alguém impondo um custo a outro para fazer dinheiro para si próprio.

Por exemplo, dizem que a maneira mais barata de produzir energia é queimando carvão e usando o calor gerado. O que a economia não calcula é que a produção dessa energia gera um custo para o mundo maior do que seu próprio valor. Segundo Pavan, para cada R$ 1 de energia que é produzida com queima de carvão, impõe-se um custo de até R$ 3,50 para a economia. Ou seja, se fizermos a conta direitinho, descobrimos que as usinas termelétricas não produzem energia: elas queimam dinheiro.

O economista dos transportes Charles Komanoff tem um outro exemplo. Segundo ele, a cada vez que uma pessoa anda de carro em Nova York, os outros habitantes da cidade perdem 3 horas e 15 minutos de suas vidas, no trânsito. Cada novo carro na rua aumenta um tiquinho o congestionamento, fazendo com que cada um dos outros carros percam alguns segundos. O que Komanoff fez foi somar todos esses segundos. Descobriu que, quando um motorista tenta economizar 5 minutos, a cidade perde mais de 3 horas. Não é à tôa que hoje a velocidade média de um carro no trânsito em uma grande cidade é menor do que no tempo das carroças movidas a boi.

E como eliminar as externalidades para corrigir a escorregada de Adam Smith? O único jeito é incluir no preço das coisas todos os custos e esperar que o mercado cuide do resto. Se o carrão que gera trânsito custar mais, cria-se um incentivo para que se escolha veículos menores. Se a tábua incluir no seu preço a sombra perdida e os bichos desalojados, vai ficar mais barato comprar madeira reflorestada.

Vários países estão criando taxas para matar externalidades. Claro que a última coisa que o Brasil precisa é de mais impostos. Mas, e se todos os impostos atuais fossem eliminados e criássemos todo um novo código tributário, do zero, com um único critério: eliminar externalidades?

O primeiro passo é fazer contas: calcular na ponta do lápis o preço exato de tudo que a economia esqueceu. Claro que não vai ser fácil chegar a um acordo sobre o preço justo de coisas como sombra, silêncio e vida humana, e é por isso que precisaremos de gente boa de números. Pavan Suhhdev costuma dizer que são os contadores que vão salvar o mundo.

Aí bastará incluir no preço das coisas os custos escondidos que elas têm. Muita gente vai chiar. Hábitos que costumamos ver como baratos - comer carne, queimar gasolina, misturar cimento - vão ficar bem mais caros. Mas aí é questão de tempo até uma nova geração de empreendedores inventar opções alternativas - veículos que não poluem, comidas que fazem bem, produtos que não destroem - por preços razoáveis. E aí o mercado funcionará, do jeito que Adam Smith descreveu.




Fonte: Denis Russo Burgierman - Superinteressante

Globo e HSBC - Parceria que rende muito!


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O maior escândalo financeiro da história mundial, com contas secretas de brasileiros no banco HSBC em paraísos fiscais, ganhou mais um capítulo, ledo engano à cada hora.



A Rede Globo comprou em pleno centro de Road Town, capital das Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe, em 2001 uma empresa por cerca de 220 milhões de dólares. O que poderia haver de tão valioso no Caribe para que a Rede Globo fizesse um investimento deste porte?

O esconderijo para um tesouro é a resposta mais apropriada. Exatamente como no tempo dos piratas, que por sinal fizeram história por aqui, como o lendário Barba Negra. E para piratas no passado, assim como para sonegadores de impostos, corruptos, traficantes de drogas e de armas no presente, o melhor lugar do mundo é onde se pode guardar a riqueza ilícita longe dos olhos das autoridades. Um paraíso. Isso é Ilhas Virgens.

A imprensa internacional divulgou o caso SwissLeaks com dados que foram retirados do banco em 2007 pelo ex-técnico de informática do banco Hervé Falciani. Estes dados revelam que durante novembro de 2006 e março de 2007, quase US$ 180 bilhões teriam transitado por contas do HSBC em Genebra, para fraudar o fisco, lavar dinheiro sujo ou financiar o terrorismo internacional.

Os bilhões de dólares pertencentes a mais de 100.000 clientes e 20.000 pessoas jurídicas teriam transitado por estas contas de Genebra, dissimuladas, entre outras, por estruturas offshore no Panamá e nas Ilhas Virgens britânicas,

É notório de todos que o Banco HSBC envolvido no maior escândalo financeiro da história mundial é um dos maiores patrocinadores da Rede Globo de Televisão, chegando a ganhar prêmios pela emissora. O HSBC chega a manter uma página dentro do G1, principal site de notícias da Organização Globo.


Fonte: M Portal


quinta-feira, 5 de março de 2015

Estupro Coletivo - Insanidade Cultural de Um País!

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Em 2012, uma estudante indiana foi estuprada em um ônibus em Nova Déli e morreu devido a ferimentos internos gravíssimos. A produtora Leslee Udwin conversou com um dos estupradores que foi condenado à morte e com os advogados de defesa, para um documentário sobre o caso que será transmitido nesta semana pela BBC na Grã-Bretanha.
Leia, abaixo, o testemunho de Udwin e trechos da entrevista dela com o estuprador

Índia

No dia 16 de dezembro de 2012, uma mulher de 23 anos foi assistir ao filme As Aventuras de Pi com um amigo. Às 20h30, eles entraram em um ônibus que estava fora de operação, e outras seis pessoas estavam no veículo: cinco homens e um jovem.
Os homens espancaram o amigo e cada um estuprou a mulher, agredindo-a em seguida com um instrumento de ferro.

Os detalhes terríveis do estupro me levaram a acreditar que encontraria monstros, loucos, psicopatas. A verdade era ainda mais assustadora: os perpetradores eram homens comuns, aparentemente normais.
Mukesh Singh, o motorista do ônibus, descreveu cada detalhe do que aconteceu durante e depois do estupro. Enquanto os promotores afirmam que todos os homens se revezaram e estupraram a jovem, Singh afirma que não participou e ficou no volante do ônibus o tempo todo.
E ele culpa a vítima.

    A desigualdade de gênero é o tumor primário e o estupro, tráfico de mulheres, casamento de crianças, aborto de fetos de meninas, crimes de honra e assim por diante, são as metástases
    Leslee Udwin, produtora de documentário sobre estupros na Índia
"Uma garota decente não estaria perambulando por aí às nove da noite. Uma garota é muito mais responsável por um estupro do que um garoto", disse.

"Trabalho de casa, serviço doméstico é para garotas, não (é) perambular em clubes e bares à noite fazendo coisas erradas, usando roupas erradas. Cerca de 20% das garotas são boas."
Para Singh, as pessoas "tinham o direito de ensinar uma lição a ela" e a mulher precisa aguentar isto.
"Quando está sendo estuprada, ela não deve lutar. Ela deve apenas ficar em silêncio e permitir o estupro. Então, eles teriam deixado ela depois (do estupro) e apenas teriam espancado o menino", afirmou.

"A pena de morte vai tornar as coisas ainda mais perigosas para as garotas. Agora, quando eles estupram, eles não vão deixar a garota como nós fizemos. Eles vão matá-la. Antes, eles estuprariam e diriam: 'deixa ela, ela não vai contar para ninguém'. Agora, quando eles estuprarem, especialmente os tipos criminosos, eles vão matar a garota. Morte."
Eu tinha em mãos a longa lista dos ferimentos inflingidos à vítima e li a para Singh, esperando algum tipo de arrependimento. Mas não houve nada.

Seria mais fácil entender esse crime hediondo se os responsáveis fossem monstros, maçãs podres, aberrações da natureza.
Para mim, a verdade não poderia estar mais longe disso, e talvez a pena de morte por enforcamento à qual os acusados foram sentenciados até mascare o problema real, que é: estes homens não são a doença, eles são os sintomas.
Um dos homens que entrevistei, Gaurav, havia estuprado uma menina de cinco anos. Passei três horas gravando a entrevista enquanto ele contava com detalhes explícitos como abafou os gritos da criança cobrindo o rosto dela com a mão.

Durante a entrevista, ele estava sentado e tinha um meio sorriso na boca. Talvez um pouco de nervosismo na presença de uma câmera. Em um momento, pedi para que ele me mostrasse a altura da menina e ele se levantou para indicar que ela era da altura de seus joelhos.

Quando perguntei como ele conseguiu cruzar o limite entre imaginar o que queria fazer e realmente fazer - diante da altura da menina, os olhos, os gritos - ele me olhou como se eu estivesse louca. "Ela era uma mendiga, a vida dela não tinha valor", respondeu.
Esses crimes contra mulheres e meninas são apenas parte do problema. Tudo começa com o nascimento de uma menina, que não é tão bem-vinda como um menino.

Quando um menino nasce, doces são distribuídos. Isso não acontece com as meninas. Um menino recebe uma nutrição melhor que uma menina. Os movimentos de uma menina pela cidade são restritos e suas liberdades, reduzidas. Ela é enviada como escrava doméstica para o marido.
Se uma menina vale menos que um menino, a consequência é que os homens acreditam que podem fazer o que quiserem com elas.

Advogados de defesa defendem a morte de mulheres que 'desonrem' a família
Falei com dois advogados que defenderam os assassinos da estudante de 23 anos e o que eles disseram foi revelador.
"Em nossa sociedade nunca permitimos que nossas meninas saiam de casa depois das 19h30, ou 19h30 ou 20h230, durante a noite com qualquer desconhecido", disse ML Sharma.

"Você está falando sobre homem e mulher como amigos. Desculpe, isso não tem lugar em nossa sociedade. Temos a melhor cultura. Em nossa cultura não há lugar para uma mulher."
"Se minha filha ou irmã se envolvessem com atividades antes do casamento (...), e se permitir perder o caráter ao fazer tais coisas, com certeza eu levaria esta irmã ou filha para minha fazenda e, em frente de toda minha família, despejaria gasolina nela e acenderia o fogo", disse outro advogado, Singh, em uma entrevista para a televisão local.
Quando o entrevistei, ele confirmou essas declarações.

A desigualdade de gênero é o tumor primário e o estupro, tráfico de mulheres, casamento de crianças, aborto de fetos de meninas, crimes de honra e assim por diante, são as metástases.
E na Índia o problema não é falta de leis - afinal é um país democrático, civilizado e em desenvolvimento. O problema é a implementação das leis.
O artigo 14 da Constituição do país garante direitos iguais para homens e mulheres. Só que, por exemplo, o dote em um casamento é considerado ilegal, mas todas as famílias ainda mantêm esse costume. É muito lamentável!


Fonte: BBC Brasil



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Justiça Gaúcha Sentencia Pedreiro À Morte!



Um pedreiro diagnosticado com câncer no cérebro e com expectativa de dois meses de vida teve o pedido de um tratamento pelo SUS negado por duas vezes na Justiça do Rio Grande do Sul. Conforme laudos médicos apresentados à juíza, Mário Martins, de 46 anos, a radioterapia associada à medicação poderia prolongar o prazo de vida e reduzir as chances de morte.

O último despacho, emitido pela Comarca de Nova Petrópolis, e assinado pela juíza Marisa Gatelli, argumenta que “o medicamento pleiteado não irá curar o grave câncer de cérebro, sevindo apenas para prolongar sua vida em um ou dois meses”. A magistrada ponderou que os valores do tratamento são “astronômicos” e causariam prejuízos aos cofres públicos.

“De tal sorte, o aditamento de tutela, se deferido, não só se mostraria irreversível como também implicaria desfalque aos combalidos cofres públicos do município e do estado, considerando o valor astronômico dos fármacos postulados e o fato de que outras esferas de atuação prioritária do executivo ficariam a descoberto”, escreveu a juíza no despacho.

A posição da magistrada foi baseada em uma cartilha de apoio médico e científico ao judiciário. O documento, anexado ao despacho, conclui que a temozolomida, medicação reivindicada, “apresenta indicações específicas em tumores cerebrais raros, não como terapia curativa, mas atuando no aumento de sobrevida (meses) e com alto custo (custo inicial de RS 40.000,00 + RS 8.000,00 a cada ciclo). As demais indicações não são baseadas em evidências e não há evidências para o uso em casos de melanomas avançados ou com metástase.”

Depois de ter o pedido de tratamento negado por duas vezes no judiciário, Mário ganhou ajuda de amigos e familiares que iniciaram uma campanha nas redes sociais para pagar o tratamento. O grupo já arrecadou quase R$ 8 mil, o que equivale a um ciclo do medicamento.

A Defensoria Pública do Rio Grande do Sul deve ingressar com recurso para tentar reverter a decisão. Ao G1, o desembargador Túlio Martins, presidente do Conselho de Comunicação do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), defende a decisão da magistrada, mas disse que processos sobre tratamentos médicos sempre envolvem decisões difíceis.

“O juiz se ampara no que vem tecnicamente no processo, mas evidente que pode rever a decisão. Talvez possa existir uma alternativa que a juíza em questão não considerou ou não foi apresentada a ela. Mas é uma juíza muito experiente, uma pessoa sensível. Na verdade, são sempre decisões difíceis de se tomar”, explica.

Essa decisão é no mínimo revoltante, já que o uso do remédio poderia reduzir as chances de morte do paciente.
Alegar que o Estado teria prejuízo nos cofres públicos ao arcar com os custos da compra do remédio é sem dúvida um argumento fraco em um país onde os mesmos são assaltados por políticos e empresários corruptos e sem escrúpulos todos os dias. 

Foto: Diário.net

Nega-se assim a chance de vida a um trabalhador que cumpre com seus deveres e paga seus impostos enquanto que a justiça brasileira não consegue reaver os milhões de reais que são desviados dos cofres públicos por pessoas sem caráter e salafrárias!

No Brasil, pagar ajudas de custo desnecessárias a deputados que pouco trabalham, não lesa os cofres públicos, mas comprar uma medicação que pode vir a salvar a vida de um trabalhador é considerado como prejuízo! Isso é muito lamentável!

O pobre pedreiro foi sentenciado à morte pela nossa Justiça!

Eliezer.

Artigo baseado em notícia veiculada pelo G1.




terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Uma cidade destruída para perpetuar o racismo!

Moradores conversam em Sophiatown (Foto: Junrgen Schadberg)


   
Sophiatown, no subúrbio de Johannesburgo, era conhecida pelo estilo de vida boêmio e por seu destaque no cenário da música. Mas há 60 anos, o governo da África do Sul decidiu acabar com o bairro multirracial e transformá-lo em uma área exclusiva para brancos.
Certa manhã, os sons dos cascos dos cavalos e os gritos dos policiais acordaram Victor Mokine, então com dez anos de idade.

Isso aconteceu em fevereiro de 1955. Mokine vivia com sua família em Sophiatown, lar de 65 mil pessoas – negros, brancos, mestiços, chineses e indianos.
"Eu vi policiais a cavalo no nosso quintal. Nossos pais nos disseram para ficar dentro de casa porque pensaram que haveria violência", afirmou.

"Eles estavam armados com fuzis, pistolas e alguns com metralhadoras. Podíamos ouvir o barulho dos caminhões que chegavam para carregar os pertences das pessoas."

Os moradores de Sophiatown haviam sido avisados de que teriam que se mudar para outro local a 16 quilômetros de distância. Mas para minar qualquer tentativa de resistência, as autoridades chegaram três dias mais cedo que o planejado, enquanto ainda estava escuro, pegando os moradores despreparados.
Quando Mokine e sua família saíram à rua, eles perceberam que havia mais de 2 mil policiais no bairro.
Sophiatown era uma das poucas áreas na África do Sul em que naquele momento pessoas negras tinham o direto de possuir terras.

Mas o governo usou uma legislação que obrigava diferentes grupos raciais a viver separadamente para reforçar a política de segregação.
As autoridades haviam decidido que a população de Sophiatown deveria ser transferida para um local chamado Meadowlands depois que residentes de subúrbios brancos vizinhos pressionaram por sua remoção.

Desocupações
Moradores foram orientados a não reagir para não serem massacrados pela polícia
Os despejos começaram nos dias seguintes.
"Havia um clima de medo. Alguns policiais simplesmente arrombavam as portas e gritavam em africander para as pessoas saírem. Parecia uma situação de guerra", disse Mokine.

Paul Joseph, um operário na época com 20 anos, então membro da organização Congresso Indiano vivia perto de Fordsburg e foi para Sophiatown no dia em que os despejos começaram.
"Eu fiquei olhando dos arredores e vi pessoas sendo colocadas silenciosamente em caminhões. Não havia cantoria, gritaria ou oposição", disse.
"Era claramente intimidação."

Mas as autoridades descreveram o episódio como um tempo de celebração, afirmando que os moradores estavam felizes em sair de um local assolado por uma "praga".
Um noticiário regional afirmou que eles regozijaram com "os corações cheios de felicidade e expectativas" enquanto se dirigiam para seu novo lar.

O termo "praga" teria sido usado porque até 1955 o bairro era frequentado por músicos, artistas escritores e gangsters.
Havia superlotação e banheiros compartilhados nos quintais - mas também uma energia incansável e otimismo, segundo afirmou Joseph.
"As pessoas iam ao Sophiatown para ouvir música", disse.

A área atraía pessoas de Johannesburgo, inclusive músicos que depois ficaram famosos, como Miriam Makeba e Hugh Masekela – que iniciaram suas carreiras em clubes de jazz de Sophiatown.
Mas o bairro não era apenas um local de salões de dança e festas. Também era um eixo de atividades do CNA (Congresso Nacional Africano). Um dos amigos do operário Joseph era ninguém menos que o jovem Nelson Mandela – que frequentava muito a região.

Nos meses anteriores às remoções, o CNA e a organização Congresso Indiano organizaram protestos em Sophiatown contra os planos de desocupação.
Mandela então era o vice-presidente do CNA. Ele fez um discurso na Praça da Liberdade de Sophiatown dizendo aos moradores que o tempo de resistência pacífica havia chegado ao fim. A liga jovem do CNA criou o slogan "Remoção sobre os nossos cadáveres".
Mas quando a população percebeu que a polícia traria muitas armas para a desocupação, as lideranças do CNA aconselharam os moradores a não resistir.

"Teria acontecido um massacre se eles tivessem resistido, não há dúvidas disso", disse Joseph.
Novo lar
Moradores tiveram que se mudar para Meadowland e enfrentaram dificuldades
Em agosto de 1956, no meio do inverno sulafricano, Victor Mokine e sua família foram finalmente removidos.
"Esperamos pelo caminhão de remoção durante todo o dia. Ele só chegou às 19h, quando já estava escuro e frio."
Quando chegaram a Meadowlands receberam dois pães, uma garrafa de leite e foram levados para sua nova casa.
"Quando chegamos lá nos jogaram para fora do caminhão com nossos bens. Não havia forro no telhado e as paredes não tinham recebido acabamento. O telhado havia apenas sido colocado sobre os tijolos, por isso a primeira noite foi muito fria, o vento uivava pelas aberturas. Tivemos que usar jornal para nos proteger naquela noite", disse.
"Ainda não havia lojas em Meadowlands e tivemos que ir ao distrito vizinho, Orlando West, para comprar coisas durante todo o primeiro ano."

E apesar da família de dez pessoas estar agora vivendo em uma casa de cinco quartos, muito maior que a de um quarto em Sophiatown, a mudança foi traumática.
"Ao voltar para casa do trabalho à noite as pessoas se perdiam, porque não havia luz e as estruturas das casas eram idênticas."
Para piorar, muitas famílias começaram a perder seus provedores.

"Eles simplesmente começaram a morrer. Na rua onde vivíamos percebi que em três ou quatro anos a maioria das famílias perderam seu provedor. Meu próprio pai morreu em 1963, aos 53 anos", disse Mokine.
"Atribuímos isso ao estresse que sofreram."
Sophiatown sempre foi conhecida pela diversidade e por atrair músicos e artistas

Reconstrução
Em 1962, Sophiatown havia sido demolida e reconstruída como uma área excluviva para brancos batizada de Triomf. O único lembrete do que aquilo havia sido é que os novos moradores às vezes achavam talheres e jarras enterrados em seus jardins.

Os empreiteiros haviam simplesmente construído sobre o entulho das casas demolidas.
Para o CNA, a campanha para salvar Sophiatown foi um fracasso. Mas a organização galvanizou o movimento antiapartheid e repensou sua estratégia.

"Foi um grande revés para nós. Mas um efeito que isso teve foi deixar claro que não tínhamos outro recurso senão a luta violenta", disse Mokine.
"Eu comecei a perceber nos jovens, quando pedia para que assinassem petições, que eles queriam armas para lutar contra o inimigo. Essa era a tendência para a qual começávamos a nos mover."

Sophiatown foi a primeira de uma série de remoções forçadas que desorganizaram muitas comunidades da África do Sul entre as décadas de 1950 e 1960. Sob o pretexto de preservar a harmonia racial, comunidades indianas dos distritos a oeste de Johannesburgo foram despejadas de locais onde moravam havia 70 anos e forçadas a mudar para Lenasia, mais de 30 quilômetros a sudoeste da cidade.

Mas meio século depois, em 2006, Triomf foi renomeada e se tornou Sophiatown novamente. Hoje é um dos subúrbios de Johanesburgo com maior diversidade.

"Sophiatown hoje está ficando como era antes – as pessoas ainda se cumprimentam na rua, as crianças brincam na rua ou nas casas umas das outras e as mulheres ainda ficam sentadas nas esquinas esperando pelo número do fahfee (uma espécie de loteria). A diferença é que agora não é tão lotado", afirmou o antigo morador Rasheed Subjee.

Mas para Victor Mokine, uma coisa se perdeu quando a Sophiatown original foi destruída. "Eu sinto falta da mistura de diferentes amigos. Eu costumava ter amigos negros e indianos em Sophiatown. A tragédia é que quebraram a união das pessoas."




Fonte: Ellen Otzen Da BBC News

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Feriado de Carnaval - Perda de Milhões de Reais na Economia!

 

É só falar em feriado para boa parte dos trabalhadores brasileiros abrirem um sorriso. Quando o assunto é carnaval ou feriados mais longos, então, a alegria se mostra mais extensa. São alguns dias sem trabalho para milhares de trabalhadores ativos no Brasil, seja para descansar ou para aproveitar um arsenal de festas disponíveis.

Há aqueles que defendem que nessas datas são criados muitos trabalhos temporários, que o mercado fica aquecido em diferentes setores, o que não deixa de ser verdade! No entanto, de acordo com um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, as perdas ocasionadas pelos feriados nacionais e estaduais à indústria brasileira podem ter atingido R$ 45,5 bilhões em 2014, valor 2,8% maior do que o estimado para o ano de 2013. Isso significa dizer que a economia brasileira deixou de produzir até 3,6% do seu PIB industrial.

Os estados mais industrializados são também os que concentram as maiores perdas. Em São Paulo, a conta pode ter chegado a R$ 15,6 bilhões, enquanto no Rio de Janeiro os prejuízos somaram R$ 5,5 bilhões. Minas Gerais e Rio Grande do Sul  deixaram de produzir, respectivamente, R$ 4,5 bilhões e R$ 2,8 bilhões. Para a Paraíba, o custo foi de 310 milhões em 2014. As informações estão na Nota Técnica “O Custo Econômico dos Feriados”, divulgado pelo Sistema FIRJAN.

A paralisação excessiva da atividade econômica gerada pelos feriados foi maior em 2014 porque 30 dos 44 feriados estaduais caíram em dia útil, seis a mais do que no ano retrasado. Dos feriados nacionais, oito de 12 ocorreram em dia de semana, originando pontos facultativos ou a prática de “enforcamentos”. É o caso, por exemplo, do Dia do Trabalho (1º de maio, quinta-feira) e Corpus Christi (19 de junho, quinta). Os feriados da Independência do Brasil (7 de setembro), Nossa Sra. Aparecida (12 de outubro), Finados (2 de novembro) e Proclamação da República (15 de novembro) cairam em fim de semana.

Acre, Alagoas e Amazonas são os estados com o maior número de feriados estaduais em dias úteis (três em cada estado) e, consequentemente, tiveram maior perda relativa: 4,4% do PIB industrial. Os prejuízos podem ter somado R$ 64 milhões no Acre, R$ 277 milhões em Alagoas e R$ 1,4 bilhão no Amazonas.
 E esse ano não vai ser diferente!
Mas esse é o Brasil! E está difícil de mudar essa cultura que o povo em geral têm!
Hoje para muitos  é feriado prolongado que se estende até amanhã, e aqueles que não ganharam feriado estão se maldizendo! Eta povinho bem preguiçoso!!
 Só querem saber de samba e de folia! Depois reclamam que o país não vai pra frente!



Eliezer.


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